Investimentos de 90 bilhões são normais

Pedro do Coutto

Na Folha de São Paulo de domingo, reportagem de Marcio Aith e Agnaldo Brito revelou, com o destaque devido, que até abril o governo terá comprometido 90 bilhões de reais para licitar grandes obras públicas no país. Os números chamam atenção e, sem dúvida, embutem efeitos eleitorais. Tal propósito é claro e o presidente Lula não está inovando ou singularizando ações comuns a todas as administrações. Isso de um lado. De outro, exterminando-se os números verificamos que não são tão grandes assim. O programa de investimentos para este ano situa-se em torno de 80 bilhões no universo orçamentário superior a 1 trilhão de reais, pois esta é a lei de meios deste ano. A de 2010 pode ser um pouco maior, mas a percentagem relativa com 90 bilhões não representa uma adição super extraordinária. Menos que os 124 bilhões que o governo vai desembolsar em 2009 para rolar, ju8nto aos bancos, a dívida interna do país. Obras são necessárias. Para realizá-las é indispensável colocá-las em licitação e contratá-las. Projetando o programa de obras, na realidade, ninguém poderá dizer que o executivo está extrapolando de sua missão. Ao contrário, está cumprindo sua tarefa. Claro que os efeitos visando são voltados para fortalecer a ministra Dilma Roussef. Mas como impedir tal fato? Pela lei impossível. A oposição pode questionar politicamente. Mas não tem o poder de bloquear as ações oficiais. Até porque existe um executivo federal. Mas há vinte e sete estaduais, além de 5 mil e 500 prefeituras. Governadores e prefeitos também agem assim. Algo comum a todos.

Vale lembrar a respeito de tudo isso a carta de Dom Helder Câmara enviou ao deputado Carlos Lacerda, em 1955, que acusava a influência econômica e as máquinas do PSD e PTB como responsáveis pela vitória de Juscelino Kubitschek. A influência econômica lembrou, da mesma forma que o aliciamento, não são patrimônio de nenhum partido. São próprios a todos. Evidentemente, no caso atual é enorme o peso da máquina federal. Mas como evitar isso? Lula anuncia as obras, leva a seu lado a candidata previamente aprovada pelo PT, incluindo a aliança com o PMDB, fundamental para ampliar o tempo na televisão, e vai em frente. Estas são as regras do jogo. A oposição que busque seu caminho de forma convincente, até porque o seu principal nome, o governador José Serra,lidera as pesquisas realizadas até agora por margem expressiva.O emprenho de Lula pela Chefe da Casa Civil ainda não alterou esta supremacia.Pode mudar amanhã, mas este é outro caso.Seja como for, com máquina pública ou sem ela, as eleições de 2010 vão ser decididas no segundo turno. Aí o tempo de TV é igual e o embate será frente à frente.Seja qu7al for o resultado do primeiro, o desfecho será no segundo.

Não existem na verdade obras que garantam a vitória de candidatos oficiais. Se existissem, o poder não perdia eleição no mundo. Existem muitos exemplos a respeito do tema. No fundo da questão, predomina a lei dos grandes números. Influências aqui e ali se compensam.E é preciso levar em conta o mais importante de tudo: o desempenho pessoal dos candidatos. As máquinas administrativas são muito importantes. Valem muito.Mas seu valor é absoluto.

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