Indefinição eleitoral não deve preocupar somente o mercado financeiro

Resultado de imagem para indefinição eleitoral charges

Charge do Cabalau (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Ana Paula Ragazzi, edição de ontem da Folha de São Paulo, destaca que a indefinição eleitoral está preocupando e aumentando o nervosismo do mercado. No caso, trata-se do mercado financeiro, uma vez que analistas de investimentos estão sugerindo aplicações em títulos púbicos pós-fixados para que não surjam riscos que acarretem desvalorização do dinheiro investido. A indefinição eleitoral, digo eu, deve preocupar tanto ao mercado financeiro quanto aos assalariados que formam a força de trabalho do Brasil.

A mão de obra ativa brasileira envolve diretamente 100 milhões de homens e mulheres, número que, incluindo-se o reflexo indireto, reúne mais ou menos 140 milhões de pessoas.  Tal número refere-se aos dependentes dos trabalhadores e funcionários públicos.

ASSALARIADOS – Portanto, a preocupação maior deve ser dos assalariados, não dos empresários que manipulam o valor das ações e canalizam os investimentos na economia. É natural a preocupação, mas ela tem um caráter geral, porque o processo econômico depende do nível de consumo e o consumo é gerado pelos que trabalham.

Uma coisa leva à outra. Será eternamente assim, como é assim em todos os países do mundo. O consumo está diretamente vinculado ao nível de renda e dessa forma observamos o funcionamento dinâmico dos valores econômicos e financeiros.

Os agentes do mercado, se fizerem um retrospecto vão encontrar exemplos contraditórios à sua tese relativa a desconfiança no futuro próximo.

CASO DE JÂNIO – No passado, por exemplo, o mercado apoiou maciçamente Jânio Quadros e o que aconteceu? Ele renunciou seis meses depois de assumir a presidência da República. Nesse intervalo a antiga SUMOC, que quatro anos depois seria transformada em Banco Central, baixou uma resolução, a de número 204, que duplicou o valor do dólar no país.

Com isso, o lucro financeiro foi enorme, pois, por uma coincidência numérica, o dólar, para nós, brasileiros, teve o valor duplicado de 100 para 200 cruzeiros. Com este fato os especuladores ganharam fortunas. Ninguém poderia prever uma decisão desse tipo. Como também pessoa alguma poderia prever que o presidente da República renunciasse.

CASO DE JK – Quando JK foi eleito em 1955, os setores ortodoxos do mundo financeiro acenderam um sinal de alerta. O que aconteceu? Exatamente o contrário do que tais setores supunham. O desenvolvimento econômico do país criou diretamente mais de 1.000 novas oportunidades para investir, e a expansão da economia refletiu-se em ganhos maiores do capital e também melhorou as condições de vida dos trabalhadores e funcionários públicos. O mercado, em seguida reformulou seus conceitos básicos. Afinal de contas surgia uma alvorada brasileira.

A indefinição é própria da política. Ninguém pode querer que meses antes de uma eleição já fosse possível identificar as correntes vitoriosas. Eleição se ganha na urna. Mesma coisa do que no futebol: ninguém vence na véspera.

Esperar é preciso. Aliás, é o que a nossa população enfrenta no passar de uma eleição para outra.

3 thoughts on “Indefinição eleitoral não deve preocupar somente o mercado financeiro

  1. O $istema é tão imoral, que mesmo ganhando nas ruas, só leva se o establishment bandido permitir, se não golpear o vencedor, via perfídias, aleivosias e acordões com bandidos do $istema podre. As eleições impostas pelo $istema podre não passam de farsas impostas pelo capital velhaco, dono da plutocracia putrefata fantasiada de democracia só para ludibriar a freguesia.

  2. ABRE CABEÇAS: Os analistas mais centrados estão denunciando a trama das cúpulas que controlam o PT no intuito de bloquear ascensão de Ciro Gomes. https://jornalggn.com.br/noticia/esquerda-precisa-se-unir-contra-alckmin-com-pt-superando-sentimento-anti-ciro-diz-maringoni#.W1YmUE5N2-0.facebook

    CONTRA FISIOLOGISMO: A pouca disposição do presidenciável Ciro Gomes em fazer balcão de negócios com cargos do futuro governo, como fizeram uns e fazem outros, dificulta a ampliação de alianças a favor do pedetista. http://agenciambrasil.com.br/2018/07/reviravolta-josue-diz-nao-a-alckmin-e-causa-terror-no-ninho-tucano-centrao

    DISPUTA NA ESQUERDA: “Nós sempre os apoiamos. Chegou a vez de eles nos apoiarem”, disse o presidente nacional do PDT Carlos Lupi na Convenção que lançou Ciro Gomes candidato da legenda brizolista à Presidência da República. https://oglobo.globo.com/brasil/pt-pdt-competem-pelo-comando-da-esquerda-ha-quase-40-anos-22908803

    • Pouca disposição do Ciro em fazer um balcão de negócios? Aceita o corruptíssimo PT, o Centrão, a esquerda da esquerda, aceitaria o MDB, até mesmo o PSDB e qualquer coisa que lhe trouxesse votos. Tanto que negociava com aqueles que agora estão com o Alckmin e só não levou porque tem a boca suja.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *