Inversão de expectativas na equipe econômica de Dilma

João Bosco Rabello
Estadão

O caminho escolhido pela presidente Dilma Rousseff, com as nomeações de Joaquim Levy e Nelson Barbosa, para a Fazenda e Planejamento, respectivamente, parece indicar a priorização da defesa de seu mandato sobre as preferências do PT.

Por isso, não chega a surpreender que a maior resistência à nova equipe econômica seja do seu partido e a repercussão positiva do mercado tenha calado a oposição. A receita para a saída da crise econômica é ortodoxa e, portanto, nada mais coerente que as escolhas recaiam sobre esses perfis.

Não é por acaso, que as críticas da oposição se concentram na incoerência entre o discurso de campanha da presidente reeleita e as escolhas de Levy e Barbosa. Do ponto-de-vista técnico, Dilma fez o que negava e o que a oposição pregava: achou a sua versão Armínio Fraga.

Restou à oposição, nesse caso, focar no estelionato eleitoral caracterizado pela prática de governo que desmente o discurso de campanha. O anúncio de Armínio Fraga por Aécio Neves, produziu uma peça de campanha em que os juros aumentariam, o Bolsa-Família seria extinto, faltaria comida à mesa dos brasileiros mais pobres e os bancos públicos seriam sufocados pela banca privada.

É natural que a oposição se sinta indignada e que reaja assim. Não é natural que esse discurso encontre sintonia no PT, o que faz da grita do partido contra os dois economistas, um indicativo de que pretende se manter na linha populista, apesar dos resultados econômicos desastrosos e do sentimento antipetista em todo o país.

IGUAL A LULA

Deliberadamente ou não, o discurso crítico do partido cumpre o papel de fixá-lo à esquerda para uma militância cada vez menor e mais desanimada, enquanto o governo cumpre uma pauta conservadora. De resto, nada diferente do que fez o ex-presidente Lula em seus dois mandatos.

A diferença agora é que Lula está com o partido, o que amplifica sua força de pressão junto à presidente – menos por questão ideológica e mais pelo interesse em voltar em 2018, meta só viável se houver o resgate da economia e da credibilidade do segmento investidor.

Nesse caso, Lula funciona como um poder moderador entre Dilma e o partido, apoiando a opção conservadora na economia, e até patrocinando-a com a sugestão de nomes -, mas ao mesmo tempo mantendo a dependência da presidente em relação à sua liderança na legenda para controlar o “fogo amigo”.

REFÉM DO PT

O cenário deixa mais nítida a equação do segundo mandato, em que o êxito de Dilma será tanto maior quanto menos refém ficar do PT. Não só pela pauta ideológica jurássica do partido, mas também pelo enredo de corrupção em que está metido, que não se esgota com o chamado “petrolão”, e que ameaça atingir novamente lideranças partidárias, como no mensalão.

Dilma lutará para ficar fora do enredo, embora conspire contra ela a dupla condição de ministra da Casa Civil e presidente do Conselho da Petrobrás à época em que os desvios de recursos foram executados, em benefício até mesmo de sua campanha presidencial.

São cenários difíceis que a presidente terá de percorrer, em uma travessia inconciliável com as restrições que o PT pretende impor. Dilma terá que distensionar o ambiente político e econômico e não o fará se desconsiderar a insatisfação da metade do país que votou contra sua reeleição, para atender ao projeto falido de poder de um partido, no qual não tem historicidade.

2 thoughts on “Inversão de expectativas na equipe econômica de Dilma

  1. Uma coisa é disputar a Eleição Presidencial tentando a Vitória, outra é Administrar um País com Duplo Deficit ( Fiscal onde o Governo gasta muito mais do que Arrecada em +- 5% do PIB ou R$ 250 Bi/Ano, e Balanço de Pagamentos Internacional, onde saem do País cada Ano, muito mais Riquezas do que entram, +- US$ 100 Bi/Ano, tudo isso com viés de alta).
    Se o novo Ministro da Fazenda ( Czar da Economia ) não começar a concertar a situação, Reduzindo Despesas Públicas, aumentando a Carga Tributária, sim porque infelizmente precisa aumentar, principalmente nos Impostos de Consumo, mexendo corretamente no Câmbio (Desvalorizando um tanto o Real), deixar de interferir maciçamente nos Mercados, etc, etc, logo o Brasil perde seu GRAU DE INVESTIMENTO de seu Crédito, queima toda as suas Reservas em +- 3,5 anos, e depois INFLAÇÃO da braba.
    Crescimento lento em 2015 e 2016, para começar a melhorar em 2018.

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