Inconfidência paulista: Suplicy revela a explicação que Palocci deu à presidente Dilma e à bancada do PT sobre seu sucesso como “consultor”.

Carlos Newton

O assunto Palocci está esquentando cada vez mais, ao invés de ficar esquecido, como era objetivo do governo Lula Rousseff. O novo capítulo agora é fruto da inconfidência praticada pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que é uma pessoa de uma ingenuidade impressionante, mas também de uma honestidade e de uma sinceridade que verdadeiramente merecem louvor, em meio ao festival de mentiras, fraudes e falsidades que caracteriza o baixo nível da política nacional.

A inconfidência ocorreu quando Suplicy deu uma entrevista contando como Palocci operava a “Projeto Consultoria”, segundo relato que o próprio ministro-chefe da Casa Civil fez durante uma reunião de integrantes da bancada do PT com a presidente Dilma Rousseff.

Na reunião, foi Palocci quem se adiantou e pediu para fazer uma exposição sobre os negócios de sua empresa, nos anos de 2006 a 2010, quando seu patrimônio cresceu de forma exponencial e ele ganhou R$ 20 milhões somente no ano passado, sendo R$ 10 milhões quando coordenava a campanha eleitoral da candidata Dilma Rousseff, e mais R$ 10 millhões entre novembro e dezembro, quando já se sabia que integraria o Ministério.

Na reunião petista, sem citar nomes de clientes, o ministro disse que a Projeto tinha três áreas de atuação: palestras, consultoria econômica e assessoria de empresas em processos de fusão.

Segundo o relato de Suplicy, Palocci afirmou que, em relação a fusões, os contratos tinham taxa de sucesso. Ou seja, Palocci receberia mais dinheiro “se a fusão das empresas fosse referendada pelos órgãos de controle e se mostrasse um bom negócio”. O chefe da Casa Civil exemplificou, narrando que ganhou R$ 1 milhão para trabalhar como consultor de um processo de fusão de empresas, mas poderia ter recebido R$ 2 ou R$ 3 milhões. Como ele teve de fechar a área de consultoria da “Projeto”em dezembro do ano passado, o valor acabou ficando mais baixo.

O senador petista disse ainda que o ministro não revelou quais seriam as empresas envolvidas nesse processo de fusão. Também sem citar nomes de clientes, o ministro revelou valores cobrados por palestras. Segundo Suplicy, Palocci disse cobrar de R$ 10 mil a R$ 20 mil por palestra e alegou ter exercido essa atividade com frequência.

Suplicy fez esse relato aos jornalistas ingenuamente, julgando que Palocci merecesse ser defendido. Não reparou nem maliciou na “taxa de sucesso” referida por Palocci, que recebia mais dinheiro “se a fusão das empresas fosse referendada pelos órgãos de controle e se mostrasse um bom negócio”. Em outras palavras, Palocci admitiu claramente que tinha de fazer a fusão ser aprovada pelo governo, o que se chama “tráfico de influência”. E, diante da presidente da República e de parlamentares do PT, o chefe da Casa Civil ainda chegou a se queixar de que teria recebido menos do que pretendia.

E na reunião, ninguém lhe fez a menor crítica? A presidente Dilma Rousseff, com fama de ter sido tão severa no passado recente, não disse nada? Esse tipo de procedimento (tráfico de influência) passou a ser considerado normal? A Lei da Improbidade Administrativa foi revogada e ninguém nos disse nada?

Tudo em Palocci é falso e ardiloso. Suas explicações o comprometem ainda mais. Cobrar “taxa de sucesso” é muito diferente de fazer consultoria. A prestação de serviços de consultoria exige capacidade específica, conhecimento e domínio completo do setor em causa. Por exemplo, uma empresa de produção de alimentos industrializados deve se consultar com quem conheça profundamente o mercado produtor primário, os concorrentes dela e o mercado mundial importador. Em cada setor empresarial, repita-se, é necessário esse tipo de conhecimento específico, que Palocci não tem e nunca teve. O único conhecimento empresarial que ele tem é sobre limpeza urbana, quando era prefeito de Ribeirão Preto. Disso ele entendia mesmo.

Por fim, não houve tantas fusões de empresas no ano passado, e cobrando entre 10 mil e 20 mil por palestra, Palocci teria de “discursar” incessantemente, com aquela língua presa, para chegar aos R$ 20 milhões faturados pela “Projeto  Consultoria” em pleno ano eleitoral, quando ele parecia inteiramente dedicado à campanha, mas na verdade estava ganhando dinheiro por fora.

Os próprios petistas não aguentam mais, como o senador Walter Pinheiro e o governador Jaques Wagner, que cobram publicamente esclarecimentos definitivos do chefe da Casa Civil. Mas ele jamais explicará nada. Palocci é uma vergonha para o PT, para o governo e para a política brasileira.

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