Impeachment de Moraes não dará em nada, mas atiça muitos alucinados para o Sete de Setembro

Charge Sete de Setembro

Charge do Ricardo Manhães (Arquivo Google)

Eliane Cantanhêde
Estadão

Junto com a radicalização, o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes e a resistência vigorosa do Supremo às ameaças ao nosso 7 de Setembro, um mal se alastra pelo Brasil como erva daninha, ou como a variante Delta: o negacionismo, ou terraplanismo, que mistura ideologia, ignorância, crença cega e má fé, arrastando milhões de ovelhas fiéis e incautas para o lado errado da história.

Depois de um ministro da Educação que falava mal o português, um segundo que não sabia escrever e queria prender os ministros do Supremo e um terceiro que não tomou posse por fraudar o currículo, chegamos ao pastor Milton Ribeiro. Discreto (omisso?), ele sumiu durante a pandemia e lembra o personagem de TV que “só abre a boca para falar besteiras”.

EXPERT EM ASNEIRAS – Em entrevista ao Estadão, o ministro (da Educação!) disse que jovens gays são resultado de “famílias desajustadas”. Depois, voltou à cena com a tese de que universidades são para “poucos”. Leia-se: para a elite branca das escolas particulares. Sim, é preciso investir mais no ensino profissionalizante e menos em faculdades de fundo de quintal que geram diplomas, não profissionais aptos para o mercado. Mas tratar universidades como bolhas, condenando pobres e negros à exclusão eterna?

Por último, o pastor Ribeiro declarou que alunos com alguma deficiência “atrapalham” as aulas e devem ser segregados. Pai de Ivy, de 16 anos, portadora de Down, o senador e craque Romário desprezou a diplomacia. Chamou o ministro de “imbecil e deselegante” e tascou: “Toma vergonha na cara!”.

A experiência, nacional e internacional, confirma que crianças e jovens com alguma deficiência ou altas habilidades evoluem muito, são mais capazes e felizes ao conviver com os colegas em salas de aulas inclusivas, com uma troca de alto teor educativo: todos aprendem com todos e, juntos, preparam-se melhor para a vida, a igualdade, a empatia, o amor.

INCLUSIVISMO – Para Ribeiro, isso é “inclusivismo”, primo do “ambientalismo” que o ex-chanceler Ernesto Araújo acusava em governos, organizações e cidadãos que defendem o Meio Ambiente. De que família são esses primos? Do comunismo e do esquerdismo, armas da tia China para destruir o Ocidente…

Se o ministro da Educação chocou o País embolando suas crenças pessoais com políticas públicas, o da Saúde, Marcelo Queiroga, exibiu o seu terraplanismo de conveniência. Médico respeitado convertido ao bolsonarismo, Queiroga deu uma cambalhota e se declarou — como o presidente Jair Bolsonaro, e em mídia aliada — contra o uso obrigatório de máscaras na pandemia. Na contramão, pois, da OMS e de todos os governos do mundo civilizado.

Como, aliás, a subprocuradora Lindôra Araújo, que alegou em parecer ao STF a falta de uma “medida exata da eficácia das máscaras” para isentar o presidente de responsabilidade por não usá-las e dar um péssimo exemplo para os brasileiros. Lembram do vídeo em que tirou a máscara da criancinha?

ALGO EM COMUM – Milton Ribeiro, Ernesto Araújo, Queiroga, Lindôra, Abraham Weintraub, Ricardo Salles (ex-ministro do Meio Ambiente pró-desmatamento), Mário Frias (secretário da Cultura anticultura) e Sergio Camargo (que é da Fundação Palmares e odeia negros) têm em comum Jair Bolsonaro, o rei dos terraplanistas tupiniquins.

A eles se unem alucinados que incitam a população a invadir o STF, ameaçar os ministros, bloquear estradas e parar o País, enquanto o presidente reage ao real risco de derrota em 2022 atacando as urnas eletrônicas e o atual e o futuro presidentes do TSE, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Bolsonaro sabe que o impeachment de Moraes não vai dar em nada, mas o objetivo é outro: incendiar os Sergios Reis e os Otonis de Paula para o 7 de Setembro deixar de ser saudação à Pátria e virar adoração ao mito. Jair acima de tudo, Bolsonaro acima de todos!

13 thoughts on “Impeachment de Moraes não dará em nada, mas atiça muitos alucinados para o Sete de Setembro

  1. Pode não dar em nada mas que o STF vem extrapolando suas atribuições isso não podemos negar.
    E não é somente o Moraes. Ali a maioria se julga semi deus.
    O impeachment e tem toda a legalidade para frear o STF. O outro caminho que tanto o legislativo quanto o executivo irão usar será um olímpico desprezo em alguma decisão ilegal tomada pelo STF.
    Tudo sem violência, aguardem.

  2. Caramba!!!! Se tivéssemos feito tanto barulho ou pelo menos dez por cento, não teriam conseguido destruir o nascente combate a corrupção.
    Hoje está tudo tão confuso que é bandido investigando e apontando o dedo para bandido.
    Realmente chegamos no final. É tudo bandido.

  3. Marquei uma consulta com um neurologista e outra com um psiquiatra, estou preocupado, depois de tantos anos de janela continuo vendo a banda passar mas não estou entendendo a música.
    Veja bem, o país está mal, muito mal, a economia patina, a inflação galopa, a dívida pública estoura, a Bolsa derrete, o desemprego bate recordes, a fome e insegurança alimentar atinge milhões, a pandemia dizimou mais de 570 mil brasileiros, por pura ignorância, negaram-se a tomar a Cloroquina , que salvou até as emas do Alvorada, tudo isso eu entendo.
    Cidadãos patriotas e responsáveis entram em vigília cívica, civilizada e ordeira, até 7 de setembro, até aí eu entendo, realmente a situação está desesperadora.
    Mas…não…espera aí, não é para trocar o governo? Não? Meu Deus, socorro!!! fiquei doido!!!

  4. Afinal esses pedidos de impeachment só vale pra um lado?
    Está na lei e vale pra quem quiser e puder.
    Na minha opinião, soltar Lula da cadeia foi ato de força, já pedir o impedimento é ato de fraqueza embora isso não se refira ao caso do cachaceiro e sim dos desmando do STF que se comporta como feudo de faraós.

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