Instituições em frangalhos

Carlos Chagas

É sempre bom lembrar mestre Gilberto Freire, para quem o Brasil era o país das impossibilidades possíveis. Qualquer dia, ele completava, o Carnaval cairia na sexta-feira santa.

Semana passada assistimos as imagens do governador e do ex-governador do Amapá chegarem a Brasília presos e algemados  pela Polícia Federal, na Operação Mãos Limpas, acusados de tráfico de influência, formação de quadrilha, extorsão e outros crimes.

Pois bem. Ontem, libertados, Pedro Paulo Dias e Waldez de Góes apareceram nas telinhas desembarcando em Macapá, desfilando em carreata, aplaudidos delirantemente por  mais de 5 mil pessoas.  Um reassumiu o governo local, outro sua candidatura ao Senado.

De duas, uma: ou os referidos  políticos sofreram inominável perseguição ou as instituições democráticas encontram-se em frangalhos. Não dá para compor ou sequer explicar as duas situações. Se houve precipitação por parte da Polícia Federal, importa responsabilizar os artífices da demolição da honra alheia. Caso contrário, o lugar do governador e do ex-governador continua sendo a cadeia.

Dirão alguns inocentes que o Amapá fica muito longe, devendo o episódio dar-se por encerrado. Ledo engano, do qual não se livra sequer o governo federal. A obrigação do poder central seria  decretar a intervenção naquele estado ou demitir a cúpula da Polícia Federal. Nem uma coisa nem outra aconteceram. Fica tudo como está, uma demonstração a mais do longo caminho a percorrer até a consolidação democrática.

PROMESSAS ELEITOREIRAS

Descamba o candidato José Serra para a demagogia. Diante das perspectivas de vitória de Dilma Rousseff, o tucano deu para fazer todo o tipo de promessas em sua campanha: o décimo-terceiro salário para quantos recebem o bolsa-família; salário mínimo de 600 reais no seu primeiro dia de governo; reajuste imediato de 10% para todos os aposentados.

Olhadas de per si, cada uma dessas promessas parece justa e até necessária. O problema está na precipitação com que foram feitas, depois de  anos de silêncio do candidato diante das agruras dos menos favorecidos. Só agora sensibilizou-se? Estaria visando apenas amealhar votos para forçar a realização do segundo turno? Falou sério ou eleitoralmente?

Quem melhor  reagiu a essa cascata de ilusões foi o candidato Plínio de Arruda Sampaio, do Psol, apressando-se em concluir pela inocuidade das promessas. Por que não anunciar o décimo-quarto e o décimo-quinto salários?

SILÊNCIO CONSTRANGEDOR

Sob a liderança do PT preparam as centrais sindicais e seus penduricalhos monumental manifestação em favor das acusações  e diatribes  do presidente Lula contra a parte da mídia que não vem poupando seu governo de críticas e denúncias. O singular nessa história é encontrarem-se em silêncio constrangedor entidades como a Fenarj, filiada à CUT, e muitos  sindicatos de jornalistas profissionais  igualmente ligados ao movimento de trabalhadores. Precisam definir-se. Concordam com o presidente? Sentem-se tolhidos para discordar dele?

Outra instituição que continua devendo posicionar-se é a Associação Brasileira de Imprensa.

JUSTIÇA MINEIRA

Faz muito que Minas costuma homenagear seus mais expressivos líderes com uma cadeira no Senado. Até mesmo quando eventualmente  lhes  faltaram    votos, uniraM-se as cúpulas divergentes para fazer justiça. Milton Campos, Benedito Valadares, Gustavo Capanema, Magalhães Pinto,  Tancredo Neves e Eliseu Resende receberam a homenagem das Gerais, acima e além de tertúlias partidárias  superadas pelo reconhecimento de seu valor e dos serviços prestados.  A VEZ, agora, é de Itamar Franco. 

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