Insatisfação de partidos dificulta conclusão da reforma do ministério

Márcio Falcão, Dimmi Amora, Natuza Nery
Folha

A presidente Dilma Rousseff, que passa esses dias na Base Naval de Aratu, na Bahia, ainda enfrenta dificuldades para acertar com os partidos aliados a composição da equipe ministerial do segundo mandato.

Dilma ainda não encontrou solução para demandas apresentadas pelo PR e pelo PDT, além das insatisfações do seu próprio partido, o PT.

O PR quer ampliar seu poder na área de transportes. Além de indicar o vereador paulistano Antônio Carlos Rodrigues como novo ministro, o partido quer liberdade para nomear as pessoas que irão administrar empresas e órgãos ligados ao ministério.

Entre eles, estão o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), responsável por obras em rodovias federais, e a Valec, estatal responsável pela construção da Ferrovia Norte-Sul.

IRREGULARIDADES

De acordo com integrantes do partido, o Palácio do Planalto resiste à ideia. Dilma mantém o ministério sob controle do PR desde o início de seu mandato, mas esvaziou seu poder em 2011, quando demitiu vários funcionários ligados ao partido e acusados de praticar irregularidades nas obras do Dnit e da Valec.

O PR sugeriu a Dilma o nome de Antônio Carlos Rodrigues, que deve ser confirmado. Mas a presidente indicou que preferia manter o atual ministro, Paulo Sérgio Passos, no comando. Embora seja filiado ao PR, ele é considerado no partido um burocrata leal a Dilma e sem compromisso partidário.

A presidente também enfrenta dificuldades para acomodar o PDT, que deseja continuar no Ministério do Trabalho. Ela sugeriu a Previdência Social como opção para o aliado, mas a sigla não recebeu a oferta com entusiasmo.

DESAGRADANDO A LULA

Se atender ao PDT, Dilma irá desagradar setores do PT ligados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu antecessor e padrinho político, que desejam emplacar no comando da pasta um sindicalista ligado à CUT (Central Única dos Trabalhadores).

Dilma já definiu que dará o Ministério da Integração Nacional para o PP como compensação pela perda da pasta de Cidades, mas não chegou a acordo com a cúpula do partido sobre o nome do futuro ministro. O PP quer o atual ministro das Cidades, Gilberto Occhi. A presidente prefere o ex-ministro e deputado Aguinaldo Ribeiro (PB).

Com espaço reduzido no novo ministério, o PT também deve ver rejeitada a estratégia de turbinar o Ministério das Comunicações com a administração das verbas publicitárias do governo, recursos que hoje estão sob responsabilidade da Secretaria de Comunicação da Presidência da República.

One thought on “Insatisfação de partidos dificulta conclusão da reforma do ministério

  1. Imaginar não custa nada… certo?.. já estou no mês de fevereiro, elocubrando cenários positivos, como a justiça funcionando e corruptos à caminho da cadeia.
    Cruzem os dedos… esperamos que aconteça, a hora de o Brasil passar a limpo sua história política.

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