Impedido de disputar o terceiro mandato, Obama se fortalece no segundo, enfrenta os poderosos (e criminosos) lobistas das armas. Não tendo cargo verdadeiro, Maduro aparece com decreto “mediúnico” de Chávez e nomeia o chanceler extraordinário. O PMDB, maior partido do Brasil, deveria disputar a Presidência.

Helio Fernandes

Já disse aqui, não custa repetir: a emenda 24 que limitou a carreira presidencial a 2 mandatos, foi e continua sendo revolucionária. Começou em 1952 com Eisenhower. Reeleito em 1956, em 1960 teve que ir para casa, os que se seguiram cumpriram o mesmo destino.

Agora, quase no início do segundo e último mandato, se quiser (parece querer), Obama governa para a comunidade e para a História. Para não deixar dúvidas, enfrenta o até agora invencível “lobby” das armas, ou como se chama, Movimento ou Associação do Rifle.

Obama colocou no comando da batalha o próprio Joe Biden, vice-presidente. Ainda não ganhou nada, mas já levou os adversários ao desespero. De tal modo que se desarvoraram e chamaram Obama de “Hipócrita”, palavra inteiramente desajustada.

Podiam clamar no deserto com qualquer palavra, menos essa. Obama está lutando de frente, ameaçando esses criminosos de forma ostensiva, pela primeira vez na História. Sentiram o golpe, gastam fortunas em pesquisas tentando mostrar e provar que a comunidade é a favor deles.

E também pela primeira vez, o povo americano, que adora armas, não mudou de posição, mas EXIGE (essa é a palavra certa) controles e restrições sobre os armamentos. E concorda inteiramente com os que perguntam: por que armamento pesado? Por que fuzis e armas automáticas? Por que andar armado nas ruas e nos carros? Sou contra toda e qualquer arma, admito um revólver em casa para circunstâncias ou eventualidades.

Já escrevi muito sobre isso. Sou contra armas individuais (cidadãos), coletivas (países), e respondendo a alguns que colocaram a questão: sou contra o voto obrigatório, raiz e origem de uma parte enorme da corrupção. E terminando: também sou contra o fabuloso e corrupto Fundo Partidário e o horário eleitoral “obrigatório”.

Partidos sem representatividade ou que “elegem” 14 ou 15 deputados e às vezes 1 senador, recebem fortunas. E negociam com os governos, estão sempre no Poder, ou em cargos da maior importância. Tudo isso precisa acabar. Mas só com profunda Reforma Partidária, quem jamais será feita. A não ser com Revolução ou Inovação.

TODOS OS PARTIDOS DEVERIAM
TER CANDIDATO A PRESIDENTE

Os partidos existem para quê? Para divulgar seus programas, planos e projetos que executarão assim que conquistarem o Poder, de forma direta e legítima. Para justificar e referendar o que estou propondo, basta um exemplo: o PMDB, o maior partido brasileiro, N-U-N-C-A concorre à Presidência, apoia candidatos alheios.

Por que essa esdrúxula e anti-republicana posição, que é uma convicção? Elementar. Se lançarem candidato próprio, “correm o risco de elegê-lo” e dentro da rotina do país, terão que distribuir os cargos que hoje recebem, ficarão sem nada para seus suntuosos e luxuosos líderes.

Sem disputarem ou elegerem o presidente da República, têm ministérios, autarquias, estatais, os melhores cargos nos mais diversos setores. E agora, já com a vice-presidência garantida, acumularão a presidência do Senado e da Câmara, protegidos pelo silêncio cúmplice da suposta “gerentona” e presumida “estrategista política”. Ficarão também com a liderança da Câmara (já têm a do Senado), natural, é do partido. Mas precisava ser para Eduardo Cunha?

A CONFUSÃO E O TUMULTO
DA VENEZUELA SEM CHÁVEZ

Era fartamente previsível o que está acontecendo. Com Chávez, todo o “Poder Bolivariano” era exercido por ele, sem interferência de ninguém. Não importa a fortuna do petróleo (a segunda do mundo), a pobreza só diminui por causa da imaginação e da publicidade controlada e desenfreada.

Portanto, era mais do que compreensível que sem Chávez não haveria coisa alguma, o governo desgovernou, a oposição que já não se opunha, não sabe o que fazer. Não quero nem discutir aspectos ou determinações constitucionais, isso terá que ser resolvido ou complicado com a presença física ou a ausência política do próprio Chávez.

Mas o país precisa existir, os 30 milhões de venezuelanos não podem viver no abandono. O Poder na Venezuela está completamente no incerto e desconhecido, ou seja, é o vazio total e absoluto, que só pode ser revertido pelo próprio Chávez. Mas de que maneira?

Colocaram no Poder não um vice-presidente, como alardearam, e sim um cidadão sem cargo algum, na Venezuela não existe vice. Maduro foi empossado (ou nomeado e indicado) no lugar pelo próprio Chávez em outubro até 10 de janeiro. Chávez devia ter imaginado (pelo menos isso) que operado nos decadentes hospitais de Cuba e com os melhores médicos cubanos na própria Venezuela, a quarta operação correria o risco de ser a última.

Pela própria decisão que apelidou Maduro de presidente, ele não pode nomear ninguém, praticar atos administrativos, executar qualquer coisa que pareça governar. Empossá-lo foi irresponsável e antidemocrático. Engessá-lo, burrice e incompetência. Maduro teria que romper esse círculo de alguma forma, mas não precisava ser imitando a mesma burrice da posse sem Poder.

Para se comunicar pelo menos externamente, Maduro tinha que ter um chanceler, cargo que já foi exercido por ele mesmo, antes de ser vice pelas mãos do próprio Chávez. Então decidiu escolher um cidadão que já foi vice. Mas o absurdo foi praticar um ato aparentemente “mediúnico”, afirmando que foi “por decisão escrita do próprio Chávez”, só que não exibiu nenhum documento, é impossível exibir o que não existe.

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PS – Nem estou contra a nomeação do chanceler, o que contesto é a farsa e o primarismo de apregoar que foi “ordem escrita” de Chávez.

PS2 – Sensatamente, Maduro poderia ter nomeado o chanceler, sem nenhuma explicação. Ninguém poderia contestar o ato ou o fato, além do mais ele é tão chavista quanto Maduro.

PS3 – Duas coisas poderiam acontecer. Chávez voltar, concordar ou não concordar com a nomeação. Chávez não voltar, e todos esses personagens da situação e da oposição ficarem enterrados (soterrados?) na mais completa insignificância.

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