Inflação alta de produtos alimentícios ameaça famílias mais carentes, devido ao desemprego

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Charge do Felipe Coutinho (Arquivo Google)

Roberto Rodrigues
Estadão

Desde 2005, por iniciativa da ONU, está em vigor no mundo todo o ESG, termo que qualifica o trabalho de empresas e instituições quanto ao seu compromisso com as questões ambientais, sociais e de governança.

No Brasil, após tragédias ambientais como a da barragem de Brumadinho/MG ou o derramamento de óleo em praias do Nordeste, o tema chamou a atenção das empresas.

SELO DE QUALIDADE – A pandemia do coronavírus acentuou a preocupação com ESG, que pode ser uma espécie de selo de qualidade para a empresa. A análise de resultados das ações relacionadas ao meio ambiente, a preocupação com o social e com a governança pode determinar como a empresa se posiciona em relação à sociedade e ao planeta, e isso oferece maior transparência ao investidor eventual.

Estudo recente da Associação Brasileira de Private Equity e Ventura Capital (ABVCAP) mostra que apenas 10% a 15% das empresas brasileiras entenderam a relevância do assunto e aderiram às boas práticas nos três eixos. Na Europa e na Oceania, este índice passaria de 50%.

Por outro lado, alguns fundos de investimentos mundiais já informam que não trabalharão com empresas que não sejam reconhecidas como sustentáveis.

MELHORES COTAÇÕES – Aliás, trabalho da Ágora Investimentos, divulgado em agosto passado, mostrou que as empresas brasileiras alinhadas com o ESG tiveram suas ações mais bem avaliadas que a média do Ibovespa.

Nossas empresas do agronegócio estão atentas para essa realidade e muitos conselhos de administração exigem dos executivos maiores compromissos com o ESG.

Enquanto isso avança na gestão empresarial do agro, um fato grave acontece no Brasil. Estamos vivendo uma inflação de alimentos, com preços absolutamente fora das médias históricas para produtos como soja, milho e carnes, entre outros. E essa inflação acontece em um ano de grande produção agrícola, agora infelizmente prejudicada por forte seca nas regiões de milho de segunda safra, cuja quebra de produção será muito pesada, com perdas significativas para os agricultores. Isso vai encarecer ainda mais o preço desse cereal fundamental para a obtenção de proteína animal.

NUM MOMENTO RUIM – Ora, a inflação de alimentos coincide com a trágica pandemia que, além de tirar a vida de mais de 400 mil brasileiros, enlutando milhares de famílias, levou à bancarrota uma impressionante quantidade de empresas de todos os setores econômicos, gerando desemprego para quase 15 milhões de pessoas.

O cenário assim desenhado é tenebroso: tanta gente sem emprego e sem renda se deparando com preços inflacionados dos alimentos. E ninguém tem culpa disso: a preocupação com segurança alimentar levou países grandes a aumentarem suas importações de comida. Os estoques diminuíram muito e os preços subiram em dólares para números inimagináveis há um ano. E, por fim, o dólar valorizado aumenta os preços em reais internamente. Trata-se da irrevogável lei da oferta e da procura.

AO MAIOR FLAGELO – Mas o fato concreto é que o desemprego com inflação alimentar pode nos levar ao maior flagelo que uma sociedade pode enfrentar: a fome.

E nenhuma empresa pode se orgulhar de ter excelente ESG se não se empenhar de verdade no combate à fome (o S do trio), sem preocupação com “aparecer” perante a sociedade.

Várias empresas e instituições estão se mobilizando para ajudar nessa missão, com destaque para as cooperativas agropecuárias. Mas não bastam ações isoladas, por mais úteis que sejam.

GRANDE MOVIMENTO – Passa já da hora de um grande movimento coordenado entre empresas das diferentes cadeias produtivas do agronegócio e suas instituições para, em conjunto e talvez com apoio do Ministério da Agricultura (porque o governo tem os cadastros dos mais necessitados), fazerem a maior distribuição de cestas básicas do mundo. Um verdadeiro tsunami de alimentos para a população faminta. É imperioso esse trabalho. Na atualidade, duas questões são fundamentais para a estabilidade social e política das nações: segurança alimentar e sustentabilidade. Ambas passam pelo agro.

Mãos à obra!

5 thoughts on “Inflação alta de produtos alimentícios ameaça famílias mais carentes, devido ao desemprego

  1. Agronegócio é para exportação. Quem abastece o mercado nacional são os pequenos produtores familiares. Esses necessitam de mais incentivos, pois além dos alimentos que consumimos, a agricultura familiar é a área que gera mais empregos no campo.

  2. Um jornalista que trabalhe no Estadão não pode ser assim tão ingênuo ou ter as suas ideias no mundo da lua!

    Roberto Rodrigues, autor deste artigo em tela, certamente não se deu conta da bobagem que escreveu, e a revisão do jornal deixou passar um texto ridículo!

    Vejamos:
    “Passa já da hora de um grande movimento coordenado entre empresas das diferentes cadeias produtivas do agronegócio e suas instituições para, em conjunto e talvez com apoio do Ministério da Agricultura (porque o governo tem os cadastros dos mais necessitados), fazerem a maior distribuição de cestas básicas do mundo. Um verdadeiro tsunami de alimentos para a população faminta. É imperioso esse trabalho. Na atualidade, duas questões são fundamentais para a estabilidade social e política das nações: segurança alimentar e sustentabilidade. Ambas passam pelo agro.

    Mãos à obra!”

    Maior distribuição de cestas básicas do mundo (sic) … POR QUANTO TEMPO???!!!

    Um dia?
    Uma semana?
    Um mês?
    Um ano?
    Vitalícia?

    Que absurdo um profissional postar essa convocação estapafúrdia, insensata e até mesmo abominável!

    E a varinha?
    Aquela de se pescar, onde fica?

    Inacreditável!
    Caridade com doações alheias …
    Tá, se, pelo menos, ela iniciasse com o Estadão … mas o poderoso veículo de comunicação apenas querendo que os outros coloquem o dendo em suas moleiras, a ideia é digna de pena pela sua irrealização absoluta!

    Quem deve providenciar alimentos para o povo É O GOVERNO!
    Aliás, já vem fazendo esta operação há tempos, através do Bolsa Família.
    Entretanto, o resultado é pífio, haja vista não surtir o efeito esperado para os beneficiários, porém acalenta o remorso do Executivo na sua incompetência e insensibilidade com a miséria e a pobreza.

    A campanha que o Estadão e demais empresas sugeridas pelo articulista deveria ser colocada em prática, diz respeito à abertura de postos de trabalho, e não apenas dar o peixe sem que se ensinasse como pescá-lo, então a necessidade da varinha.

    De que adianta a campanha mencionada, se seria por apenas um dia?
    Que fosse por uma semana, mas e depois??

    O povo quer e precisa trabalhar!
    O desempregado quer um serviço.
    O pobre e o miserável querem fazer algo que consigam uns trocados, pois não aguentam mais buscar nas latas de lixo o alimento do dia!

    Cabe ao governo abrir postos de trabalho, contratando essas milhões de pessoas carentes, desvalidas, e proporcionar-lhes o retorno de suas dignidades, utilidades para si mesmos e à sociedade, a autoestima perdida.

    Chega de aumentarmos por falta de competência e criatividade o número de párias no Brasil ou condená-los a esta condição perpetuamente!
    Ora, mil vezes ser preso, pois lá terão alimentos todo o dia, que catá-los em lixões ou em sacos de lixo!!

    Quantos bilhões são gastos por ano com o Bolsa Família, o projeto social mais falso e enganador já elaborado no mundo??!!
    Desde quando que dar esmolas é projeto social??
    Desde quando que uma pessoa estar fadada a viver esperando pelo alimento tão somente, pode ser taxado como projeto social??!!

    E Roberto Rodrigues ainda vem com essa, de as empresas do agronegócio se reunirem para distribuir mais cestas básicas??!!
    Dê-lhe arroz, feijão, sal, macarrão, um pacote de biscoitos … e querem se orgulhar alardeando que estão dando de comer a quem tem fome??!!

    E roupas?
    Calçados?
    Remédios?
    Escola?
    A pessoa buscar pelo seu sustento e crescer através do seu trabalho?
    Tais necessidades não existem para os que recebem cestas básicas, donativos e o Bolsa Família??

    Não acredito que as mentes de pessoas que estudaram, que são cultas, profissionais liberais, jornalistas, economistas, que se aperfeiçoaram frequentando cursos no exterior não conseguem ver o que está escancarado às suas frentes??!!

    Que não é apenas o alimento que vai satisfazer um ser humano, mas o seu trabalho, a sua utilidade, mão de obra, criatividade …

    O que o governo está fazendo com as pessoas é cruel demais, sádico demais, torturante demais!!!
    E ainda vem um jornalista para aumentar com a sua ideia maluca, mais ainda o ser humano desta Nação viver só para ter alimento e, escasso, na sua vida ??!!

    Bah, mas iniciar um domingo lendo esse disparate … pelo amor de Deus!

  3. A maior distribuição de cestas básicas do mundo, como deseja o articulista, seria o suprassumo do contraditório:
    enquanto os doadores se sentiriam orgulhosos pelo resto de suas vidas pela bondade realizada, o brasileiro “aquinhoado” pela doação teria alimento por … 24 horas!!!

    Che, mas eu me lembro daquela propaganda sobre dividir delicados.
    O esperto irmão ficava com dois e dava um para o outro.
    O final era:
    como é bom dividir delicados com você.

    Empresários, agricultores, pecuaristas, lavoureiros, doariam uma bilionésima parte do que possuem para o esfaimado, e viveriam felizes o resto de seus dias.

    O governo ainda iria dar um jeito de cobrar impostos dessas doações, evidente, até porque jamais poderão faltar lagosta e caviar, vinhos e champanhes, para as castas do Judiciário e Legislativo!!!

    Que País mais insano está ficando o Brasil???!!!

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