Interesses regionais esfriam negociação entre Joaquim Barbosa e o PSB

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Divisões internas no PSDB desestimulam Barbosa

Pedro Venceslau e Eduardo Kattah
Estadão

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa ainda espera um sinal mais consistente do PSB sobre sua eventual candidatura ao Palácio do Planalto para decidir se ingressa na legenda. O partido, por outro lado, insiste que Barbosa precisa primeiro se filiar e, depois, viabilizar seu nome para a disputa presidencial. O impasse esfriou a negociação da sigla com o ex-ministro do STF.

Aliados que estiveram recentemente com Barbosa avaliam que ele aceita assinar a ficha de filiação dentro do prazo legal, dia 7 de abril, mesmo sem ter a garantia de candidatura. Mas não tomará a iniciativa sem uma “segurança mínima”.

SEM CONTATO – Há mais de um mês, porém, a cúpula do PSB não o procura. O ex-ministro tem acompanhado pela imprensa os movimentos da legenda, que em sua convenção recuperou as diretrizes de centro-esquerda.

A executiva do PSB abandonou a ideia de subir no futuro palanque do governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, e ainda mantém a porta aberta para ter uma candidatura própria. Segundo o Estado apurou, no entanto, a posição majoritária da legenda hoje é ficar neutra na disputa pelo Planalto para facilitar a construção de alianças regionais, considerada a prioridade total.

A “opção Barbosa” esbarrou nos interesses do PSB em Pernambuco, no Distrito Federal e em outros Estados.

DISCRIÇÃO – Com residência fixada no Rio, Barbosa passa também temporadas em Brasília e em São Paulo por causa de seu trabalho como advogado parecerista, ofício que passou a exercer após se aposentar e deixar o Supremo.

Num estilo adequado à sua personalidade, o ex-ministro tem adotado uma postura bastante discreta nas conversas políticas. Segundo um interlocutor próximo, ele não quer “fazer barulho” sobre sua pretensão por ora. Também oscila entre o ceticismo em relação ao projeto presidencial com o PSB e a desconfiança sobre a capacidade do partido de se unir e ter uma estrutura competitiva para a eleição.

O deputado federal Júlio Delgado (MG), líder do PSB na Câmara, reconhece que a executiva pessebista esfriou o diálogo com o ex-ministro do STF. “Não desistimos do Barbosa, mas ele está se sentindo como aquele que foi convidado para jantar, mas não recebeu o endereço”, disse ao Estado. Segundo o parlamentar, a última conversa pessoalmente com Barbosa foi antes do carnaval. Depois disso, eles se comunicaram mais duas vezes por meio do WhatsApp.

GRITO DE GUERRA

Delgado relatou que na convenção do PSB a juventude do partido queria puxar um “grito de guerra” em defesa da candidatura de Barbosa e ele cogitou apresentar uma moção nesse sentido, mas o movimento foi barrado pela cúpula.

Para o líder do PSB, Barbosa precisa tomar a iniciativa e se filiar à legenda mesmo sem ter garantias. “O jogador só pode jogar a Copa do Mundo se estiver inscrito. Não se trata de uma filiação de risco. Se ele se filiar, tenho certeza de que esse gesto por si só vai viabilizá-lo.”

Segundo Delgado, o ex-ministro não precisa se preocupar com a possibilidade de disputar prévias. “Não existe isso no PSB”, afirmou.

COMITIVA – Em dezembro do ano passado, uma comitiva de deputados federais do partido visitou o ex-ministro no escritório dele no Itaim-Bibi, na zona oeste da capital paulista. Na ocasião o ex-presidente do Supremo disse que estava “atento aos prazos eleitorais” e também fez consultas sobre o “campo de alianças” da sigla.

Os parlamentares deixaram o encontro convencidos de que Barbosa estava construindo uma “pauta de presidenciável” e acompanhando de perto os principais temas nacionais. Os deputados relataram a ele a crença de que uma candidatura de “alguém de fora da política” teria “muito êxito” na próxima disputa presidencial.

Mas, desde então, a opção Barbosa perdeu força no PSB por pressão principalmente dos governadores Rodrigo Rollemberg (Distrito Federal), Paulo Câmara (Pernambuco) e Ricardo Coutinho (Paraíba), que pregam neutralidade na disputa nacional. Isso facilitaria a construção das candidaturas regionais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Vaidoso e prepotente, Barbosa não parece ter a garra necessária para participar de uma eleição como esta.  Na minha opinião, seria um candidato fortíssimo, mas falta disposição. É pena. Eu gostaria de ver um negro de verdade à frente deste país, pois Nilo Peçanha era mulato claro.  (C.N.)

53 thoughts on “Interesses regionais esfriam negociação entre Joaquim Barbosa e o PSB

  1. CN eu quero ver um patriota capaz e interessador em melhorar o Brasil, capaz de ter planos de curto, médio e longo prazos.
    Se preto, gay ou mulher, não faz a menor diferença. Veja o que a primeira mulher fez! Barbosa não tem a mínima condição de presidir um país, vai ser um pau mandado, como foi Dilma, não por ignorância mas por covardia.

    • O partidarismo é uma seara que se afeiçoa a um banco de areia movediça, no qual ou vc é dono do partido, ou tem o dito cujo na mão, senão dança, puxam o tapete na hora h, leva a legenda quem pagar mais. Vejam, p. ex. , o que aconteceu no PSOL, com o Lula plantando o seu estagiário Boulos lá, só para anular a sigla, inviabilizá-la como possível alternativa a tudo isso que ai está há trocentos anos, com o Boulos a tiracolo do Lula estigmatizando assim o PSOL como puxadinho e linha auxiliar do PT. Não acrescenta nada, mas anula a sigla, que é o que importa para o Lula e o PT.

  2. Eu acho que será candidato e ao menos estudou , não aprendeu apenas matar .

    Joaquim Benedito Barbosa Gomes (Paracatu, 7 de outubro de 1954) é um jurista e ex-magistrado brasileiro. Foi ministro do Supremo Tribunal Federal de 2003 ate 2014, tendo sido presidente do tribunal de 2012 a 2014.[1][2][3] Atualmente, é advogado.[4]

    Formado em Direito pela Universidade de Brasília em 1979, especializou-se em Direito e Estado. Também é mestre e doutor em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas). De 1993 a 1995, foi professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e, de 1997 a 2015, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

    Foi membro do Ministério Público Federal de 1984 até 2003, quando foi indicado para o Supremo Tribunal Federal.[5][6][7]

    Em 2013, foi eleito pela Revista Time como uma das cem pessoas mais influentes do mundo e incluído pela BBC Brasil em uma lista de 10 brasileiros que foram notícia no mundo naquele ano.[8][9]

    • Caro leitor e comentarista Virgílio Tamberlini – o indultado e a história se repete,
      Diga-me com sinceridade, você queria que os membros das forças armadas brasileiras não aprendessem a matar para salvar a nossa amada pátria mãe gentil Brasil?
      A leitora e comentarista Teresa Fabricio tem razão: os governos petistas e as agremiações políticas que lhes deram sustentação, induvidosamente com os seus desvios das verbas públicas que surrupiaram dos cofres públicos, acarretando com o sucateamento dos hospitais públicos, das escolas públicas e, sobretudo com o sucateamento da segurança pública mataram bem mais que a tal da ditadura militar.
      Aponte-me a solução para exterminar com essa bandalheira, com essa esculhambação em que essa corja que me parece que o caro leitor e comentarista defende, mergulhou esse pobre país.
      Estou ansioso para ler a solução que será apontada pelo caro leitor e comentarista.

      • Dr. Belém, o Sr. deveria conhecer a LEI e indicar as saídas LEGAIS para a nossa realidade , acho que quem apenas aprendeu matar não é uma boa opção.
        Isso sem contar que apologia a golpe de Estado é crime previsto na Lei de Segurança Nacional.

        • Concordo! Temos que respeitar as leis. Afinal elas são elaboradas e aprovadas por nossos sérios e respeitados parlamentares do poder legislativo. Um primor de classe! rsrsrsrs

      • Ao menos estudou, não aprendeu só matar ….

        Formado em Direito pela Universidade de Brasília em 1979, especializou-se em Direito e Estado. Também é mestre e doutor em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas). De 1993 a 1995, foi professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e, de 1997 a 2015, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

        Foi membro do Ministério Público Federal de 1984 até 2003, quando foi indicado para o Supremo Tribunal Federal.[5][6][7]

        Em 2013, foi eleito pela Revista Time como uma das cem pessoas mais influentes do mundo e incluído pela BBC Brasil em uma lista de 10 brasileiros que foram notícia no mundo naquele ano.[8][9]

  3. Fazer o quê ? Há gente que ainda não deglutiu a Lei Áurea : …

    O dia 29 de maio de 2017 entrará para a história como um dos dias mais lamentáveis presenciados na Câmara Municipal de Niterói. Uma “audiência pública” convocada pelo Vereador Carlos Jordy (PSC), desde o primeiro momento de sua convocação – e depois no seu próprio andamento – não pretendia ser um espaço democrático onde as posições contrárias de ideias pudessem avançar para o maior esclarecimento dos interessados em dela participar.

    Pelo contrário, foi um tipo de comício, cujo objetivo era meramente dar publicidade ao Projeto de Mordaça nas escolas (eufemisticamente chamado de “Escola sem Partido”, na verdade ‘Escola do PSC’ e de outros partidos de direita) e projetar as intolerantes ideias da família Bolsonaro, representado na mesa por seu filho Flávio.

    Mas o pior ainda estava por vir. Simpatizantes do referido Projeto de Lei fizeram de sua aparição um festival de bizarrices e intolerância. Havia pessoas trajadas com o símbolo integralista (a versão tupiniquim do fascismo), águia nazista e alguns até mesmo vestindo camisas com a inscrição “Deus, Pátria e Família” (do movimento integralista). Parecia que estávamos no período pré-golpe civil militar que levaria o país a 21 anos de arbitrariedades, torturas, desaparecimento de opositores e outras medidas de triste memória. Um dos momentos mais abjetos se deu quando um adorador de Bolsonaro mandou quatro meninas negras – que se recusaram a cantar o hino nacional ao lado deles – “voltarem para a África”.

  4. Marcos Valério começou a operar no submundo da política muito antes do PT chegar ao governo.

    Rodrigo Pinho de Bossi, chefe do Departamento, não deu entrevista, mas anunciou que deve falar sobre o caso em coletiva.

    Ele, entretanto, não liberará o depoimento (de Valerio) até que o acordo de delação premiada seja homologado pela Justiça.

    “Foi no governo de Eduardo Azeredo, do PSDB, que ele criou os mecanismos para ser o maior trem pagador da política brasileira”

    Marcos Valério tentou fazer delação premiada em outros momentos, mas o Ministério Público Federal rejeitou seu depoimento.

    “Agora nós sabemos por que. É porque ele arrebenta o PSDB e seus apoiadores. É muita sujeira, e o Ministério Público não quis ouvir”

    Valério confirmou a autenticidade de documentos apreendidos pela Polícia Civil em casas de pessoas que estavam sendo investigadas por envolvimento em esquemas de corrupção, como Denise Landim e o advogado Joaquim Engler.

    Um dos documentos apreendidos é a cópia da chamada Lista do Valério, um documento que foi considerado apócrifo. Nesta lista, a exemplo de outra lista famosa, a de Furnas, aparecem os nomes de pessoas que receberam recursos operados por Valério.

    São pessoas que ocupavam postos de destaque no governo de Fernando Henrique Cardoso. O que Valério contou à Polícia Civil é a origem desses recursos.

    “A origem está na negociação na venda da CEMIG”, contou ele, em referência à estatal de energia controlada pelo governo de Minas Gerais.

    Com o depoimento de Marcos Valério, abre-se nova oportunidade para um mergulho no submundo que une política, Ministério Público, Judiciário e grandes empresas.

    O delegado Rodrigo Bossi de Pinho, da Polícia Civil de Minas, abriu uma brecha, deu voz a um grande operador do submundo do dinheiro, um profissional do crime de colarinho branco que prestou serviços a A, B, C e até Z.

    Vai começar uma operação abafa.

    https://goo.gl/XbwRHm

  5. Na África onde? “Onde houver um lugar ao sol para as mulheres quararem roupa”?? Teria sido do Bolsonaro essa frase “de brincadeirinha” também?

    • Meu amigo, gosto do Ciro , já fiz Brasília/SP com ele e ele sempre foi muito cordial . Só não gosto do seu laço umbilical com o Mangabeira Unger.

      • Prezado Virgílio:

        O Ciro tem esse ” laço ” há muito tempo, o que não impediu que desempenhasse, com brilho fulgurante, todas as funções públicas que lhe couberam, não é verdade?
        Quanto à mim, passei a admirar o senhor Unger, ao ler o excelente artigo ” IMPOR O CAPITALISMO AOS CAPITALISTAS, de 2005.
        Virgílio, acho tão tenebrosa a situação brasileira que, não votando por opção, há algum tempo, decidi , por causa do CIRO GOMES, participar ativamente da próxima eleição. Sinceramente, não vejo, nem de longe, quem possa ser comparado a ele, um homem realmente brilhante e único, preparado para CURAR a Terra Arrasada em que transformaram o Brasil.
        Creio profundamente que CIRO GOMES SERÁ IDOLATRADO PELO POVO BRASILEIRO, principalmente pelos que duvidam dele.
        Tenho certeza que os BANQUEIROS sabem muito bem disso, e sabem principalmente o porquê, e estremecematé ao âmago!
        Abs

        • Amigo , sei do enorme potencial do Ciro , quanto ao Mangabeira tenho inúmeras coisas contra , como o fato dele ter dito que o PT era o partido mais corrupto do Brasil e depois ter voltado ao governo impondo um sistema de ensino Xerox do Banco Mundial. Se o JB não vier farei campanha grátis para o Ciro .

        • PS. O Mangabeira enfiou esse projeto goela abaixo do bizarro ministro da educação Renato Janine Ribeiro , um comediante.

  6. A cor do candidato é irrelevante.

    O problema do Joaquim Barbosa, é que ele é o Joaquim Barbosa, completamente incompatível com a pretensão.

  7. Eu era admirador do Joaquim Barbosa, mas parece que os ares de Miami deram um nó na cabeça dele. De repente ele passou a criticar tudo que a Lava Jato, MPF e PF faziam contra a corrupção.

    E olhando bem hoje vê-se que ele não tem estofo para ser presidente da república.

  8. Texto Maravilhoso!

    ROBERTO MANGABEIRA UNGER

    Impor o capitalismo aos capitalistas

    O Brasil fervilha de energia. Não há país que exceda o nosso no vigor de sua cultura empreendedora. É uma das manifestações da inesgotável vitalidade que, ao lado de nosso culto da ternura, representa a promessa de nossa futura grandeza. Duas culturas empreendedoras, porém, lutam por primazia no Brasil. Uma das maiores tarefas do governo a ser eleito em outubro de 2006 é liderar a luta nacional para matar uma dessas culturas para que a outra possa viver.
    A cultura empreendedora que precisa viver é a que vem nascendo de baixo no Brasil nos últimos 40 anos. É transformação surpreendente, assombrosa e quase inteiramente desconhecida dos letrados e endinheirados. Milhões de pessoas lutam por abrir pequeno negócio ou para se tornarem técnicos ou profissionais. Cursam escolas técnicas e universidades à noite. Constróem novos bairros à sua imagem em todas as grandes cidades brasileiras. Participam de vida associativa, dentro de igrejas, sindicatos e clubes. Desenvolvem cultura de auto-ajuda e de iniciativa que enaltece o esforço individual e a palavra dada. Têm horror a maracutaias na vida privada ou pública. Sentem na carne a injustiça de um regime que lhes nega oportunidades econômicas e educativas e que continua a multiplicar facilidades para os filhinhos de papai. Enojados de política e desesperançados de ver o país mudar, dedicam-se à construção de pequenos mundos sociais pautados pelos valores e pelos interesses que vêem tripudiados no grande mundo das elites empresariais e políticas.
    Insisto: esses emergentes já comandam o imaginário popular. São a vanguarda que a maioria, grande parte dela afundada em vida de biscateiro, quer seguir.
    A essência do projeto de um governo que ponha fim ao ciclo ruinoso e sujo dos governos tucano-petistas é simples: dar oportunidades de trabalho, de produção, de ensino e de representação política a essa gente. E permitir, com isso, que a maioria a siga.
    Para isso, é preciso, entre outras iniciativas, travar luta de vida e morte contra a outra cultura empreendedora que sobrevive no país: víbora que ameaça sufocar a vitalidade brasileira, sugando os recursos do país e negando oportunidades aos esforçados. É a grande aliada e beneficiária da corrupção na política. Essa segunda cultura empreendedora é a dos intermediários que reclamam contra o Estado e que vivem à sua sombra; que são sempre os primeiros na fila para receber, na forma de crédito subsidiado, o dinheiro do trabalhador e da nação nos bancos oficiais; que se esmeram no tráfico de influência e na prática de intrigas como seus maiores talentos empresariais; que corrompem políticos e partidos, governantes e burocratas, policiais e juízes, sempre lamentando as práticas a que devem sua prosperidade; e que dobram boa parte da grande mídia a seu serviço, silenciando quem poderia falar.
    O antídoto contra eles é dar-lhes já, em dose fatal, o que dizem querer, mas de fato temem como se fosse o fim do mundo: retirada dos favores oficiais, criminalização do tráfico de influência, com a condenação dos corruptores, não apenas dos corrompidos; concorrência avassaladora e à qual seja impossível resistir se não for por meio da competência que costuma escassear nessa plutocracia de herdeiros e de apadrinhados. Imponhamos o capitalismo aos capitalistas.

    Roberto Mangabeira Unger escreve às terças-feiras nesta coluna.
    http://www.law.harvard.edu/unger

  9. Com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a condenação do ex-presidente Lula, a esquerda brasileira vem tentando a sua reorganização. Penso, salvo melhor juízo, que a personificação dessa reorganização está na figura do ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes, o paulista radicado no Ceará que ingressou em um dos partidos mais fiéis da exterminada base governista da ex-presidente Dilma Rousseff, o PDT, e vem tentando reunir em torno de si praticamente toda a esquerda brasileira, da ala social-democrata até os mais ferrenhos governistas petistas com o seu discurso.
    Ciro Gomes já é uma figurinha carimbada da política brasileira. Se não me falha a memória, em 1979 o então estudante de direito da Universidade Federal do Ceará, foi vice-presidente da chapa “Maioria” na eleição da União Nacional de Estudantes, cuja chapa era apoiada pelo PDS, partido que dava sustentação ao governo militar e pelo mesmo PDS, Ciro Gomes foi eleito deputado estadual no estado nordestino em 1982.
    No ano de 1983, Ciro Gomes trocava pela primeira vez de partido. Deixava o PDS rumo ao PMDB, partido pelo qual se reelegeu deputado estadual em 1986 e dois anos mais tarde Ciro Gomes liderou junto com Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e Tasso Jereissati o racha interno do PMDB, que deu origem ao nascimento do PSDB.
    Estreme de dúvida pelo partido tucano que Ciro Gomes começa a ganhar expressão nacional, sendo eleito governador em 1990 e começando a formar uma máquina eleitoral forte no estado, tornando-se o mais novo coronel da política nordestina. Ao final do seu mandato como governador, é convidado pelo presidente Itamar Franco para assumir o Ministério da Fazenda, substituindo Rubens Ricupero pelo chamado “escândalo da parabólica”, ficando na cadeira até a posse de Fernando Henrique Cardoso.
    Em 1996, sua máquina política elege seu irmão, Cid Gomes, prefeito da cidade de Sobral, ainda pelo PSDB. Após as eleições municipais de 1996, Ciro Gomes é convidado pelo presidente nacional do PPS, Roberto Freire para ingressar nas fileiras do partido. Nos anos de 1998 e 2002, Ciro Gomes se lança candidato à presidência pela legenda, ficando em terceiro lugar em 1998 e em quarto em 2002. Ciro Gomes consegue, ainda, com sua máquina política, eleger em 2002 sua ex-esposa, Patrícia Saboya ao Senado.
    Com a posse do apedeuta do Lula, Ciro Gomes é convidado para integrar o Ministério da Integração Nacional, ocupando a pasta de 2003 até 2006, quando se lançou a deputado federal em mais uma troca partidária: Ciro Gomes deixava o PPS, que desembarcara da base governista e migrava junto com seu irmão Cid Gomes para o PSB.
    Neste contexto, Ciro Gomes elege-se deputado federal e o seu irmão Cid Gomes, governador do estado. Na eleição de 2006 Ciro Gomes coloca mais um integrante da família Gomes na máquina administrativa do Ceará, com a eleição de seu irmão Ivo Gomes para o cargo de deputado estadual, enquanto ajuda na reeleição de seus irmãos para os cargos de governador e deputado estadual e articula, no segundo turno, a campanha da candidata Dilma Rousseff à presidência da república pelo PT.
    Ciro Gomes, então, é nomeado por seu irmão Cid Gomes para a Secretaria Estadual de Saúde em 2013, quando realiza mais uma troca partidária. Com o desembarque do PSB da base governista ele, e boa parte dos seus aliados políticos, se mudam para o recém-criado PROS. Em 2014, a máquina da família Gomes ajuda a eleger o petista Camilo Santana ao governo do estado. Tal fidelidade ao governo Dilma fez com que o irmão de Ciro Gomes, Cid Gomes, assumisse o Ministério da Educação. Porém, após uma discussão entre Cid Gomes e o presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, envolvendo até troca de ofensas entre os dois, Cid Gomes perde o cargo de ministro.
    Ciro Gomes já vinha preparando nos bastidores a sua volta ao cenário, deixando a área de articulação política e, no início do ano de 2016, ele, seu irmão Ivo Gomes e seus aliados deixam o PROS rumo ao PDT. Hoje, Ciro Gomes está sintonizando seu discurso com a militância acadêmica e política de esquerda, carentes de lideranças após os andamentos da Operação Lava-Jato e a queda vertiginosa do ex-presidente Lula a quem jurou defender com emprego até de arma de fogo e da ex-presidente Dilma Rousseff, para ser o candidato a presidência em 2018.
    Querendo reunir em torno de si todos os “órfãos do PT”, Ciro Gomes não significa a renovação do sistema político e, sim, mais um dos políticos profissionais e fisiologistas que a população brasileira se cansou de ver e ouvir, pois, induvidosamente, representa em si tudo aquilo que buscamos extirpar da política brasileira, que é a fusão entre o socialismo e o fisiologismo, fusão essa que ajudou a deteriorar o país nesses últimos treze anos de desgovernos do PT e agremiações políticas que lhes deram sustentação.

    • Quanta besteira!
      Um texto longo, mentiroso e capcioso. Estou sem poder responder agora, porque estou no trânsito. Mas depois farei refluir todas essas asneiras, nenhuma dúvida!
      Por ora, já que o senhor repetiu pela milésima vez a ladainha da troca de partidos, tenha a dignidade de contar e apresentar a quantidade de vezes que o seu candidato o fez, também.
      Estou envergonhado com a qualidade ( falta de) dos eleitores do Enlouquecido. Sem dúvida, a mão e a luva!

      • Caro leitor e comentarista Carlos Cazé,
        Sem ofensas, pois nunca lhe ofendi, apenas expressei uma visão pessoal que tenho do seu candidato Ciro Gomes, tudo extraído das minhas memórias, graças a DEUS e das publicações feitas na imprensa brasileira e por conversas mantidas com amigos e familiares da minha esposa que moram no lindo Estado do Ceará, inclusive, minha esposa nasceu neste estado nordestino.
        Por derradeiro, vou ficar devendo-lhe a quantidade de vezes que o meu candidato mudou de agremiação política, porque até o presente momento ainda não me defini em relação a quem sufragarei nas urnas em outubro/2018.
        Portanto, não me venha com as suas ofensas, porque não é PROIBIDO ainda em nossa amada pátria mãe gentil a expressão do pensamento de quem quer que seja neste pobre país.

        • Pode perguntar pro diretor do blog se eu já ofendi alguém aqui, nesses sete anos de convívio. Muitas vezes duro, até duríssimo, sem dúvida. Mas é no campo das ideias, jamais com golpes baixos. Aliás, considero golpe baixo faltar à verdade para, até de maneira inconfessável, ajudar e/ou prejudicar alguém. Depois eu tecerei considerações ao que o senhor escreveu. Ponto por ponto, também nenhuma dúvida.

          • Caro leitor e comentarista Carlos Cazé,
            O senhor me chama de mentiroso e capcioso e vem dizer que isto não é uma ofensa?
            E agora me acusa de golpe baixo e faltar com a verdade para até de maneira inconfessável, ajudar ou prejudicar alguém.
            Volto a afirmar que exprimi o que sinto pelo candidato Ciro Gomes, apenas isso, nada mais do que isso.
            Eu nunca chamei aqui neste blog quem quer que seja de mentiroso ou capcioso ou de aplicar golpe baixo.
            O senhor rebater ponto por ponto sobre o que exprimi acerca do seu candidato é um direito seu, fique a vontade.

    • Senhor Belém,

      Vamos lá. De início, anote aí: não tenho procuração para defender nenhum candidato. No caso presente, faço-o por pura convicção. A qualquer tempo, com a mínima comprovação de desvio de conduta moral, volto para onde estava: na neutralidade completa.
      Ciro Gomes já cansou de dizer que não quer ser, apenas, um candidato de esquerda, mas de centro- esquerda. Já que o senhor não se esqueceu de lhe pintar as origens, está registrado que foi a centro-direita que lhe deu étimo.Até por isso, devemos nos ater que ele privatizou os bancos estaduais e promoveu fortíssima abertura econômica enquanto ministro da Fazenda. Isso lhe parece política de esquerda? A mim, claramente que não.
      Por várias vezes, o senhor usou o termo ” máquina administrativa”: puxa, mas é assim que o senhor conceitua um político popular? Ele nunca perdeu uma eleição no Ceará, mas não é mérito dele, é porque tem a ” máquina administrativa às mãos”: no Ceará a maioria do eleitorado é estúpida? Não votam em quem lhes provou ser o melhor? Aliás, por que ” coronel”? O senhor tem, através de sua ótima memória, ideia de um coronel que não possuísse redes de televisão , rádio e jornais? Porque Ciro não os tem. E tem memória de um “coronel” da política que tivesse revolucionado a Educação em seu estado? Porque foi exatamente isso que Ciro Gomes fez: segundo o Ideb, das 100 melhores escolas do país, 77 estão no Ceará, inclusive o primeiro lugar. Portanto, aqui também não me parece que haja vestígio do dna coronelista, o senhor não acha?
      Como sequência lógica do tal coronelismo, o senhor chegou à troca constante de partidos. Isso ele nunca negou, mas cumpre observar: alguns dos piores nomes da política nacional NUNCA trocaram de partido! Guardam uma coerência extraordinária com as próprias convicções! E bem sabemos quais convicções são essas, não é verdade? Então, se não nos parece o ideal_ e não é mesmo, em situação normal_cumpre ver o porquê das trocas, não lhe parece? Ocorre que o senhor não o fez. Pintou-o, ao Ciro, simplesmente, como um andarilho inconsequente, o que ele, definitivamente, não é. Se Ciro Gomes estivesse atrás da glória fácil, sem esforço, bastaria ter ficado onde estava, à época do nascimento do Real: como um dos pais da moeda, foi paparicado por toda a Direita, tendo o senhor FHC deixado-o à vontade para escolher o cargo que quisesse. O que ele fez? Declinou do convite, e foi aprofundar os estudos: ele, tão novo, respeitado, consagrado e eleito melhor prefeito de Fortaleza e melhor Governador do Ceará. Teve ele as bençãos da mídia e do sistema político-financeiro_ e virou as costas,pura e simplesmente. Que coronel extraordinário, não lhe parece?
      Chegamos à Era Lula. Ele tirou do papel a Transposição do Rio São Francisco, mas o senhor preferiu aduzir que ele ” jurou defender o Lula com arma de fogo”. Creio que aqui também há um equívoco, senhor Belém. Pelo que eu me lembre, em relação à arma de fogo, ele se referiu_ e sempre é, criminosamente, descontextualizado_ a ” receber o juiz Moro à bala “CASO ELE NÃO TIVESSE FEITO NADA QUE MERECESSE DETENÇÃO”. ( em destaque a parte final, sordidamente suprimida pela imprensa e pelos inimigos políticos). Também cumpre notar do que se conversava: a vergonhosa e inconstitucional detenção de um blogueiro para que esse revelasse, ao Moro, quais eram as suas fontes. Passado alguns dias, o próprio Moro se desculpou formalmente pelo ocorrido.
      Então, senhor Belém, chegamos ao ponto em que o senhor afirma que Ciro Gomes é o tipo de político que os brasileiros querem ver extirpados_ puxa! Sinceramente, me doeu o coração! Um homem que entregou o país, depois de décadas de hiperinflação, uma economia ESTABILIZADA, com inflação ZERO, e que tem, na sua biografia limpa e honrada, A RECUSA A TRÊS APOSENTADORIAS, orçadas hoje em mais de oitenta mil reais, ser condenado à execração pública, a mim me parece a obra-prima da cegueira política a que chegamos hoje, no Brasil. Inversão total de valores. Completa desorientação intelectual, nenhuma dúvida. Que tal repensar um pouco sobre o senhor Ciro Gomes?
      Senhor Belém: como o senhor viu, não o ofendi, apenas contra-argumentei, sem ter no espírito a menor belicosidade. Espero que, sendo o senhor um homem digno, reflita no que escrevi, porque não inventei, é retrato fiel à realidade.
      Boa noite, senhor Belém.

      • Caro leitor e comentarista Carlos Cazé,
        Espero que tenha tido também uma boa noite de sono.
        Estreme de dúvida agora o leitor não foi agressivo, pois como havia informado iria rebater ponto a ponto do meu comentário, o que me pare haver feito.
        Considerando agora o seu espírito desprovido da menor belicosidade, prometo-lhe refletir acerca do que escreveu sobre o seu candidato.
        Bom dia!

  10. Rotina dos intervencionistas, querem uma ditadura baseada no artigo primeiro da Constituição…. Dentro do analfabetismo jurídico já montaram até uma bizarra constituinte de ” notáveis QUEM ” O Chevette é o.comedia Dr. Célio Menezes , um ridículo.

  11. Mangabeira Unger é um raro intelectual brasileiro, de verdade, que pensa fora da caixa, mesmo que não se concorde com tudo o que diz. E por isso mesmo, pela liberdade com que articula seu pensamento, é escaneteado e discriminado, no Brasil não se aceita quem não faz parte de igrejinhas e não reza pela cartilha da esquerda dogmática e sectária.

    Como andorinha sozinha não faz verão, ele se enturma com quem pode.

    Ciro Gomes é um cara inteligente, mas seu destempero e sua trajetória enviesada não o recomendam, infelizmente.

    O fato é que estamos mal na foto, tanto esquerda, quanto direita, centro, etc., etc. Seria interessante se tivéssemos candidatos serios em cada campo, com um perfil ideológico e propostas claras, enriqueceria o debate, e é o que mais precisamos, neste momento conturbado.

    O consolo

  12. Como diz Demétrio Magnoli, outro analista de pensador sério, estamos ainda num “ponto precoce da disputa eleitoral”, em outro artigo, neste blog mesmo.

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