Inflação derruba as vendas do varejo, inclusive as dos supermercados

Charge do JOta A. (portalodia.com)

Pedro do Coutto

O IBGE anunciou na última quinta-feira que no período de janeiro a setembro deste ano, as vendas do varejo recuaram em função da alta de preços e do desemprego, fatores aos quais acrescento o congelamento de salários. O problema a cada dia ganha mais aspectos preocupantes, sobretudo porque a retração envolve diretamente o consumo de alimentos. Carolina Nalin, O Globo, focaliza e destaca o tema. Na Folha de S. Paulo escreveu Leonardo Vieceli e, no Estado de S. Paulo, Daniela Amorim. Edições de ontem, sexta-feira.

O recuo das vendas no comércio foram reveladas pela pesquisa mensal do IBGE que assinalou que a retração em setembro foi a maior desde o ano 2000. Está existindo uma dificuldade para o varejo, reflexo também em consequência do cenário macroeconômico do país.

RECUO – Os juros altos são mais uma face desse cenário. Somente o setor farmacêutico não registrou queda em setembro. Mas os hipermercados e supermercados recuaram 1,5% no mês de setembro. Estava claro que o fenômeno se verificaria, uma vez que o poder aquisitivo está sendo pressionado para baixo e a capacidade de endividamento, na minha opinião, encontra-se próxima do limite máximo.

Os juros sobre débitos acumulados nos cartões de crédito são impossíveis de serem pagos. Tudo isso acaba limitando o consumo. As famílias têm comprado cada vez menos, acentua o pesquisador do IBGE, Cristiano Santos. O impasse social assim se agrava.

COMBUSTÍVEIS –  Matéria de Denise Paro, da Folha de S. Paulo, revela que o preço da gasolina na Argentina, fronteira com o Brasil em Iguaçu, é 50% mais barato do que a que é vendida em nosso país. Alguma explicação tem que ter, sobretudo porque a produção brasileira de petróleo passa de dois milhões de barris por dia, enquanto a produção da Argentina é de 580 mil barris.

Além disso, o mercado de consumo brasileiro tem que ser muito maior, já que a população é de cinco vezes a população argentina. Na fronteira, postos argentinos estão limitando a venda de gasolina aos brasileiros porque a procura é de tal ordem que há o risco de faltar combustível para os automóveis daquele país. O problema, entretanto, sob o ângulo brasileiro, não é esse, mas sim de qual a razão dos preços atingirem patamares muito mais altos e estarem sendo reajustados em intervalos praticamente semanais. Os reajustes frequentes proporcionam grande satisfação aos postos distribuidores porque eles acrescentam lucros em função da tancagem.

A explicação é muito simples. Os tanques dos postos revendedores nunca ficam zerados.Eles sempre acumulam parcelas não vendidas do dia anterior. Assim, quando os preços sobem numa sexta-feira, os postos reajustam o combustível com base na elevação das últimas 24 horas. Entretanto, os preços reajustados abrangem aquisições que se encontram na tancagem feitas a preços mais baixos. Enfim, para os postos, o ideal é que a gasolina e o diesel sejam reajustados todos os dias.

FISCALIZAÇÃO –  Fábio Pupo e Marianna Holanda, Folha de S. Paulo de ontem, publicam reportagem focalizando as controvérsias surgidas na área trabalhista pelo decreto do presidente Jair Bolsonaro. Esse decreto determina que as fiscalizações sobre as condições de emprego é exclusiva dos auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Previdência.

Procuradores do Ministério Público do Trabalho reagiram contrariamente, uma vez que o decreto os exclui dessa atividade essencial ao cumprimento da legislação, fundamental para o combate ao ambiente de trabalho e à semiescravidão que se verifica em vários setores da economia.

ORÇAMENTO SECRETO – Reportagem de Mariana Muniz, O Globo, assinalou ontem que os ministros do Supremo Tribunal Federal estão aguardando providências da Câmara dos Deputados e também do Senado sobre o destino das verbas do orçamento secreto, que foi considerado inconstitucional pela Corte.

A votação terminou oito a dois, votos contrários de Nunes Marques, que vota sempre a favor do governo Bolsonaro, e Gilmar Mendes. Aliás, na minha impressão, o voto de Gilmar Mendes poderia ser considerado pela metade, já que ele reconheceu a inconstitucionalidade da parte orçamentária oculta, defendendo entretanto a distribuição das verbas até o momento. Poder-se-ia assim conferir a votação de oito e meio contra um e meio.

Mas a questão agora desloca-se para a informação sobre as parcelas recebidas pelos deputados que votaram a favor da emenda dos precatórios. O total do orçamento secreto já apareceu: R$ 16,8 bilhões. Até agora, já foram empenhados R$ 9 bilhões, mas falta a margem das quantias entregues concretamente aos beneficiários e o destino que os beneficiários deram a esses recursos. Além disso, deverá ser julgada pelo Tribunal a legitimidade da votação da emenda em segundo turno, já que a existência do ilícito já foi confirmada na prática.

8 thoughts on “Inflação derruba as vendas do varejo, inclusive as dos supermercados

  1. A Internet deu asas para os boçais e semianalfabetos.
    J.R, por que não te calas? Aposto, que nem mesmo seus familiares, acreditam em seus argumentos tão profundo, quanto toda água depositada em um pires. Vá se consolar com teu cachorro cara, quem sabe, com teu gato.

  2. As pesquisas confirmam o que tenho observado nos Supermercados. Antes do governo Bolsonaro, viviam lotados , com filas quilométricas nos Caixas.
    Com essa inflação galopante, juros nas alturas, desemprego e gasolina subindo toda semana, sem que Bolsonaro faça nada, que não seja reclamar da Petrobrás. O presidente bem que tentou, demitindo com estardalhaço o ex- presidente da petroleira, Roberto Castelo Branco. Colocou lá, um general, chamado Luna e os aumentos estão sendo ainda maiores, mas, Bolsonaro não quer demitir o general, pois descobriu que não vai adiantar nada. Se privatizar a maior empresa brasileira, como FHC fez com a Vale do Rio Doce, será ainda pior e ele caso eleito, não poderá mais intervir, demitindo o presidente. Sua caneta BIC não servirá para nada.
    Uma mega rede de Supermercado anunciou uma promoção de aniversário, neste mês. Quando abriu as portas, pela primeira vez, tiveram uma surpresa: Foi um dia normal, sem atropelos e corrida as compras.
    É o retrato do governo Bolsonaro. Capitalismo em crise. A política econômica, comandada por Paulo Guedes é um desastre.
    Que tal, mudar para um socialismo democrático, copiando o modelo chinês, mas, sem ditadura? Sejam criativos e parem de fazer o mais do mesmo, provocando a infelicidade do povo.

  3. Os brasileiros, desesperados com a alta no preço dos combustíveis, além de invadirem a Argentina através do município das Missões para encherem o tanque por módicos (3)três reais, enquanto aqui já está por (8) oito reais, foram surpreendidos pelos hermanos, com um racionamento radical. Agora tem uma cota diária de 15 litros, porque além de acabar a gasolina nos postos, o combustível na Argentina é subsidiado pelo governo.
    Os espertos brasileiros estão partindo agora para o Paraguai, para encherem seus tanques baratinho em Foz do Iguaçu, atravessando a Ponte da Amizade e também em Pedro Juan Cabaleiro divisa com Ponta Porã.
    Quanta humilhação, os brasileiros são obrigados a passar, com essa incompetente política econômica do governo
    Bolsonaro, comandada pelo ministro Paulo Guedes. A Escola de Chicago tá ensinando muito mal, os seus economistas, que me desculpem, os denominados Chicago Boys. Nada dá certo para eles.
    Vou pedir para você voltar, Pedro Malan e os formuladores do Plano Real, porque tudo está indo pelo ralo, inclusive nossa moeda. E nós, junto.

  4. Muito oportuna essa reportagem dos jornalistas Fábio Pupo e Marianna Holanda, Folha de S. Paulo de ontem, explicitando mais um ataque do Governo Bolsonaro aos direitos dos trabalhadores, limitando a atuação dos Procuradores do Ministério do Trabalho, através de Decreto.
    É um absurdo inominável dar exclusividade para atuar nas fiscalizações sobre as condições de emprego aos Auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Previdência.

    Os Procuradores do Ministério Público do Trabalho, vão fazer o que? E os trabalhadores não poderão recorrer a esses profissionais competentes, quando sofrerem ataques do mau empresário, no descumprimento da legislação trabalhista.
    Está parecendo, que é uma ação orquestrada, destinada a eliminar toda a espécie de fiscalização que incomode os setores produtivos e o governo.
    Foram flexibilizadas as fiscalizações do Meio Ambiente, da Receita e agora do Ministério Público do Trabalho. Os trabalhadores ficarão desprotegidos, se já não bastasse o desemprego e o congelamento de salários.
    Nessa mesma vibe/ toada, li estarrecido, matéria do jornalista Weslley Galzo, no Estadão de ontem, no qual, o Procurador Geral, Augusto Aras, entrou com ação no STF com pedido para limitar os poderes das Defensorias Públicas no exercício de garantir acesso a Justiça aos mais pobres, retirando dos Defensores a prerrogativa de requisitarem das autoridades públicas e agentes do Estado documentos que julgarem úteis para comporem os processos, como certidões, perícias, exames, diligências, etc…
    O argumento utilizado é de uma fragilidade solar, quando o PGR alega quebra do princípio da Isonomia com os advogados.
    Nesse particular, então, trata-se de um tiro no pé, porque o mesmo argumento pode ser utilizado para os membros do Ministério Público que têm essas mesmas prerrogativas e outras acessórias. Os Procuradores tem a prerrogativa da Ação Penal e os advogados diante do Ministério Público estão em profunda desvantagem.
    Vê-se, cristalinamente, nessa ação da PGR, mais uma tentativa de golpeamento da classe trabalhadora.
    Felizmente, o Relator da Ação do PGR, Ministro Edson Fackin votou ontem para rechaçar o pedido de Aras.
    Não tem cabimento, o prosseguimento dessa ação da PGR.

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