Internet dá voz a todos, e não apenas aos “imbecis”, como proclamou o ministro Moraes

A internet deu voz aos imbecis, diz Alexandre de Moraes

Ilustração reproduzida do blog do Esmael

J.R. Guzzo
Revista Oeste

As redes sociais são consideradas o maior inimigo do Supremo, da grande mídia e das esquerdas. A última explosão de hostilidade veio do ministro Alexandre de Moraes. Numa plateia onde se sentavam peixes graúdos do PT e outros devotos da candidatura do ex-presidente Lula, Moraes decidiu apresentar o que faz parte da visão filosófica, digamos assim, que tem sobre a questão. “A internet deu voz aos imbecis”, disse ele, repetindo uma frase já cansada e supostamente sábia que qualquer autor de palestra de autoajuda utiliza no seu ganha-pão diário.

Quem disse isso, vários séculos atrás, foi um desses intelectuais-vagalume que piscam por uns instantes, e em seguida se apagam na noite, depois de fazerem sucesso temporário com alguma ideia deixada pela metade.

VOZ AOS IMBECIS – É um dito interessante, mas a verdade é que a internet deu voz, realmente, ao público. Aos imbecis, especialmente? Não: deu voz a todos.

Foi uma revolução. Pela primeira vez na história da humanidade, desde que o homem saiu da caverna e evoluiu até andar na Lua, todos os seres humanos que consigam ler e escrever, qualquer um deles, podem dizer em voz alta o que pensam ou têm vontade de dizer – basta ir ao celular e teclar o que lhes vem na cabeça. Podem, ao mesmo tempo, ouvir tudo o que está sendo dito.

Pronto: ninguém precisa mais dar entrevista no jornal, ou pedir licença da autoridade, para dizer o que quer. Também não está mais limitado a ler, ouvir ou ver os meios de comunicação para saber o que está se falando na praça.

OPINIÃO ABERTA – O que aparece, então, é o que as pessoas acham das coisas, do mundo e da vida, nem mais nem menos. Não gostam do que está sendo dito? Paciência. Vai ser preciso trocar de humanidade e achar uma mais ao gosto do ministro Moraes e seus colegas do STF, dos jornalistas e do candidato da esquerda à Presidência da República.

A humanidade que existe na vida real é essa aí. É duro, com certeza; a maioria dos 8 bilhões de habitantes da Terra, e dos 200 milhões de brasileiros, não é de grandes pensadores, nem de Einsteins e nem mesmo, talvez, de pessoas atraentes.

Mas se são “imbecis” ou não, como repete o ministro Moraes, não vem ao caso; são seres humanos com direitos iguais ao dele, ou de qualquer pessoa, a expressarem o que pensam em público. O que dizem nas redes é o que têm dentro de si; se o que têm dentro de si são essas coisas que estão dizendo, sentimos muito, mas é inevitável aceitar.

VOLTA DA CENSURA – O que o STF, a mídia e a esquerda querem é restringir, limitar e reprimir o pensamento. Isso é a marca mais clássica das ditaduras.

Não são os “disparos automáticos”, os “robôs” e os algoritmos que incomodam o Supremo, como querem fazer crer os seus inquéritos, os seus agentes na “justiça eleitoral” ou o noticiário maciço da imprensa. O que assusta a todos eles, na verdade, é o que as pessoas têm a dizer.

Não é difícil entender. Até há pouco só a mídia, os supremos tribunais e as elites tinham condições de expor o que pensavam; a liberdade de expressão só se aplicava à “gente bem”, com dois ou três sobrenomes, dinheiro no banco e curso de “humanas”. Hoje, por força das redes, todo mundo fala e, principalmente, todo mundo fica sabendo o que se fala. O STF e a sua atual companhia não suportam essa realidade.

MUITA ENGANAÇÃO – Da mesma maneira, é falso que alguém nesse bonde esteja realmente preocupado com o mau uso que é feito da internet. Ninguém no Supremo dá a mínima para a onda de crimes digitais que oprime o Brasil; pouco se lhes dá se roubam o Pix, invadem contas bancárias ou clonam celulares. Não querem, ali, punir os bandidos. Querem punir a sua opinião.

Também não são os delitos cometidos com a palavra que estão envolvidos na guerra contra as redes; todos esses crimes são perfeitamente previstos no Código Penal Brasileiro, e não precisam mais de lei nenhuma para serem combatidos.

Experimente dizer na internet que o seu vizinho é ladrão de cargas ou traficante de drogas; ou melhor, não experimente, porque quem fizer isso vai acabar com um processo por calúnia nas costas.

DÁ VOZ A TODOS – A internet, como diz o ministro Moraes, dá a voz aos imbecis. O que Moraes não diz é que a internet também dá voz a ele. Temos um óbvio problema aí. Por que raios o ministro julga que a sua voz é linda e a voz dos outros não é? Quem é ele para decidir quem é imbecil e quem é inteligente, ou quem é qualificado o bastante para se exprimir nas redes sociais?

Se Moraes considera “imbecis” os que discordam das suas posições políticas, qualquer um pode dizer a mesma coisa dele; não existem, no Brasil ou no mundo, leis estabelecendo regras para a cretinice – ou qual o nível de excelência mental que as pessoas devem ter para receberem um certificado de não imbecil.

Nada disso, é claro, tem o mínimo interesse para os inimigos da internet. No momento, só pensam numa coisa: ganhar a eleição. Se a liberdade está no caminho, pior para a liberdade.

10 thoughts on “Internet dá voz a todos, e não apenas aos “imbecis”, como proclamou o ministro Moraes

  1. Em democracia de verdade, a proibição da liberdade de expressão independente que não constituí crime e nem seja decretada por ordem judicial autenticada é censura sórdida, é ditadura nojenta, nefasta, abominável, inaceitável, é crime. Algumas coisas não são exatamente do jeito que o Guzo está dizendo no artigo abaixo, mas o fato é que a liberdade de expressão independente está em perigo no Brasil, até porque o conjunto da obra do sistema vencido, no frigir dos ovos, não quer mudar coisa nenhuma, trocar de bandidos de estimação, ao que parece, o bandido amigo pelo bandido inimigo, e por isso odeiam e impedem o surgimento do novo de verdade, mesmo que sem o novo de verdade no front não existe perspectiva de dias melhores e nem futuro alvissareiro . http://www.tribunadainternet.com.br/redes-sociais-sao-tidas-como-o-inimigo-do-stf-da-grande-midia-e-da-esquerda/?fbclid=IwAR3kPBScSyNFo2UHkO-QvV-BlyBNiVjiDq9sV1uOrpAEoCX0WSCHVdDz4BQ#comments

  2. Liberdade de expressão é um direito de todos, mas quando se usa o direito de expressão para difamar, ameaçar, injuriar, caluniar etc é crime, quem cometeu esse tipos de crimes podem ser penalizados de acordo com a lei.
    Bolsonaro tirou na cabeça inculta dele que ameaçar, caluniar, injuriar atacar a democracia etc por ser liberdade de expresão não é crime. Acha que liberdade de expressão serve para tudo.

  3. Mais uma paulada do jornalista JR Guzzo nos marginais do STF.

    O problema do Alexandre de Moraes com a ‘internet’ não é que ela tenha dado voz aos imbecis, mas que ela tenha permitido ao povão saber, em primeira mão, de dois fatos indesmentíveis: 1) que ele foi um rábula da Transcooper, empresa suspeita de lavar a grana suja do narcotráfico paulista; 2) que o valor inicial das causas que a banca da sua mulher, dona Vivi, cobra, para defender causas que ele julga lá no STF, é da ordem do milhão de ‘reaus’. Ele até ordenou a prisão do Roberto Jefferson, um presidente de partido político, pela divulgação desses fatos. Como não pode mandar prender a Internet, o rábula de pé de escada parte pra censura escancarada, com o apoio da mídia NARCO-socialista.

  4. Gostei do Guzzo e do Augusto Nunes no passado. Bons jornalistas sem dúvida. Bons textos sem dúvida. Acontece que hoje são defensores do indefensável Bolsonaro e seu desgoverno. Nem leio ou assisto mais. Perda de tempo.

  5. Porque o povo não pode falar o que pensa? E se fala, alguém pode dizer que estará fora de contexto. Ou que é desprovido de conhecimento prévio. A verdade é que isso incomoda e muito os que vivem mamando as tetas gordas do poder. E nem pense em falar em mudanças. O alto escalão do poder, esses que levam o nome de funcionários públicos, mas que não são funcionários e sim parte do poder. Não querem de forma alguma vê seus privilégios arranhados. Os funcionários simples, aqueles que batem ponto, tem hora pra chegar e sair do serviço. E não podem aumentar os seus próprios salários. E sendo esses que carregam a culpa das mazelas que acontecem no serviço público. Ora, pra que mudar se está indo tão bem para eles. A credito que esteja na hora de separar o trigo do joio e dá nomes aos poderes que precisam passar por mudanças estruturais e contribuir e não continuar dando prejuízos à nação brasileira. Talvez seja isso que incomoda tanto, essa liberdade que o povo tem de expressar sua opinião e de falar a verdade. Isso é como flecha no coração do poder. E nada mais é tão importante para essa gente que desqualificar a fala do povo com essa frase: “A internet deu voz aos imbecis”.

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