Intervenção da OAB, no caso Bruno

Tem enorme tradição de defesa dos direitos ameaçados. Lógico, não tem o Poder do mesmo órgão nos EUA (a American Bar Association), mas é sempre atuante. Já lembrei da presença da OAB na defesa de Luiz Carlos Prestes, que tinha duas “condições” para justificar a possível omissão da OAB. Era comunista e estávamos em plena ditadura.

Agora a OAB indicou advogados para acompanharem o que se designa como “caso Bruno”. Os defensores de todos os acusados, estavam sendo publicamente DISCRIMINADOS. Não podiam atuar com eficiência, pois não sabiam o que a polícia investigava. (Os autos, “fechados” e “impedidos” para advogados).

E também, assombrados, assistiam os que “conduziam o processo”, violentarem os direitos de simples acusados, nada mais do que acusados.

Podem ser CULPADOS ou INOCENTES, mas não por determinação da polícia. A Justiça é que vai decidir, num processo público, baseado em fatos e não suposições, o que aconteceu, quem participou, e se houve assassinato comprovado.

A situação melhorou com a participação da OAB. Mas seus representantes devem receber instruções imediatas, para se concentrarem em três questões prioritárias, sem descuidar das outras.

1 – Se a prisão do jogador é legítima, e também as dos outros participantes. Se está dentro do prazo previsto pelo Código Penal, respeitada a Constituição.

2 – Limitar ao mínimo possível a aparição de delegados na televisão. O primeiro, “mágico” da palavra burra, um idiota (desculpem) completo, não investigava, apenas relatava o que não apurara. O “novo delegado”, atravessa a mesma estrada da incompetência, e não paga pedágio ao cidadão-contribuinte-eleitor, que vê a televisão. A televisão faz parte da vida de todos, no mundo inteiro.

3 – O fato das delegadas terem vendido à TV Globo, a conversa que tiveram com o suposto assassino, (o goleiro Bruno), num avião oficial. (Já foram afastadas, ótimo. Mas isso é o mínimo).

O goleiro não deu ENTREVISTA, apenas desabafou, era a primeira vez que fazia isso. Não estava no avião por vontade própria, cumpria (JUSTA E LEGALMENTE?) determinação, bastante discutível e discutida.

O próprio juiz do Rio, que determinou a prisão do goleiro, retrocedeu, afirmou que era “incompetente”.

***

Ps – E finalmente a questão da publicação de matérias, com a explicação: “Tivemos acesso com EXCLUSIVIDADE”. Isso se repete, cada vez mais seguidamente.

PS2 – Não sou decididamente a FAVOR ou CONTRA essa publicação PAGA. Não estou (nem fico nunca) em cima do muro. É que a questão é polêmica e contraditória. Há um lado POSITIVO, o conhecimento do público. O lado NEGATIVO: o Poder do dinheiro, os mais ricos levam vantagem, dominam tudo.

PS3 – E finalmente a PRIORIDADE das PRIORIDADES: agressão de policiais a suspeitos, fato PROVADO e COMPROVADO, dizem que está sendo investigado. Mas o que aconteceu e está acontecendo, precisa, COM URGÊNCIA, ser trazido ao conhecimento de todos, sem EXCLUSIVIDADE.

PS4 – Não adianta FALAR e não MOSTRAR o que está ocorrendo. Se ficar em SIGILO, se transforma em rotina, hábito, costume, como nas ditaduras.

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