Invasão da floresta pelo crime organizado é a verdadeira ameaça à soberania nacional

Vale do Javari, região estratégica para o narcotráfico na Amazônia

Pedro do Coutto

Sem dúvida alguma, a jornalista Miriam Leitão, em artigo publicado no O Globo desta terça-feira, focalizou o verdadeiro ponto dramático que marca a invasão do crime organizado na Floresta Amazônica e nas áreas indígenas, incluindo uma facção de assassinos que acrescentam agora à lista de suas vítimas o jornalista inglês Dom Phillips e o indigenista brasileiro Bruno Pereira.

A comparação que Miriam Leitão faz entre esta dramática ameaça que evolui e as afirmações do general Paulo Sérgio Nogueira, identificando o processo eleitoral a cargo do TSE revela nitidamente a diferença enorme entre uma preocupação real do Exército brasileiro com a hipótese imaginária que se choca com os fatos.

REVELAÇÕES – Miriam Leitão assinalou que em meio à bruma que cerca a morte de Dom Philips e Bruno Pereira vão surgindo revelações que cada vez mais se completam e conduzem à certeza de que o que se passa na Amazônia é uma ofensiva não só pelo desmatamento, que já seria um crime hediondo, mas também pelos crimes de narcotráfico, violação de mulheres, saques a propriedades privadas e sobretudo a propriedade pública, que no caso cabe às Forças Armadas garantir em face da ramificação internacional contida no cada vez maior tráfico de entorpecentes e também o de armas.

As armas nas mãos de assassinos deveriam, como ressaltou a jornalista, preocupar o general Paulo Sérgio Nogueira, ministro da Defesa. Miriam Leitão, no O Globo de ontem, e André Trigueiro, na GloboNews, na noite de segunda-feira, destacaram firmemente o risco da ocupação de áreas do país pelo crime organizado com os seus tentáculos, ocupando uma área com a intenção de substituir o Estado.

Trigueiro foi quem recebeu primeiro a informação da morte do jornalista inglês e do indigenista brasileiro. Alessandra Sampaio, mulher de Dom Phillips, foi quem na madrugada forneceu a notícia a Trigueiro dizendo ter sido avisada por um alto funcionário da Embaixada do Brasil em Londres.

OBJETOS – No decorrer de segunda-feira, apareceram objetos  dos desaparecidos, mas os seus corpos não apareceram. Uma névoa de mistério ainda não dissipada, oculta os dois assassinatos.

A repercussão nacional e internacional tem sido imensa e vai aumentar ainda mais, seja pelo desaparecimento dos corpos, seja pela sua identificação mais de uma semana depois da ação dos assassinos.

SELIC PODE SUBIR – Reportagem de Clayton Castelani, Folha de S. Paulo de ontem, revelou a existência de expectativa que o Banco Central do Brasil e o Federal Reserve dos Estados Unidos elevem as taxas da Selic do Brasil e dos juros bancários nos EUA.

No Brasil, os juros, ontem, quando escrevi esse artigo, estavam em 12,75% ao ano, percentual que incide sobre uma dívida interna de R$ 6 trilhões. Como costumo dizer, o aumento de 1% em nosso país, na Selic, significa um comprometimento de mais de R$ 60 bilhões. Mas esse número e seus efeitos não preocupam o ministro Paulo Guedes, da Economia. Tanto assim, que ele nada diz sobre esse processo.

REAJUSTE – O que preocupa o Ministério da Economia é o aumento dos servidores federais da ordem de 5%, representando R $16 bilhões. Alguns comentaristas sustentam que a porcentagem maior da Selic é para combater a inflação. Uma farsa patrocinada pelo silêncio de grandes especialistas na matéria financeira.

O aumento da Selic é para permitir a colocação no mercado dos títulos do tesouro que lastreiam a dívida interna. Compreende-se que os papéis só podem ter aceitação se os juros embutidos neles superarem a inflação do país. Com a inflação de 12% ao ano, a rentabilidade dos grandes bancos, dos fundos de investimentos e dos fundos de pensão das empresas estatais não podem perder para o índice inflacionário. No Brasil só quem pode perder para a inflação são os assalariados.

CRIPTOMOEDAS –  Reportagem do Financial Times, de Londres, publicada na edição de ontem da Folha de S. Paulo, revela que o mercado de bitcoins desabou na segunda-feira numa escala de 20% em apenas um dia, consequência da empresa Celsius, credora de criptomoedas, ter bloqueado o resgate dos depósitos por parte dos detentores dos créditos digitais.

A empresa alegou condições extremas de mercado. O fato serve como exemplo, digo, de propaganda no Brasil oferecendo rentabilidades mais altas a aplicações de capital e estabelecimentos sem maior base financeira. Em muitos casos, os investidores em potencial devem considerar que ao tentarem o resgate vão sofrer um corte enorme no valor investido. E, em muitos casos, o valor investido passa a ser igual a zero.

É muito fácil no Brasil vender-se uma empresa por preço baixo, transferindo-se o passivo alto para alguém inexequível. Os casos se repetem e fica tudo por isso mesmo.

AÇÕES DA ELETROBRAS – Matéria de Letycia Cardoso, O Globo de ontem, revelou que no primeiro pregão da Bovespa, o valor das ações ordinárias da Eletrobras desceu 2,2%, fechando a R$ 40,1. Já as ações preferenciais sem direito a voto, caíram 0,8%, fechando em R$ 38,39. Já em Nova York, os recibos de ações, no caso das ordinárias, recuaram 4,5%.

Para Vicente Koki, analista do setor de energia da Mirae Asset, o resultado reflete um comportamento em grupo, não especificamente contra a Eletrobras, mas que atingiu o mercado de ações em geral.

Também no O Globo, Letycia Cardoso analisa o panorama de Nova York e sustenta que o temor de um juro maior nos Estados Unidos causou a queda do mercado acionário.

NOVAS REGRAS –  No Estado de S. Paulo, edição de segunda-feira, Marlla Sabino, Ludmila Rocha e Luciana Collet, publicaram reportagem muito importante sobre as novas regras de concessão das hidrelétricas brasileiras. Num primeiro lance, vão ser relacionadas 22 hidrelétricas.

O processo é o seguinte: vão ser firmados novos contratos de concessão permitindo que essas usinas possam vender energia a preços de mercado no sempre chamado ambiente de comercialização livre. Nos novos contratos, uma parte sairá do atual regime de cotas que só remunera a operação e no qual não está incluído o risco hidrológico para o regime de produção independente, transferindo esse risco para os consumidores.

Sobre a privatização, o comando atual da Eletrobrás, ainda não substituído pelo novo controle acionário, baixou essas normas tarifárias que causam surpresa justamente porque garantem um prazo de 30 anos para as novas concessões, que na verdade são renovações de concessões vigentes, permitindo a elevação tarifária.

APROVAÇÃO DO NOVO ICMS –  Reportagem de Fernanda Trisotto, Manoel Ventura e Alice Cravo, O Globo, focaliza com destaque o resultado da aprovação do novo ICMS para todos os estados no percentual de 17%. O projeto que terá a sua continuidade prevista por meio de matéria de Emenda Constitucional estabelece compensações para os estados.

Como a aprovação se deu sem resistências, vamos considerar que nos bastidores está acertada uma compensação federal que transforme o corte aparente em um lance tributário lucrativo. Em matéria política, uma nova face do problema das candidaturas estaduais surgiu. No O Globo, Bolsonaro queixa-se que o ex-líder do governo no Senado Fernando Bezerra não está citando o seu nome. É porque o candidato dele ao governo de Pernambuco tem o apoio de Lula da Silva.

10 thoughts on “Invasão da floresta pelo crime organizado é a verdadeira ameaça à soberania nacional

  1. Grande área da extensa floresta amazônica, se não toda, já perdeu a soberania nacional. Pode até continuar sendo chamada de Brasil. Mas o Estado brasileiro perdeu o comando sobre a área. Passou a ser um outro país dentro do Brasil.

    E a tragédia acontece pelo garimpo e pesca criminosas porque ilegalizadas, pelo narcotráfico, pela derrubada das árvores, pela caça aos animais, abandono dos povos indígenas jogados à própria sorte e também vitimados pela violência.

    É o poder das armas, o poder da força acabando com o poder do Direito, o poder da legalidade e o poder da autoridade constituída.. É vitória da criminalidade, da violência.

    E neste imenso pedaço do Brasil, sobre o qual o Brasil não manda mais em razão da mais completa ausência dos agentes da lei, da segurança pública, da defesa do nosso território contra os inimigos internos e invasores externos, o desaparecimento do agente da Funai e do jornalista inglês deve ser debitado ao Estado brasileiro. Justamente pela sua ausência através das forças, civis e militares, de segurança.

    A responsabilidade civil que recai sobre o Poder Público no tocante ao dever de indenizar o dano que seus agentes, por ação ou omissão, causarem a terceiros, a responsabilização é objetiva. E sendo objetiva, dispensa a apuração da culpa. Basta a presença da relação de causalidade, entre o dano e a ação ou omissão do Poder Público. Assim está previsto na Constituição Federal (artigo 37, parágrafo 6º).

    Portanto, se as mortes, de um e/ou de ambos forem confirmadas, suas famílias têm o prazo de cinco anos para ingressar na Justiça Federal de primeira instância com ação reparatória de dano. E a União, ré no processo, perderá a causa, por ser causa indefensável para o Estado brasileiro

    .E a União (Estado brasileiro) será obrigada a pagar pensão vitalícia aos dependentes dos vitimados, cumulada com uma verba a título de dano moral cujo valor somente o Judiciário pode fixar.

    Não há excludente de responsabilidade civil que possa livrar a União da condenação. O que saiu da boca de Jair Bolsonaro, na condição de presidente da República, releva repugnante ignorância, seja no tocante à relação social, no tocante à nobreza com que deve agir quem seja presidente de um país, seja no tratamento que os vitimados e seus familiares merecem ter, e seja no tocante à lei maior do país. Jair disse que o agente da Funai e o Jornalista seriam dois “aventureiros”. Ou seja, colocou a culpa em ambos.

    Mas a culpa é do governo federal que desde 1ºde Janeiro de 2019 Jair preside. E Jair nada fez para proporcionar maior segurança à Amazônia. Ao contrário, tudo fez para deixa-la ao abandono, ao comando do crime organizado, a criminosos brasileiros e estrangeiros. São fatos públicos e notórios e que dispensam comprovação.

    Mas o governo Jair Bolsonaro não é o único culpado. Suas ações e omissões no comando da Nação só fizeram piorar o que estava ruim. Mas não tão ruim, visto que a Funai e outras organizações governamentais, Ongs e outros organismos nacionais e internacionais agiam para o bem da Amazônia, tanto a Amazônia brasileira quanto ao território amazônico fora do Brasil.

    O drama do desaparecimento do agente da Funai e do jornalista inglês mostra ao mundo, à todas as Nações, a situação de toda a Amazônia. E a constatação é a de que o território brasileiro diminuiu de tamanho. E a diminuição é irreversível. Parte dele, localizado na Amazônia não é mais Brasil. É um outro estado, clandestino e criminoso, encravado no território da República Federativa do Brasil..

  2. Este imoral e absurdo fato que ocorreu na Amazônia, Escancara de vez, a incompetência, negligência, imprudência e inércia
    das nossas Forças Armadas e de todos outros Órgãos incumbidos de defender e garantir a segurança da nação e de seus habitantes.
    Assombra a antimoralidade destas Instituições e de seus líderes, e me deixa estupefato, quando imagino em que mãos a nação e seu povo se encontra. O Presidente do CNAL, o Gen. Hamilton Morão concentrou nas FA todos Projetos de Politica Pública para Amazônia e acelerou o desmonte do órgãos civis de combate aos crimes ambientais, Ibama, Funai e o INPE passaram atuar sob orientação da hierarquia militar.
    Impossível que nossas Forças Armadas, bem como,o poder Executivo e o Congresso, não terem conhecimento do poder paralelo que foi implantado na quela região pelo narcotráfico, garimpeiros, grileiros, extratores ilegais de madeira e contrabandista, como vem lardeando tais líderes. Em um jornal da Globo, o ex Superintendente da PF na Amazônia, que foi exonerado do Cargo, depois de denunciar o contrabando ilegal de madeira, denunciou vários parlamentares, inclusive citou os nomes, que são representantes destes criminosos no Congresso
    Este lamentável fato ocorrido na Amazônia, só está sendo investigado devido pressão internacional, se não houvesse, este crime seria somente mais um, no meio de milhares de outros.

  3. Não acho que seja uma grande ameaça á segurança nacional – acho que é um problema que deve ser enfrentado imediatamente com prioridade. Basta o governo usar seu exército e pessoal da área que se resolve o problema. O que acontece é que temos maus cidadãos vendidos ao crime em posições de decisão. E um povo que não mais se orgulha da própria nação.Tornamo-nos mansos, pequenos, medíocres.

  4. Basta. Os psicopata$ já foram longe demais. Se teimarem com isso vamos quebrar tudo e todos no cacete, paciência e passividade têm limites. Água e oxigênio são inalienáveis, posto que vitais para a vida humana, fauna e flora. E PRIVATIZÁ-LOS É COISA DE PSICOPATA$, sem limite$ e sem sensibilidade humana nenhuma. Rezemos e oremos para que Deus tire das nossas vidas de cidadãos e cidadãs todos os e as psicopatas, loucos por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, que operam à moda todos os bônus para ele$ e o resto que se dane com os ônus, arvorados em representantes do povo no poder, posto que são ele$ a desgraça maior da Humanidade. E que Deus despache tb junto com os me$mo$ os seus cabos eleitorais, cuecas e calcinhas, fantasiados de comentaristas de tv, rádio e jornais que têm a cara de pau de dizer através dos seus veículos de enganação que o estado de coisa$ e coiso$ que aí está, há 132 anos, tipo sistema apodrecido, não pode ser mudado, insinuando que às vítimas do dito-cujo resta apenas morrer igual carneiro: calado e derramando lágrimas. Melhor dizendo, no caso destes, conservadores da cocôlândia, que Deus mande-os além da TMK, ou seja, para o inferno, porque é lá que é o local mais adequado para os comentários dos me$mo$. https://economia.uol.com.br/colunas/2022/06/15/marco-hidrico-de-bolsonaro-privatiza-as-aguas-brasileiras.htm?fbclid=IwAR3D0AR-OPDI1kSz7bmUW8AHlcuRordERwS_pg7hfoWps-EZ7VlNYHqeqCQ

  5. As ongs no seu início tinham um objetivo social. Depois foram dominadas por oportunista,em especial no governo do pt, isto virou rotina. Em especial a região Amazônica neste período foi complemente dominada por esta praga.

  6. Esse negócio de baixar impostos, sem contrapartidas, de forma bastante simplista, já foi tentado uma vez e deu no deu. Dilma até hoje é execrada por isso, pois tal medida piorou em muito a situação fiscal do Brasil.

    E agora, numa jogada eleitoreira desesperada e à revelia de estados e municípios que perderão receitas, estão sendo aprovadas permanentemente essas medidas.

    Uma reforma tributária justa e equilibrada nem pensar.

    E quem vai sofrer mais com os efeitos colaterais da consequente perda de receitas? Claro que a população que depende dos serviços públicos gratuitos, como saúde e educação.

  7. Algo deve ser feito com urgência, para estancar a situação de faroeste tupiniquim, na riquíssima região amazônica. Em busca do ouro e da riqueza fácil, migraram para a área do Rio Javari, traficantes, milicianos, pistoleiros, o pior da alma humana. Vicejam ali, verdadeiros assassinos cruéis, sem humanidade, sem alma, sem respeito a Lei.
    Uma tristeza imensa, a omissão do Estado.
    O desaparecimento das vítimas está envolto de um obsequioso mistério. A verdade está longe de ser esclarecida. As investigações e os dados objetivos são sonegados do distinto público.
    A que ponto o Brasil chegou.

  8. A privatização da Eletrobrás, tocada a toque de caixa, trará um prejuízo colossal para a sociedade brasileira. O preço da energia vai aumentar e os lucros dos controladores será astronômico. o valor da venda das ações entrará pelo ralo dos subsídios à gasolina e ao Diesel.

    E o ministro vai a um evento em São Paulo discursando em inglês, no meio ao palavrório em português. Beging along investiment. Para dizer que o Brasil iniciou uma jornada rumo aos investimentos e crescimento da Economia. Nunca ouvi, nada mais bizarro na história do Brasil, dito por uma autoridade da Economia.

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