Interceptação da PF revela conversa de Alexandre Moraes sobre lobby no STF com desembargador investigado

Moraes teria atuado informalmente a favor de magistrado

Fábio Fabrini
Camila Mattoso
Estadão

Intercepção telefônica feita pela Polícia Federal e obtida pela Folha mostra como o hoje ministro do  Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes tranquilizou um desembargador investigado sobre o andamento de um processo no Supremo que poderia afastá-lo do cargo.

A gravação, realizada pela PF em novembro de 2015 com autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sugere que Moraes atuava informalmente como advogado do desembargador Alexandre Victor de Carvalho, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, no mesmo período em que ocupava o cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo, como noticiou a Folha no último domingo.

INCOMPATIBILIDADE – Por lei, o exercício da advocacia é incompatível com a chefia de órgãos públicos, cabendo, em caso de descumprimento da regra, a abertura de procedimento disciplinar na  Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de processo criminal por exercício irregular da profissão. Procurado, Moraes não se manifestou sobre o assunto.

A Folha teve acesso ao áudio da conversa entre Moraes e Carvalho. “Acho que finalmente vai tirar essa porcaria aí do seu caminho, encheção de saco, porque é uma encheção de saco”, diz o então secretário de SP ao desembargador de Minas. Ouça a gravação abaixo:

DIÁLOGO – A gravação começa no momento em que Carvalho, na época interceptado pela Operação Abside, liga para a própria Secretaria de Segurança Pública e pede a uma assessora para falar com o chefe da pasta. O diálogo começa informal, versando sobre futebol. “Seu Atlético não deu nem para o cheiro com o Coringão”, provoca Moraes.

A ligação se deu cinco dias após o Corinthians, time do agora ministro, vencer o Atlético-MG por 3 a 0 em Belo Horizonte e ficar bem perto do então hexacampeonato no Brasileiro. Na sequência, ao ser questionado sobre o julgamento, Moraes afirma que estava conversando com os integrantes da Segunda Turma do Supremo para tentar livrar o desembargador de uma reclamação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

FUNCIONÁRIA FANTASMA – Carvalho respondia a um processo por ter empregado em seu gabinete uma funcionária que não exercia ali suas funções. Segundo a PF, havia a suspeita de que a servidora devolvia parte do salário para o magistrado.

O desembargador alegou na ocasião que ela trabalhava no gabinete de seu pai, o também desembargador Orlando Adão de Carvalho, com quem teria feito uma permuta informal. O TJ-MG inocentou Carvalho, mas o CNJ deu continuidade ao caso. Antes de assumir o posto no governo Geraldo Alckmin (PSDB), em 2014, Moraes havia pedido liminar ao Supremo, com sucesso, para evitar o avanço do processo no CNJ.

ESTRATÉGIA – Ao conversar com Carvalho, ele lembrou qual foi a estratégia usada para conseguir a decisão: aguardar o então presidente do STF, Joaquim Barbosa, tirar folga para, em seguida, despachar com o vice, Ricardo Lewandowski.

Como mostrou a Folha, Moraes informa ao desembargador que, por estar licenciado da advocacia, não poderia participar do julgamento e fazer a sustentação oral. Por isso, explica ter dado as orientações a respeito a um outro advogado.

APROXIMAÇÃO – Ele ainda pede ao desembargador para tentar alguma aproximação com Cármen Lúcia, outra integrante da turma, por ela também ser de Minas. “Então, a Cármen é daí, né, meu? Se você tiver alguém pra só lembrar ela, não é ruim.” A Segunda Turma julgou o caso dias depois, decidindo arquivar a reclamação contra Carvalho.

7 thoughts on “Interceptação da PF revela conversa de Alexandre Moraes sobre lobby no STF com desembargador investigado

  1. E agora?

    As conversas obtidas ilegalmente pela Intercept, que alguns ministros do Supremo a aceiram como provas de conluio entre juiz e procurador para prender Lula, como que será entendida pelo STF com relação a livrar o desembargador de um processo que lhe é movido e pode afastá-lo do Judiciário?!

    “Normal”?
    O réu pode falar com um ministro da Alta Corte até mesmo informalmente?
    Ou se trata der espírito de corpo, de manutenção de uma falsa honestidade do judiciário?

    O que dirá Mendes, que foio citado?
    O que pensarão Lewandowski, a ministra Cármen, Celso de Mello, também mencionados por Moraes?

    O Brasil assiste os esforços de uma “família”, de uma casta, de se manter unida, coesa?
    Ou começará a perceber que estamos em um momento de enaltecimento à hipocrisia e cinismo?
    Ou concluirá que nossas autoridades são mesmo cínicas e hipócritas?!

  2. E agora, seu general Villas-Boas? Onde estão os pesos e contrapesos se juizes do STF são acusados de serem corruptos como se bandidos de carreira fossem? Em quem confiar para solucionar esse grave problema nacional? Bolsonaro, não, por favor – ele vai dar coices pra todo lado e na moita fazer acochambração com os morcegos do STF. Nesse eu não confio.

  3. Parece que não há mais nada a fazer com o STF porque de sujeira ele está até os cabelos.
    É inacreditável, depois do que ouvimos ontem na entrevista dada por Toffoli ao Estadão, falando mentiras nunca antes ouvidas de um presidente do STF, hoje nos deparamos sobre essa senvegonhice do ministro Alexandre de Moraes, e ainda envolvendo Gilmar, Carmem Lúcia, Levandowski e Celso de Melo.
    É inacreditável que ninguem se pronuncia sobre este fato, até mesmo os que querem usar material roubado de gravacoes não autorizadas pela justiça.
    Que supremo é esse?
    Que vergonha desses brasileiros cretinos!
    Onde vai parar essa farra?
    Onde estão os militares?
    Vão deixar o país se derreter em corrupção pela própria justiça.
    O povo brasileiro exige resposta.

  4. .
    PLAGIADO da internet:

    “””As instâncias da Justiça brasileira são como prateleiras: Quanto mais altas, mais sujas e mais inúteis.”””
    ACRESCENTE-SE:
    e mais porcarias colocadas nelas

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