Investigação mostra que dinheiro vivo é uma marca registrada da família Bolsonaro

Ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, Ana Cristina Valle Foto: Custódio Coimbra /28-11-2017

Ana Cristina, a mulher 02, colocava os parentes na rachadinha

Filipe Vidon
O Globo

A advogada Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, também teve os sigilos bancário e fiscal quebrados na decisão que atingiu o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do mandatário. O Ministério Público do Rio (MP-RJ) investiga a suposta existência de funcionários fantasmas no gabinete do parlamentar e a prática de “rachadinha” — ela foi chefe de gabinete dele na Câmara de Vereadores entre 2001 e abril de 2008. A informação é do portal UOL.

Ao todo, 27 pessoas e sete empresas foram atingidas pela ordem judicial — a lista inclui parentes de Ana Cristina que também foram lotados no gabinete: Ana Cristina Valle, André Valle, Andrea Valle, Gilmar Marques. Marta Valle, Guilherme de Siqueira Hudson, Ananda Hudson e Monique Hudson.

AUDIO REVELADOR – O publicitário André Valle e a fisiculturista Andrea Valle são irmãos da ex-mulher do presidente. Um áudio revelado pelo UOL em julho mostra Andrea dizendo que devolvia 90% do salário no período em que trabalhou para o então deputado estadual Flávio Bolsonaro, irmão de Carlos.

Reportagem do GLOBO revelou em 2019 que a família Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares em 28 anos — a circulação de um mesmo nome entre vários gabinetes foi comum no período.

Na mesma gravação, Andrea disse que André Valle foi demitido do gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro porque não devolvia os valores combinados.

TUDO EM FAMÍLIA – Ainda constam da lista de sigilos fiscal e bancário quebrados pela Justiça Gilmar Marques, ex-marido de Andrea, e Marta Valle, cunhada de Ana Cristina. Marta foi assessora de Carlos entre 2001 e 2009, mas, em entrevista à Revista Época em 2019, disse que nunca havia atuado no gabinete.

O primo de Ana Cristina e ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro, Guilherme de Siqueira Hudson, também teve os sigilos quebrados, mesmos casos de sua mulher, Ananda Hudson, e sua cunhada, Monique Hudson. Os três constavam como assessores de Carlos, mas sempre moraram em Resende, no sul do Estado do Rio, elas duas cursavam ensino superior na cidade no mesmo período em que estavam nomeadas na Câmara.

Em fevereiro de 2020, O GLOBO revelou que Guilherme de Siqueira Hudson e o pai, o coronel Guilherme dos Santos Hudson, estiveram o no gabinete de Carlos Bolsonaro no dia 30 de outubro de 2019. Na semana seguinte, Guilherme dos Santos Hudson foi prestar depoimento ao MP-RJ.

REPORTAGEM – A investigação dos promotores começou a partir de reportagem da Revista Época que revelou que Carlos empregou sete parentes de Ana Cristina Valle. Dois admitiram à reportagem nunca terem trabalhado para o vereador, embora estivessem nomeados. Segundo levantamento, o parlamentar empregou no total 17 pessoas com laços familiares no gabinete na Câmara do Rio, desde 2001.

Os assessores do gabinete suspeitos de serem funcionários “fantasmas” foram divididos pelo MP-RJ em seis núcleos, e um deles é formado justamente por parentes de Ana Cristina Valle.

Em documento obtido pela GloboNews, os promotores citaram o modus operandi da “rachadinha”, também detectado no gabinete do então deputado estadual do Rio Flávio Bolsonaro, alvo de uma denúncia do Ministério Público. A prática, segundo a investigação, está associada a saques de dinheiro em espécie das contas dos assessores fantasmas, depois repassado a funcionários de confiança responsáveis pela arrecadação. O dinheiro acaba sendo utilizado para pagar despesas ou adquirir bens para o parlamentar.

FLAGRADA PELO COAF – Ana Cristina também foi alvo de comunicações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento revela que, durante o período em que esteve lotada no gabinete de Carlos Bolsonaro, ela recebeu “depósito de elevadas quantias de dinheiro em espécie em sua conta bancária”.

Entre os registros, estão um depósito de mais de R$ 191 mil em março de 2011, e outro de mais de R$ 341 mil em julho do mesmo ano. O documento ainda destaca que Ana Cristina tinha um saldo de R$ 602 mil, apontado pelo Coaf como incompatível com a renda dela.

Há ainda um repasse de R$ 30 mil que Ana Cristina recebeu de uma tia, na época em que a parente ocupava cargo comissionado no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa, movimentação semelhante à da “rachadinha”. Com base nas informações, a investigação aponta “indícios de lavagem de dinheiro”.

DINHEIRO VIVO – Os investigadores dizem que a elevada movimentação em espécie sugere que Ana Cristina Siqueira Valle seja a destinatária dos salários pagos a parentes dela, que foram indicados para trabalhar no gabinete de Carlos Bolsonaro.

Os promotores afirmam que só depois da análise das quebras dos sigilos será possível quantificar, com precisão, o volume de recursos supostamente desviados dos cofres públicos.

23 thoughts on “Investigação mostra que dinheiro vivo é uma marca registrada da família Bolsonaro

  1. O empresário Marcelo Odebrecht disse em depoimento ao juiz Sérgio Moro que destinou milhões para o “amigo”, codinome referente ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Primeiro, ele cita o depósito de R$ 35 milhões; depois, fala em R$ 40 milhões. A conta, diz Odebrecht, era gerida pelo ex-ministro petista Antonio Palocci (ouça acima).

    “O que eu combinei com o Palocci foi o seguinte: essa é uma relação minha com a presidência do PT no Brasil. Então, eu disse: vai mudar o governo, vai entrar a Dilma [Rousseff]. Esse saldo passa a ser gerido por ela, a pedido dela. A gente sabia que ia ter demandas de Lula, a questão do instituto, para outras coisas. Então vamos pegar e provisionar uma parte desse saldo, aí botamos R$ 35 milhões no saldo ‘amigo’, que é Lula, para uso que fosse orientação de Lula”, afirmou o delator.

      • Não; não é nada disso.
        O lula é ladrão; e nós só votamos no Bolsonaro, porque ele é menos pior que o lula.

        E na próxima eleição nós vamos reeleger Bolsonaro, porque ele além de continuar sendo menos pior que o lula, ele é defensor da democracia e da total liberdade democrática; lembre que o lula vai implantar uma censura (controle dos médios).

        PS: É logico que eu vou esperar até o ultimo minuto para reeleger Bolsonaro; vai que vocês resolvem colocar um nome real nessa conversa fiada de “terceira teta”..

  2. MPF abre inquérito para investigar US$ 80 milhões da JBS para Lula e Dilma

    A Procuradoria da República do Distrito Federal instaurou inquérito para investigar o suposto repasse de US$ 80 milhões do Grupo J&F para os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do Partido dos Trabalhadores. A investigação é um desdobramento do acordo de colaboração premiada firmado pela Procuradoria-Geral da República e executivos do Grupo J&F, dono da JBS.
    O Procedimento Investigatório Criminal (PIC) foi instaurado pelo procurador Ivan Marx porque o desmembramento promovido pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), baseou-se na conexão dos fatos narrados pelos delatores com a Operação Bullish. Deflagrada em 12 de maio, a operação mirou os aportes bilionários do Banco Nacional de Desenvolvimento (Bndes) nas empresas do Grupo J&F.
    Na delação, Joesley Batista narrou que, em 2009, foi criada uma conta para receber os repasses relacionados a Lula e, no ano seguinte, outra foi aberta para envio de valores relacionados a Dilma. O empresário revelou que, em dezembro naquele ano, o BNDES adquiriu de debêntures da JBS, convertidas em ações, no valor de US$ 2 bilhões, “para apoio do plano de expansão”.
    “O depoente escriturou em favor de Guido Mantega, por conta desse negócio, crédito de US$ 50 milhões e abriu conta no exterior, em nome de offshore que controlava, na qual depositou o valor”, relatou Joesley.
    Segundo o empresário, em reunião com Mantega, no final de 2010, o petista pediu a ele “que abrisse uma nova conta, que se destinaria a Dilma”. Nesse momento, disse o delator, foi perguntado a Mantega se Lula e Dilma sabiam do esquema. “Guido confirmou que sim”, disse ele.
    Em outro caso, Joesley declarou que foi feito um financiamento de R$ 2 bilhões, em maio de 2011, para a construção da planta de celulose da Eldorado. O delator disse que Mantega “interveio junto a Luciano Coutinho (então presidente do Bndes) para que o negócio saísse”.
    O empresário declarou que depositou, “a pedido de Mantega”, por conta desse negócio, crédito de US$ 30 milhões em nova conta no exterior. “O depoente, nesse momento, já sabia que esse valor se destinava a Dilma; que os saldos das contas vinculadas a Lula e Dilma eram formados pelos ajustes sucessivos de propina do esquema Bndes e do esquema-gêmeo, que funcionava no âmbito dos fundos Petros e Funcef; que esses saldos somavam, em 2014, cerca de US$ 150 milhões.”
    Em outra ocasião, em novembro de 2014, Joesley disse que “depois de receber solicitações insistentes para o pagamento de R$ 30 milhões para Fernando Pimentel, governador eleito de Minas Gerais, veiculadas por Edinho Silva (tesoureiro da campanha de Dilma em 2014), e de receber de Guido Mantega a informação de que ‘isso é com ela’, solicitou audiência com Dilma”.
    “Dilma recebeu o depoente no Palácio do Planalto; que o depoente relatou, então, que o governador eleito de MG, Fernando Pimentel, estava solicitando, por intermédio de Edinho Silva, R$ 30 milhões, mas que, atendida essa solicitação, o saldo das duas contas se esgotaria; que Dilma confirmou a necessidade e pediu que o depoente procurasse Pimentel”, narrou aos investigadores.
    As defesas dos ex-presidentes Lula e Dilma foram procuradas, mas ainda não se pronunciaram sobre a abertura do inquérito.

  3. E detalhe.
    Tem muito mais gravidade do que está sendo focado.

    Não é apenas funcionários nomeados para o gabinete que destinam seus salários (ou maior parte) para os cabeças do negócio das rachadinhas da familícia Bolsonaro (1 gravidade)

    Mas ainda que o salário de qualquer funcionário público é uma contraprestação pelos serviços.
    Que serviços eles teriam supostamente realizados?
    Será que conta o ato de transferir o salário (ou parte)?

    Alguém acredita que uma pessoa que transfira todo ou a maior parte do salário tenha prestado algum serviço cumprindo carga horária de 40 horas semanais?
    Então temos um claro caso de fraude, ilícito administrativo e criminal. Nomeação de pessoas para apenas repassar os salários. Sem contraprestação. (Gravidade 2)

  4. Todas as vezes que uma reportagem mostra a ROUBALHEIRA da familícia BROXAnaro – imediatamente “chove” comentários de falcatruas de outros ladravazes… Cortina de fumaça? O velho argumento: “se outros roubam…”

    PS. Isso pode funcionar com o gado BROXAnarista ou lullista, com quem tenha pelo menos dois neurônios funcionais não cola.

  5. Quem pensa que ladrão e corrupto tem bandeira, cor ou partido, não passa de um otário. A única diferença entre eles é a forma de se corromper e roubar, mais elaborada ou menos, mais quantidade ou menos quantidade. Essa última diferença devirre apenas do tempo no poder.

  6. Sim, isso mesmo.
    A velha justificativa de um erro compensar o outro ou, neste caso, se um roubou por que o outro não pode?

    Se o pessoal ainda não se deu por conta, nas últimas décadas apenas avaliamos nossos presidentes através de quem roubou menos ou aquele que pior deixou o povo ao fim do seu mandato.

    Invariavelmente as postagens que tentam justificar o que seria imperdoável resgatam os mesmos delitos, comprovação tácita que não existem no Brasil os exemplos positivos, porém tão somente ilicitudes, desonestidade, corrupção e incompetência.

    E, o pessoal a serviço dos criminosos, sem qualquer pudor se utiliza desse expediente que deveria até envergonhá-los, menos explicar o comportamento lesivo, nefasto e nocivo contra o povo e país!

    Convenhamos, mas a decadência ética e moral de nossas autoridades não só é um fato, como tem sido a característica dos poderes constituídos há muito tempo, mormente o executivo e legislativo, que fizeram desta nação um feudo.

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