Indicação de João Paulo Cunha para presidir a Comissão de Constituição e Justiça mostra que o PT está sem comando. E o “presidente” José Eduardo Dutra é um fracasso.

Carlos Newton  

Inexplicável e injustificável o comportamento do PT, ao indicar o deputado João Paulo Cunha para a presidência da importantíssima Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). E nem se trata do fato de o parlamentar não ser formado em Direito. Ele é metalúrgico, e se um companheiro de profissão pôde chegar à Presidência da República e se sair bem, por que Cunha não deveria presidir uma simples Comissão da Câmara? No caso, porém, o problema é muito mais grave.

Cunha já foi até presidente da Câmara Federal e nao se saiu bem. Na época, era conhecido o fato de que ele se aproveitava indevidamente do cargo, usufruindo acintosamente das mordomias na mansão da presidência da Câmara no Lago Sul, promovendo seguidas festas e reuniões custeadas com recursos públicos.

Justamente quando se discutia esse comportamento inadequado na presidência da Câmara, Joao Paulo Cunha foi acusado de participação no escândalo do mensalão, ao se descobrir um saque em nome da sua esposa, Márcia Regina Milanésio Cunha, no valor de cinquenta mil reais no Banco Rural, que concentra o esquema da corrupção.

Foi comprovado que dois assessores do deputado e a sua esposa visitaram o Banco Rural no Brasília Shopping. Na ocasião, o deputado alegou à CPI dos Correios que sua mulher foi ao banco pagar uma prestação de TV a cabo. Mas a diretora financeira da SMPB (empresa do publicitário Marcos Valério), Simone Vasconcelos, disse em depoimento à Polícia Federal que João Paulo Cunha recebeu duzentos mil reais de ajuda do empresário.

Em seguida, documentos enviados pelo Banco Rural mostraram que a esposa de Paulo Cunha sacara mesmo os cinquenta mil reais. Marcos Valério saiu em defesa de Cunha e retificou a lista de Simone Vasconcelos, dizendo que o deputado recebera só cinquenta mil reais, porém não explicou onde foram parar os outros 150 mil reais.

Cunha foi absolvido por seus colegas na Câmara, que rejeitaram o pedido de abertura do processo de cassação do mandato, mas continua sendo réu no  Supremo Tribunal Federal  por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro.

O fato de o PT indicá-lo para presidir justamente a Comissão de Constituição e Justiça mostra algumas verdades: 1) O PT está sem comando, porque a indicação representa um erro estratégico. 2) O presidente do PT, José Eduardo Dutra, é um inútil, nao sabe nada de política. 3) A bancada do PT na Câmara é um deserto de homens e idéias (frase imortal de Oswaldo Aranha), porque nao teria ninguém melhor do que Cunha para ser indicado. 4) O deputado ser comprovadamente corrupto nao significa nada na política brasileira, que virou uma esculhambação.

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