Informação a Armínio Fraga: Propostas existem, o que falta é cobrar a execução

Charge do Cazo (humorpolitico.com.br)

Pedro do Coutto

No excelente artigo publicado na edição deste domingo na Folha de S. Paulo, o ex-presidente do Banco Central e sócio fundador da Gávea Investimento, Armínio Fraga, cobrou dos candidatos à Presidência da República as propostas que eles têm em mente para o Brasil, abrangendo o crescimento econômico e social do país, e, inevitavelmente, a questão do emprego.

A cobrança de propostas é essencial, uma colocação oportuna. Mas no fundo da questão, é preciso destacar que quando alguém é eleito quase sempre esquece os seus projetos de campanha, assumindo posições conservadoras.

PROMESSAS – Todos os candidatos falam em programas para a Saúde, Segurança Pública, pleno emprego, moradia e transportes urbanos aceitáveis. Mas quando chegam ao poder não fazem nada disso e os problemas se eternizam. Vejam, por exemplo, a situação das favelas do Rio de Janeiro.

Diariamente os jornais focalizam o panorama da segurança e do transporte urbano do Rio. Como é possível que o quadro permaneça o mesmo, e até em decadência muitas das vezes, atravessando décadas?  Isso, fora a questão da redistribuição de renda. Até o IBGE já reconheceu a queda de 11% da renda média do brasileiro, na passagem de 2021 em relação a 2020.

Lembro de uma frase de Getúlio Vargas em 1945 que reflete o impasse que se eterniza entre a campanha e o exercício da Presidência da República.

CANDIDATO E ELEITO – “Trabalhadores (linguagem da época), o general Dutra merece os vossos votos. Estamos em sua campanha, apoiaremos o seu governo, sempre que o presidente cumprir as promessas do candidato”. Em 1945 eu tinha apenas 11 anos, mas nunca esqueci a frase. Uma coisa é o que diz o candidato, outra é o que diz a pessoa eleita.

Um ponto que Armínio Fraga tocou é o reforço da democracia. Isso é fundamental. Existe a necessidade da união entre os partidos, já que o projeto do atual presidente da República não é democratico. Ele se afastou do caminho das urnas e se aproximou da rota das armas, pois para se chegar ao poder só existem dois caminhos, as urnas ou as armas.

SEM EXECUÇÃO –  Enfim, existem projetos, mas não há execução que se reverta de forma prática e verdadeira em prol da população. Guedes, por exemplo, pode ter centenas de projetos preparados e apresentados, mas que no plano concreto não saem do papel e de nada adiantam. É preciso não só bater o bolo, mas dividir as fatias de forma mais igualitária e menos concentrada.

Verifica-se que as políticas assistencialistas, como é o caso do Auxilio Brasil, não asseguram a  redistribuição de renda. Isso seria a passagem do capital para o trabalho. Essa é a verdade que não adianta ser colorida por ideias abstratas. É preciso que os governos tenham em mente o caráter substantivo de suas políticas. O problema não é de forma, mas de conteúdo.

ARMADILHAS – Extraordinária e oportuna a extensa reportagem de Luciana Casemiro e Taís Codeco, O Globo de ontem, e que coloca em destaque as armadilhas publicitárias veiculadas nas redes sociais, nos jornais e nas emissoras de televisão com belas fotos e propostas de promoção.

Consumidores se queixam de ofertas enganosas e golpes aplicados por perfis falsos que se multiplicam nas redes da internet. São propagandas que oferecem, por exemplo, créditos a juros, fazendo acreditar que são os mais baixos, além da oferta de empréstimos com condições especiais, mas que na prática não são verdadeiras.

TENDÊNCIA – Nos jornais e nas emissoras de televisão são em menor proporção do que nas redes sociais, mas estão citados vários exemplos na reportagem. Parece uma tendência brasileira a distância que separa a proposta da promessa e a sua realização na prática.

O Procon de São Paulo está agindo para responsabilizar as redes sociais que veiculam anúncios desse tipo. O grupo BZ é um dos investigados pela colocação de venda de imóveis em Búzios, no Rio de Janeiro. Aguardemos as repercussões após a reportagem.

 

7 thoughts on “Informação a Armínio Fraga: Propostas existem, o que falta é cobrar a execução

    • A quem interessa isso senão apenas à sua própria trupe continuísta da mesmice. Apenas mais um camaleão dos me$mo$, que já confessou que não tem nada a ver com a nova política, e que a sua praia é mesmo a velha política na qual tem experiência disso, daquilo, etc. e tal. E por velha política, entenda-se “Massa Falida” e “Espinheira Danada” (Duduca e Dalvan),Vale dizer, mais um candidato a síndico da massa falida e da espinheira danada que o povo atravessa pra sobreviver. Desafia os seus pares para o debate público, mas foge do debate com o Leão, sobre o que pelo Brasil, doravante, igual o diabo foge da cruz. Portando, esqueçam essa terceira via que, infelizmente, tb já foi entupida pelo continuísmo da mesmice dos me$mo$. A onda gigante agora, a ser agitada, é a Nova Via Extraordinária, revolucionária (que ele$ não têm como copiar), contra o continuísmo das velhas via$, ordinárias dos me$mo$, 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª… vias.

  1. Foi citado o problema das favelas.
    Problema gravíssimo.
    A culpa é dos prefeitos e vereadores.
    A solução tb só vira através de ações efetivas das prefeituras.
    Começando pela regularização dos pequenos lotes e suas precárias construções. A titulação é o primeiro passo sem o qual a favela é uma terra de ninguém onde vale tudo.
    A favela é um gueto onde as leis não existem e os próprios moradores “sem querer querendo” aceitam está condição porque sabem que estão ocupando um espaço que foi fruto de invasão no passado.
    Sem titulação a favela sempre será uma terra de ninguém.

    • Ronaldo
      Identificas os dois principais problemas: administração pública e administração do crime!
      Por onde começar e como?
      Eu tenho uma proposta, faz duas décadas. Mas quem se interessa! (…CN)
      Fallavena

  2. O fato é que todo mundo está a fim de uma boa omelete, de preferência acompanhada de um belo prato feito, mas o problema é que, exceto a Revolução Pacífica do Leão, ninguém está a fim de quebrar os ovos. E daí segue o enterro da dita-cuja “massa falida”, com os seus síndicos e as suas eternas promessas vazias, cujo continuísmo, a ignorância e a tolice amam de paixão, ao que parece, a julgar pelas pesquisas dos eternos continuístas da mesmice, que não deixam brotar nada de novo de verdade, bom e alvissareiro, na política do Brasil.

    • Ele agora é o que sabe o que é o ovo de Colombo.
      Já esteve no governo e não teletransportou toda pobreza e miséria para o mundo da Alice, aquela do país das maravilhas, fora do governo só tem gênio e atiradores de cocô a curta distância.

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