Inflação não recua e o índice de maio se adiciona ao acumulado que a antecedeu

Charge do Gilmar Fraga (gauchazh.clicrbs.com.br)

Pedro do Coutto

Reportagens de Alce Cravo, Daniel Gullino, Fernanda Trisotto, Carolina Nalin e João Sorima Neto, O Globo desta sexta-feira, e de César Feitosa e Natalia Garcia, Folha de S. Paulo, destacam os apelos intensos feitos pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro Paulo Guedes para que os supermercados do país segurem os preços o máximo possível como forma de ajudar no combate à inflação

Guedes e Bolsonaro referiam-se ao IPCA de 11,7% assinalado pelo IBGE para o período de maio de 2021 a maio de 2022. A meu ver, os técnicos do IBGE tiveram que desenvolver um longo trabalho para concluírem que o índice inflacionário de maio foi de apenas 0,47%. Tal esforço deu margem a que aparentemente o processo da inflação tivesse recuado de 12% de abril de 2021 a abril de 2022 para 11,7% de maio de 2021 a maio de 2022. Uma ideia falsa.

ACUMULADO – O fato concreto é que o índice de maio de 0,47%, como qualquer índice inflacionário mensal, se adiciona ao montante que antecedeu tal índice. Então, temos como exemplo: alguém deve R$ 100 mil a um banco, com juros de 2% ao mês. Não pagando em 30 dias ele passa a dever R$ 102 mil reais. Os juros se acrescentam ao total acumulado da dívida. A inflação segue o mesmo processo.

Desta forma o 0,47% registrado em maio se acrescenta e não substitui os juros acumulados de 12% de 2021 a 2022. O montante continua a ser acumulado por parcelas mensais sucessivas.

APELO –  Esta é a razão (a de que a inflação se acumula) que levou o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes, agora disposto a atuar na campanha eleitoral, a dirigir um apelo aos supermercados para que controlem os preços tomando por base a inflação do IBGE. A diferença é de 0,27%, mas poderia ter um aspecto psicológico se resultasse num ato concreto.

Sabemos que não adiantará nada. Os supermercados continuam mantendo os preços altos e como estratégica reduzem os preços de alguns poucos produtos. O IBGE constitui sua pesquisa sobre o custo de vida com base nos preços mínimos. Mas os contribuintes de forma geral, só o poderiam fazê-lo percorrendo vários mercados diariamente.

BIDEN E BOLSONARO –  Manchete principal da edição de ontem da Folha de S. Paulo, reportagem de Rafael Balago, focaliza o aspecto fundamental do encontro na noite de quinta-feira entre os presidentes Jair Bolsonaro e Joe Biden. No encontro foram tratados vários temas, destacando-se o Meio Ambiente, em relação ao qual Bolsonaro apresentou o Brasil numa posição excepcional.

Bolsonaro afirmou também que quando sair do governo será de forma democrática. Acentua a matéria, que o encontro foi o primeiro dos dois chefes de Estado pouco depois do início da Cúpula das Américas que está sendo realizada em Los Angeles. Bolsonaro disse que mantinha um relacionamento cordial com Donald Trump, mas que agora o presidente dos Estados Unidos é Biden, e o assunto está encerrado.

“Cheguei ao poder pela democracia e tenho certeza de que quando deixar o governo também será de forma democrática”, afirmou. Essa afirmação diante do quadro político brasileiro foi de extrema importância, pois se reveste no fundo da questão de um compromisso assumido internacionalmente.

MDB E PSDB –  O acordo que está sendo tentado entre o MDB e o PSDB em torno da candidatura de Simone Tebet não resultará em coisa alguma, na minha opinião. Existe o problema dos governadores, das alianças estaduais não previstas pelas duas direções partidárias.

O deputado Alexandre Farah, meu amigo, disse estar informado que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fará um pronunciamento dentro em breve sobre o posicionamento dos tucanos na sucessão de outubro.

ATAQUES –  Quem assistiu ao programa Em pauta da GloboNews e o Jornal Nacional da TV Globo na noite de quinta-feira, ficou surpreso com o ataque do ministro Paulo Guedes aos governadores.

Disse que eles são beneficiados pela política econômica federal e conseguiram manter em caixa R$ 160 milhões, e que, portanto, podem destinar um terço da importância para o equilíbrio das contas da administração Jair Bolsonaro.

9 thoughts on “Inflação não recua e o índice de maio se adiciona ao acumulado que a antecedeu

  1. Biden deve ter deixado claro à Bolsonaro que o vexame que a OEA passou declarando fraude na Bolívia não se repetirá.
    O bom cabrito não berra!

    • Nada!
      O Bozo acha que o Biden vai salva-lo quando na verdade o Bozo terá o mesmo fim da tal Jeanine boliviana.

      Aliás, a Jeanine foi condenada porque assim o departamento de estado norte-americano quis.

      O Bozo está ferrado! Será cadeia!

    • E o que adianta tudo isso?!

      A entrega das nossas estatais estratégicas, como a Eletrobras, vai voltar a encarecer tudo.

      Os globalistas agora administrando a Eletrobras vai de forma proposital encarecer serviços para sabotar e acabar com o agronegócio e a indústria brasileira para que elas não possam mais concorrer com o Titio Sam e União Europeia.

      Viu o que dá idolatrar privatista?!

        • Com corrupção, privatizar ou não , não faz a menor diferença. Hoje as estatais são usadas como moeda de troca para apoio no governo alem de financiar o caixa dois de muita gente. Qual o benefício de privatizar ou não se nos sempre tomamos no olho da goiaba ? Antes de falar em privatizar, tem que combater a corrupção.

  2. Abrólhos!
    Primeiro de tudo, um Estado não é uma posto, uma posição, um sultão, um rei ou um khan. Um Estado é mente e coração. Mente e coração limpos são o que formam um corpo humano e o que faz um Estado são as qualidades de seu povo. Quanto mais qualidades o povo tiver, melhor será o Estado. Por isso é preciso manter o povo vivo, para o Estado poder viver. Pessoas corajosas e de qualidade, fazem nações poderosas. Entre elas bons acadêmicos.
    Fala de In Arabi, na série Resurrection Ertugrul. Como se vê, estamos falando da terra de Aladin e a prescrutadora e iluminadora “lâmpada maravilhosa”, cujos raios, ainda não nos alcançaram!

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