Investigar o irmão de Demóstenes Torres parece ser um ato apressado e exagerado

Carlos Newton

O Conselho Nacional do Ministério Público decidiu abrir um procedimento para investigar suposta participação do procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres, irmão do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), em esquema ilegal de exploração de jogos naquele Estado.

Não há nada de concreto sobre ele na Operação Monte Carlo, sua voz não aparece em nenhuma gravação, apenas seu nome é mencionado, mesmo assim será investigado, embora o próprio procurador-geral da República, Roberto Gurgel, avalie que ainda não existem elementos suficientes para afirmar que existem indícios da participação do irmão de Demóstenes no suposto esquema ilegal organizado pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

O nome de Benedito Torres surgiu em conversas telefônicas gravadas entre Demóstenes e Cachoeira, nas quais o empresário pede que o senador requisite ao irmão favores dentro do Ministério Público que beneficiaria o grupo de Cachoeira.

O irmão de Demóstenes, no entanto, não aparece nas gravações. Segundo Roberto Gurgel, o próprio Benedito enviou um pedido à corregedoria do Conselho para que os fatos relacionados a ele sejam apurados.

O procurador-geral também afirmou que o Conselho não abriu investigações paralelas para apurar a participação de outros promotores no suposto esquema ilegal organizado por Cachoeira. Segundo ele, as investigações irão analisar “o contexto como um todo”. “Não podemos, neste início, fragmentar para investigar A e B”, afirmou, ao dizer que as investigações estão em um momento inicial.

Bem, e se o irmão de Demóstenes não tiver nada a ver com as irregularidades, quem pagrá os danos à sua imagem? Quem se interessa?

Se o Ministério Público tivesse a mesma velocidade e eficiência para apurar fatos concretos, como o tráfico de influência de figuras como Erenice Guerra, José Dirceu, Antonio Palocci e Fernando Pimentel, por exemplo, este país já teria outro perfil. Mas o procurador Roberto Gurgel parece meio distraído quando se trata de políticos do governo, pois inocentou Palocci e não processou Erenice Guerra.

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