Internautas criam campanha “Eu não sou Charlie” na rede

Diogo Bercito
Folha
Enquanto se noticiava que os tuítes marcados com #JeSuisCharlie (“eu sou Charlie”) faziam história entre os mais usados na rede social Twitter, chegando a 6.500 menções por minuto, outra tendência ia contra essa corrente: #JeNeSuisPasCharlie.

Traduzido como “eu não sou Charlie”, a “hashtag” –como se chamam esses marcadores em mensagens do Twitter– era a bandeira daqueles que não concordavam com a defesa incondicional aos desenhistas do “Charlie Hebdo”, ou que afirmavam que o foco deveria ser outro.

Ou seja, em vez de “ser” os cartunistas polêmicos, ele se dizia representado pelo policial Ahmed Merabet, também morto no ataque terrorista de quarta-feira (7). “As pessoas dizem que são a favor da liberdade de expressão, culpam o islã, mas poucas delas reconhecem que a primeira vítima do ataque havia sido um muçulmano. Quero ter certeza de que sabem”, disse Hussain à Folha.”Além disso, os muçulmanos são acusados pelo ataque ao ‘Charlie Hebdo’, então nos sentimos de alguma maneira vítimas também.”

JE SUIS AHMED

Assad Rashid, de pai iraniano e mãe paquistanesa, tuitava durante o dia usando a “hashtag” #JeSuisAhmed “para mostrar que há muçulmanos que estão integrados à sociedade e que rejeitam a violência do extremismo”.

Para Rashid, era importante enfatizar que havia uma vítima muçulmana no atentado. Assim, de acordo com ele, ficaria claro que “os terroristas estavam assassinando a ideia de liberdade, e não se baseavam em uma religião”.

Outros usuários tuitavam com #JeSuisRaif, em referência ao blogueiro saudita Raif Badawi, condenado a açoitamento depois de ter sido acusado pelas autoridades do país de ter ofendido o islã.

ÓDIO

Procurado pela reportagem no final do dia, após o ataque ao mercado kosher, o muçulmano Hemmy Ismail, 33, se dizia chocado com os acontecimentos. De família tunisiana, afirmava que “o que fizeram é prova de que os terroristas usam a religião para enviar uma mensagem de ódio”.

“São pessoas frustradas que pensam que conhecem a verdade e que as outras pessoas não podem pensar diferente. Eu sou muçulmano, mas acredito no secularismo, então estou também na mira desses terroristas.”

Sobre os ataques a mesquitas na França nos últimos dias, Ismail afirma que “as pessoas estão furiosas” e que buscam um culpado para o que estão sentindo.

A associação entre o islã e o terrorismo, para ele, será rompida assim que as autoridades religiosas e políticas enviem a mensagem de que o que ocorreu em Paris “foi feito em nome da desumanidade, não do islã”.

6 thoughts on “Internautas criam campanha “Eu não sou Charlie” na rede

  1. Sou absolutamente contra o atentado , totalmente solidario com os familiares e amigos das vitimas e com a populacao , mas nao sou CHARLIE , pois nao e preciso ser idiota para ser solidario.

  2. Liberdade!, Liberdade!
    Abre as asas sobre nós
    E que a voz da igualdade
    Seja sempre a nossa voz, mas eu digo que vem
    Vem, vem reviver comigo amor
    O centenário em poesia
    Nesta pátria mãe querida
    O império decadente, muito rico incoerente
    Era fidalguia e por isso que surgem
    Surgem os tamborins, vem emoção
    A bateria vem, no pique da canção
    E a nobreza enfeita o luxo do salão, vem viver
    Vem viver o sonho que sonhei
    Ao longe faz-se ouvir
    Tem verde e branco por aí
    Brilhando na Sapucaí e da guerra
    Da guerra nunca mais
    Esqueceremos do patrono, o duque imortal
    A imigração floriu, de cultura o Brasil
    A música encanta, e o povo canta assim e da princesa
    Pra Isabel a heroína, que assinou a lei divina
    Negro dançou, comemorou, o fim da sina
    Na noite quinze e reluzente
    Com a bravura, finalmente
    O Marechal que proclamou foi presidente
    Liberdade!, Liberdade!
    Abre as asas sobre nós
    E que a voz da igualdade
    Seja sempre a nossa voz,
    Liberdade!, Liberdade!
    Abre as asas sobre nós
    E que a voz da igualdade

  3. Dar ênfase ao policial muçulmano morto, ao contrário do que querem os espíritos de porco que querem mais é aparecer, não é, como querem eles, um atenuante. Isso só aumenta mais ainda a gravidade do atentado e a certeza que, para esses assassinos que agem em nome do islam, o importante é matar, exterminar, aniquilar, ensanguentar.

    E não me venham dizer que os fanáticos radicais são uma minoria porque eles são, sim, apoiados pela grande maioria dos muçulmanos, que não movem uma palha contra esse tipo de coisa. Pelo contrário, são omissos ou coniventes, todos com um sorrisinho escondido no canto da boca pelas mortes dos “infieis”, mesmo que, para isso, tenham morrido alguns muçulmanos.

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