Infelizmente a reforma eleitoral começa “fatiada”. Mas por sorte, a Comissão criada para acelerar e fazer valer a representatividade, será presidida pelo senador Dornelles.

Helio Fernandes

Muitos estão equivocados, confundem reforma eleitoral, política e partidária. Há dezenas de anos venho pregando o que tenho chamado de RENOVOLUÇÃO. E essa RENOVOLUÇÃO precisa começar pela urna, limpando o voto, garantindo a vontade do cidadão-contribuinte-eleitor.

Já confessei aqui, depois de ter relacionado (ainda no jornal impresso) 10 modificações que seriam imprescindíveis, a minha convicção: “Essa reforma não será executada de forma alguma, por causa do controle que as cúpulas exercem sobre os partidos”.

As lideranças que controlam as legendas tentaram começar com o que chamei de EXCRESCÊNCIA. Ou seja: a lista fechada, com o cidadão votando no partido que jamais existiu e elegendo personagens que foram colocados ali, com desconhecimento total do cidadão.

Agora, com a criação da Comissão que vai executar a primeira parte da reforma, grande satisfação: mesmo “fatiada”, será a melhor parte. Alguns já estão chamando de “distritão, distritinho”, por aí. Não será nada disso. Acontecerá APENAS o fim da eleição minoritária, a implantação do voto majoritário para deputado, federal ou estadual.

Vou dar o exemplo do Estado do Rio, cada um, querendo ou não querendo, repita o exemplo do seu estado, pois a reforma será nacional. O Estado do Rio tem direito a 46 deputados federais e a 70 estaduais.

Portanto, serão deputados federais os 46 mais votados, sejam de que partidos forem. E os 70 estaduais que tiverem a maior votação, também serão os representantes escolhidos. Acabará o que chama vergonhosamente de “quociente eleitoral”, uma farsa que vem sendo mantida em regimes democráticos ou ditaduras.

Muitos candidatos foram usurpados até mais de uma vez. O advogado Marcelo Cerqueira (que foi até presidente do IAB, presidido por Rui Barbosa), candidato a deputado, duas vezes. Na primeira, teve mais de 150 mil votos, não se elegeu. Na segunda, perto de 120 mil, perdeu para quem teve 10 ou 20 mil, por causa do famigerado “quociente eleitoral”. Lindberg Farias não se elegeu com mais de 100 mil votos, foi prefeito, agora é senador, com votação própria e não sujeita ao “quociente”.

E como sei que o senador Dornelles é a favor desse voto pessoal e representativo? Porque há mais de 10 anos conversamos sobre a questão, eu e ele, igualmente revoltados com esse voto proporcional e rigorosamente não democrático. Dornelles, além do mais, tem história singular, que poucos podem igualar.

Deputado de 5 mandatos (seguidos), ministro três vezes com presidentes diferentes. E senador numa eleição em que se disputava apenas uma vaga (2006). Votará e encaminhará a Comissão para o que considera o grande interesse da coletividade.

*** 

PS – Dessa forma, se preparem e votarão naquele que você conhece e aprova para federal e estadual. Deve ser o início de uma campanha que precisa ter um ponto de partida, é esse.

PS2 – Há muita coisa a fazer, mas será necessário vontade inimaginável para vencer interesses colossais. Quando à tão falada reforma para o FINANCIAMENTO PÚBLICO DA CAMPANHA, o Brasil não está preparado para isso. Assim como está, a roubalheira será menor. Parece surpreendente?

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