Investimento das estatais, incluindo Petrobras e Eletrobrás, é o menor dos últimos 20 anos

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Charge do Marcio Baraldi (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

É o que afirma o repórter Fábio Graner, “Valor” de quarta-feira, após analisar os dados fornecidos pelo próprio Ministério da Economia. Este ano estão sendo investidos 21 bilhões de reais, enquanto em 2008 foram aplicados 23 bilhões de reais. A redução decorre do fato da perspectiva de privatização da Eletrobrás e de privatizações de unidades da Petrobrás. O total de aplicações neste ano ficou inclusive ainda menor do que foi realizado, uma vez que os valores não foram corrigidos pela inflação do IBGE no biênio 2018/2019. A defasagem também não leva em conta que a população deste ano supera em 1% o total de habitantes no ano passado.

O aspecto demográfico é fundamental, pois o aumento da população se reflete na necessidade de planejar o país para o crescimento populacional. 

ESFORÇO MAIOR – Por isso, na minha opinião, o crescimento populacional exige sempre um esforço maior em relação ao que foi efetivado ainda no governo Michel Temer. Os números em cotejo referem-se ao período de agosto de 2018 a agosto de 2019. Mas acentuam uma tendência progressiva de restrição, uma vez que as estatais, embora lucrativas, não apresentam resultado positivo para arrecadação do Tesouro Nacional.

Também influi para o panorama de hoje a disposição do governo Bolsonaro de colocar em prática um programa de privatizações. No caso da Petrobras, inclusive, a questão é ainda maior, pois como maior acionista da empresa, a União deixa de receber a rentabilidade das ações da empresa no mercado nacional.

Para o economista Rodrigo Orair, do IPEA, as estatais estão refletindo a ideia governamental de reduzir seus patrimônios físicos. Tal impulso reflete por outro lado a ideia dominante do Ministério da Economia em diminuir a presença do Estado no panorama econômico brasileiro.

DÉFICIT PRIMÁRIO – De outro lado, matéria de Ribamar Costa, também no “Valor”, revela que o déficit primário das contas públicas neste ano será menor do que aquele registrado em 2014. O déficit primário, como os economistas se referem a ele, vai ficar na escala de 90 bilhões de reais. Mas esse resultado não fornece motivo para nenhuma comemoração. Porque o déficit é uma fantasia.

Resulta da comparação entre receita e despesa, sem incluir a rolagem da dívida interna que se eleva a 5,4 trilhões de reais. Sobre este total incidem a partir de outubro os juros anuais de 5,5% da nova taxa Selic. Portanto, a dívida real é o resultado da incidência de 5,5 sobre o total do endividamento.

Este é o panorama geral da economia brasileira. O governo não tem recursos porque não investe e não investe porque não tem recursos. A contradição verdadeira sintetiza uma situação de desequilíbrio financeiro.

4 thoughts on “Investimento das estatais, incluindo Petrobras e Eletrobrás, é o menor dos últimos 20 anos

  1. “Mas acentuam uma tendência progressiva de restrição, uma vez que as estatais, embora lucrativas, não apresentam resultado positivo para arrecadação do Tesouro Nacional.”.

    Será que não há um equívoco aí? Talvez tenha faltado o artigo “as” antes da palavra lucrativas. O Tesouro Nacional recebeu dividendos de uns 16 bi, segundo li.em fontes. Claro que há estatais deficitárias, então talvez o saldo final ,somando o resultado de todas as estatais, não seja positivo..

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