Investigações constrangem funcionários da Petrobras

Natuza Nery
Folha

“Para onde vamos?”, perguntou o motorista do táxi no Rio. “Para a Petrobras”, respondeu o funcionário de carreira da estatal. “Você está roubando lá também?”, devolveu o condutor, com ironia.

O diálogo causou tamanha indignação que o passageiro pediu que a corrida fosse interrompida imediatamente. A história circula nos corredores da sede da estatal.

O passageiro não é identificado, e não se sabe se o episódio ocorreu exatamente como os funcionários dizem. Mas a história se transformou num símbolo do desgaste sofrido pela empresa desde que a Polícia Federal deflagrou a Operação Lava Jato.

Trata-se do maior escândalo vivido pela companhia e seus 86 mil funcionários. Para muitos, sobretudo os mais velhos, o orgulho de trabalhar para a empresa deu lugar para o constrangimento.

CELULARES RECOLHIDOS

Há poucos dias, auditores recolheram os telefones celulares da presidente da estatal, Graça Foster, e dos demais integrantes da cúpula da empresa para copiar todo o conteúdo dos aparelhos, incluindo arquivos pessoais.

A ordem era não apagar nada antes de entregar o telefone. “Vão se divertir com os meus vídeos”, disse à Folha um gerente que diz ter cumprido a determinação.

Os auditores confortaram os mais preocupados com sua privacidade dizendo que o sistema que varre o conteúdo dos aparelhos usa palavras-chave para evitar mensagens de caráter íntimo.

Amigos dizem que Graça Foster se fechou desde o início do escândalo e age como se não confiasse em ninguém. Ela determinou que contratos sejam analisados com lupa para evitar novos desvios e autorizou circular interna proibindo que todos os papéis, anotações, documentos e arquivos fossem destruídos.

CHOROU NO PREJUÍZO

Auxiliares, porém, dizem que ela está abatida, e citam um episódio de 2012 para ilustrar a relação atávica que Graça tem com a companhia. Lembram que, naquele ano, ela chorou ao anunciar prejuízo no balanço da empresa.

Agora, depois que o ex-colega de diretoria Paulo Roberto Costa foi preso e as investigações começaram a revelar a extensão do esquema de corrupção na estatal, Graça voltou a ficar com a voz embargada ao depor à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga o caso.

“Quando a gente lê sobre operações criminosas, nós ficamos muito envergonhados só com as suspeitas”, disse ela com os olhos marejados.

VERGONHA

Como costumava dizer o ex-diretor Guilherme Estrella, um veterano que se aposentou recentemente, a Petrobras era como um país e seu crachá, um passaporte para um Brasil que dava certo. Até pouco tempo atrás, os funcionários da estatal ostentavam com orgulho o crachá no pescoço.

Agora, porém, trabalhadores de diversos escalões dizem que, quando passam pela catraca do edifício-sede da empresa no Rio, jogam logo a credencial na bolsa ou no bolso antes de sair para a rua.

Um funcionário da empresa conta que um colega recentemente passou vergonha ao se candidatar a síndico do condomínio em que mora no Rio. Foi cortado da lista de postulantes ao cargo assim que os demais condôminos descobriram que trabalhava para a Petrobras, ele conta.

5 thoughts on “Investigações constrangem funcionários da Petrobras

  1. Se a indignidade atingiu tudo isto, nada mais justo do que os bons funcionários da Petrobrás, dando exemplo ao país, ajudarem na recuperação da imagem da empresa.
    E o primeiro passo deveria ser o coletarem assinatura para o esclarecimento de tudo e que os culpados fossem julgados e punidos, exemplarmente.
    Tenho dúvidas quanto ao amor à empresa e ao país! Chegariam ao ponto de agirem assim?
    Tomara que não sejam como boa parte dos brasileiros que fogem da verdade, assistem a tudo calados, e ainda acham que sempre roubaram a estatal como agora. E os tucanos queriam privatizá-la! Mas o PT a manteve nacional. Para um desfrute maior?
    Doze anos atrás a Petrobras era a alma do país, a menina dos olhos de todos nós.
    Hoje, é apenas uma empresas-prostituta, explorada por um bando de gigolôs!
    É a maior operação “mãos sujas” que produziram em nosso país. Nem os exploradores roubaram tanto, em tão pouco tempo.
    Se aqui tivéssemos a pena de morte, este seria um dos crimes que deveria levar as “cabeças” até ela!

  2. Constrangimento é saber que os órgãos responsáveis, agências reguladoras que tem por dever institucional e moral zelar, investigar, fiscalizar e punir quem pratica atos e crimes contra a administração pública e durante todos esses anos de esbórnia nefasta não cumpriram com seus deveres e obrigações exemplarmente, restando-lhes o descrédito e a dúvida fiel de serem cúmplices. O Congresso para esse final de ano promete encerrar suas atividades com uma placa….fechado para balanço!

  3. Por isso não, d. Natuza. Mineiro de BH, oriundo de Brasília, onde penei por mais de 32 anos, resido há cerca de sete anos em Torres-RS. Em qualquer lugar ou situação em que me apresentam como ex-morador de nossa empolgante capital, a primeira pergunta que me fazem é: “ROUBOU MUITO POR LÁ?”

  4. Ô d. Natuza, não precisava incluir essa descrição ridícula das lágrimas e da voz embargada da “graçafoster”. Parece matéria paga ou coisa plantada pela escumalha lulopetistapetroleira. Caraca, d. Natuza!

  5. DILMA LIVRA PETROBRAS OU PERDE O BONDE DA HISTÓRIA

    Os ataques entre petistas e tucanos (militantes ou “voluntários”) nas redes sociais dão ideia de que a campanha não encerrou, com foco maior nos escândalos da Petrobras e cada lado pondo culpa no outro, enquanto seus líderes maiores atuam para aquietar os ânimos a fim de que tudo continue como está porque no fundo se entrelaçam em duas décadas de desgovernos.

    A partilha de poder feita hipoteticamente para garantir “governabilidade” vem de décadas promovendo contratos bilionários entre o setor público e empresas, que nas eleições corroem a política financiando candidaturas à revelia dos partidos. Assim tem sido desde os mandatos de Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva até o atual mandato da presidente Dilma Rousseff, feita poste pelo antecessor e que agora reeleita pode se libertar dessa imagem aprofundando as investigações e pondo fim no loteamento político das estatais, pelo menos.

    Esta expectativa está delineada no site do PDT, na longa entrevista do físico Luiz Pinguelli Rosa, que não entra em disputas sem lógica ou noção e aponta os caminhos para superar a crise: “Na verdade, não dou muito crédito a isso, que um lado era bonzinho e o outro, mau. É natural que a defesa vá alegar essas coisas, isso faz parte do jogo. Mas nessa escala que está aí demonstrada, acho que é um processo viciado. A surpresa é ter chegado a tal ponto. Essa é a surpresa. Acho que é possível agir com mão forte, botar pingos nos is, afastar os caras, evitar essa protelação brasileira, de que tudo vai sempre sendo empurrado adiante e tal”, diz ele… http://www.pdt.org.br/index.php/noticias/pinguelli-precisa-acabar-o-loteamento-politico-nas-estatais

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