Investigação indica que a Diretoria de Geotecnia causou rompimento da barragem

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Saliba, diretor de Geotecnia, é o principal foco da investigação

Carlos Newton

Reportagem do jornal O Tempo, de Belo Horizonte, revela que a Polícia Federal em Minas Gerais concluiu, no início da madrugada deste sábado (2), os interrogatórios dos engenheiros presos na operação da última terça-feira, suspeitos de terem cometido irregularidades na fiscalização da barragem Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho.  Os depoimentos possuem alto teor técnico e abordam, principalmente, questões sobre o trabalho de vistoria e relatórios feitos sobre a barragem.

Diz o jornal que integrantes da PF que fazem parte das atividades de investigação passaram a acreditar que a responsabilidade pela tragédia partiu da diretoria de Geotecnia da Vale, além da presidência da empresa, que supervisiona os trabalhos dos diretores.

MAIOR SUSPEITO – Ao citar a diretoria de Geotecnia, os delegados federais estão se referindo ao diretor de Estratégia, Exploração, Novos Negócios e Tecnologia, Juarez Saliba de Avelar, já mencionado antes aqui na “Tribuna da Internet”, com absoluta exclusividade, como um dos responsáveis pela tragédia de Brumadinho.

Recorde-se que, depois da tragédia de Mariana, ocorrida em novembro de 2015, o engenheiro Fábio Schvartsman foi aprovado para presidir a companhia e seu lema ao tomar posse foi “Mariana nunca mais”. Um de seus primeiros atos foi nomear Saliba como assessor especial, encarregado de avaliar o risco de todas as barragens.

Seu trabalho foi tão aplaudido por Schvartsman que rapidamente Saliba acabou se tornando diretor da empresa e lhe foram concedidos amplos poderes.

PUNIÇÃO – Assim, a reportagem de O Tempo confirmou as denúncias que vêm sendo feitas aqui na Tribuna da Internet, com absoluta exclusividade. As investigações se concentram nas atuações do diretor Juarez Saliba de Avelar e do presidente Fábio Schvartsman, que desde a tragédia, no dia 25 de janeiro, vem insistindo na tese de que a barragem do Córrego do Feijão não tinha riscos, porque desde 2015 as atividades estavam inativas, o que não era verdade, pois a Vale mantinha centenas de empregados trabalhando no local, e mais de 300 deles morreram soterrados pela lama.

Por fim, diz o jornal mineiro que a investigação da Polícia Federal ainda não cita nomes de políticos, mas está havendo monitoramento de contratos que foram feitos entre empresas ligadas a parlamentares e a barragem em questão.

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P.S.
Conforme afirmamos aqui na TI, a Polícia Federal agiu acertadamente ao prender os engenheiros, que prestaram preciosos depoimentos e direcionaram as investigações. Mas o presidente e o diretor deveriam ter sido presos na mesma ocasião, para evitar que desfizessem provas. Note-se que as imagens feitas pelas câmaras da Vale não foram divulgadas pela Vale, mas por funcionários revoltados com a postura da empresa. A própria Vale é que deveria ter entregue essas imagens à Polícia Federal no mesmo dia da tragédia, para facilitar as investigações, mas não o fez, por motivos óbvios. (C.N.)

6 thoughts on “Investigação indica que a Diretoria de Geotecnia causou rompimento da barragem

  1. Destino dos irresponsáveis e agors responsáveis: indiciamento, julgamento e sentença por homicídio doloso. Nao menos que isso. Que seja rápido para que as barragens sejam vistoriadas de verdade e, se forem ameaças, que sejam tomadas as precauções necessarias e suficientes.

  2. CN, os engenheiros presos não faziam fiscalização da barragem. A TUV, uma empresa alemã emitiu um laudo de estabilização, há dois anos, o qual estava assinado por eles. Até prova em contrário a prisão foi absolutamente arbitrária e usada pela Juíza Rede Globo para auto-promoção.
    Uma pena que a Tribuna esteja dando uma de imprensa marrom.

  3. “Córrego do Feijão não tinha riscos, porque desde 2015 as atividades estavam inativas, o que não era verdade, pois a Vale mantinha centenas de empregados trabalhando no local, e mais de 300 deles morreram soterrados pela lama.”
    Os 300 empregados trabalhavam na mina. A lavra continuava normal. Os rejeitos eram depositados em outra represa, só que tinha uma represa inativa que não foi devidamente monitorada.

    • Desculpe, Ricardo Sales, não é isso que os moradores contam. A mina estava desativada e os moradores estranharam quando recomeçou a movimentação dos caminhões, antes de haver a licença da Secretaria do Meio Ambiente, que ocorreu em 11 de dezembro, e houve exigências não cumpridas.

      CN

  4. Na matriz a coisa é mais séria:

    “Um dos piores desastres ambientais da história dos Estados Unidos, o vazamento de petróleo no Golfo do México, em 2010, já custou à petroleira britânica BP, principal empresa envolvida, mais de US$ 65 bilhões (R$ 238,5 bilhões) – e a conta continua a aumentar.

    Após o acidente, a empresa teve sua avaliação rebaixada por agências de risco, viu suas ações despencarem e teve de vender bilhões de dólares em ativos. No auge da crise, sua sobrevivência chegou a ser colocada em dúvida.”
    (BBC)

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