Inevitabilidade do segundo turno

Carlos Chagas

Apesar de as pesquisas estarem servindo mais para confundir do que para esclarecer, uma previso pode ser tirada: haver segundo turno nas eleies presidenciais. claro que mudanas e reviravoltas acontecem, faltando trs meses para o pronunciamento popular, mas, por enquanto, Jos Serra e Dilma Rousseff esto condenados a enfrentar-se duas vezes. A deciso final do eleitorado, apenas entre os dois, exige desde j esforos suplementares por parte de tucanos e companheiros, bem como de seus afins.

Necessitam os respectivos comandos de campanha de munio extra para travar a batalha final. Nas trs vezes em que se disputou o segundo turno nas eleies presidenciais, s a primeira despertou dvidas quanto ao vencedor. Em 1989, em cima da hora o eleitorado precisou optar entre Fernando Collor e Luiz Incio da Silva, sem um favorito ostensivo. Ganhou Collor.

Depois, Fernando Henrique venceu no primeiro turno as duas vezes que disputou, em 1994 e 1998. J o Lula precisou enfrentar a segunda votao, uma contra Jos Serra, em 2002 e outra contra Geraldo Alckmin, em 2006. Mas era previamente considerado vencedor, nas duas. Apenas, faltaram-lhe pequenos percentuais para vencer de pronto.

Agora, pelo jeito, ser diferente. Pelas pesquisas atuais, Dilma e Serra chegaro ao segundo turno no olho mecnico. Sendo assim, necessitaro dispor de alternativas para a batalha final. Quais? Transformar a segunda votao num plebiscito entre o governo Lula e o passado governo Fernando Henrique, gostaria Dilma. Ou travar a batalha em torno da experincia e da capacidade administrativa, optaria Serra.

Mas precisar haver muito mais do que isso: o debate entre programas e promessas, uma discusso aprofundada a respeito das solues de cada um para os grandes problemas nacionais. Pode ser que a campanha atinja seus pontos mais altos. Ou no?

Depois, s em novembro

No dia 15, quinta-feira da prxima semana, fecham-se as portas do Congresso, para um recesso destinado a ultrapassar de muito os limites constitucionais. Porque em agosto, setembro e outubro s em perodos excepcionais podero ser encontrados deputados e senadores em Braslia. Empenhados nas campanhas eleitorais, a maioria buscando reeleger-se, todos de olho nas eleies presidenciais e para os governos dos estados.

No h como criticar os parlamentares. Estaro lutando pela prpria sobrevivncia poltica. Quer denominem o perodo de recesso remunerado ou apelem para o eufemismo dos esforos concentrados, a verdade que no poderia ser diferente.

Sendo assim, descontados os fins de semana que comeam as sextas-feiras e se estendem at as teras-feiras, teremos mesmo cinco dias de trabalho, de hoje at a debandada. D para votar alguma coisa de essencial? Parece que nem o pr-sal, ainda que esforos se faam nesse sentido. So coisas da democracia representativa. Pode ser que em novembro, j conhecidos os resultados do segundo turno das eleies, e na primeira quinzena de dezembro, o Congresso consiga apresentar alguns resultados.

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