“Intrigas palacianas”: Mourão vê “incompreensão” e diz que parte dos assessores de Bolsonaro distorce fatos

Mourão disse que relacionamento com Bolsonaro é baseado em ‘lealdade’

Pedro Henrique Gomes
G1

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta sexta-feira, dia 4, que vê influência de “intrigas palacianas” no relacionamento com o presidente Jair Bolsonaro e que há assessores presidenciais que distorcem fatos. Mourão afirmou ver “incompreensão” desses auxiliares de Bolsonaro sobre o trabalho desenvolvido pela vice-presidência, mas ressalvou que o relacionamento com o presidente é baseado em ‘lealdade” e “disciplina intelectual”.

“Olha, em muitos aspectos sim. Em outros, muitas vezes, há uma certa incompreensão. Mas isso eu coloco sempre fruto, vamos dizer assim, das intrigas palacianas, que são comuns em todo e qualquer governo”, disse Mourão.

“INCOMPREENSÃO” – As declarações foram dadas em uma entrevista ao advogado Paulo Roque. Mourão foi questionado se julgava estar conseguindo ajudar o governo Bolsonaro. Perguntado sobre a tal “incompreensão” citada, Mourão fez referência aos assessores presidenciais.

“Muitas vezes a incompreensão de parte dos assessores do próprio presidente. Que procuram distorcer fatos e levar uma outra realidade em relação às ações que eu tenho procurado realizar”, declarou. Mourão disse que lida com as intrigas “da forma mais calma possível” para não “transformar esse ruído em algo muito maior do que ele é, um mero ruído”.

O vice-presidente afirmou ainda que considera que é “extremamente leal” nas atividades que desenvolve e “extremamente coerente na minha maneira de pensar e buscar assessorar o presidente”.

RELAÇÃO COM BOLSONARO – O vice-presidente afirmou que o relacionamento com o presidente é baseado na “lealdade” e na “disciplina intelectual” para entender e seguir as ideias do governo. “Esse é nosso relacionamento, é um relacionamento então baseado na lealdade e disciplina intelectual de forma que eu consiga efetivamente assessorar e auxiliar o presidente na difícil tarefa de governar o Brasil”, disse Mourão. Mas, recentemente, a relação entre Mourão e Bolsonaro foi marcada por declarações em sentidos opostos.

Em novembro, após vazar um estudo do Conselho da Amazônia que propunha expropriar terras de quem desmatasse, Bolsonaro ameaçou demitir quem apresentasse a ideia “a não ser que essa pessoa seja ‘indemissível”.

VACINA – Em outubro, Mourão contrariou Bolsonaro, após o presidente dizer que o Brasil não compraria a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac. “Lógico que vai”, disse Mourão ao ser questionado sobre a compra da vacina em entrevista à revista ‘Veja’. O vice-presidente disse que polêmica sobre imunização é apenas ‘briga política’ com João Doria.

“Desde o início deste procedimento, advogados afirmaram e colocaram isso é de que o que se criou na época foi um monstrengo jurídico, que ao longo de 17 anos sequer teve condições de ter uma denúncia aprovada ou uma denúncia feita de modo satisfatório. É um peso, realmente, que tiro das costas no dia de hoje. São muitos anos à disposição, prestando todas as informações”, disse o líder do centrão.

2 thoughts on ““Intrigas palacianas”: Mourão vê “incompreensão” e diz que parte dos assessores de Bolsonaro distorce fatos

  1. Um bom adminstrador tem que ter perspicácia e competência para bem adminstrar e tirar o máximo dos seus sobordinados. Talvez, quem sabe, o seu Bolsonaro se tornaria um bom paraquedista se continuasse no exército ou até mesmo um bom oficial de cavalaria (a julgar pelo apego que ele demonstra por cavalos).
    A sua presidência, a julgar pelo seu desempenho até esta data, é bastante medíocre: o desemprego é elevado, o combate ao virus da covid está sendo vergonhosa e desastrosa, o meio-ambiente está relegado aos madeireiros fora da lei. Para piorar, ele é por natureza rude e antipático. O positivo é que o tempo passa apesar das desgraças e um novo dia sempre trás esperanças.

    • Rue des Sablons, sintético, perfeito e abrangente.
      Permita-me tentar temperá-lo com uma reflexão colhida da minha modesta experiência administrativa e anos de janela.
      O trabalho de uma equipe só será profícuo, eficaz e harmónico na medida em que objetivos claros, legais e positivos, junto com normas de trabalho e estratégias sejam definidos por um líder, que não precisará obrigatoriamente carismático, mas sim “exemplar e amigável”
      Saudações.

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