Itaú e Credit Suisse  : estagnação econômica é o maior obstáculo para Bolsonaro em 2022

Charge do Amarildo (agazeta.com.br)

Pedro do Coutto

Estudos do Itaú Unibanco e do Credit Suisse apontam a estagnação econômica e a retração do Produto Interno Bruto como os maiores obstáculos para a candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição nas urnas de outubro de 2022.

O risco de recessão aumenta com a inflação e com a alta de juros que está se tornando inevitável no mercado. O Itaú Unibanco e o Credit Suisse consideram que o PIB pode registrar um recuo de 0,5% até o final de 2021. Resultado péssimo, sobretudo porque a população brasileira cresce à velocidade de 1% ao ano.

ESTAGNAÇÃO – A taxa de natalidade é de 1,7% e a de mortalidade de 0,7%.  Carlos Kawall, ex-secretário do Tesouro Nacional e atualmente consultor da Asa Investments, projeta PIB estagnado (0%) em 2022. O cenário é muito ruim para a economia brasileira em 2021, afirmou. O quadro econômico, efetivamente, só pode tirar votos de Bolsonaro até o limite de eleitores que embora conservadores não sejam extremistas.

Na minha opinião, os extremistas na ordem de 20%, devem permanecer apoiando o atual presidente da República. Reportagem sobre o estudo do Itaú Unibanco e do Credit Suisse, incluindo a opinião de Carlos Kawall, de Leonardo Vieceli, Folha de S. Paulo desta quinta-feira.

SIMONE TABET –  O MDB já praticamente decidiu que vai concorrer às eleições à presidente da República com a senadora Simone Tebet. Na minha opinião, uma excelente parlamentar, presença marcante na CPI da Pandemia, e sempre presente no debate econômico e social do país, de forma firme, objetiva, desapaixonada e bastante clara em suas colocações.

Sua perspectiva de vitória não é das maiores, mas a contribuição de sua presença ao debate será de grande importância para o eleitorado brasileiro. Ela fortalecerá, sem dúvida, a legenda partidária e exercerá influência no desfecho no segundo turno se ele efetivamente reunir, como o Datafolha prevê atualmente, Lula da Silva e Jair Bolsonaro.

Além de Simone Tebet, a participação nas eleições presidenciais do ex-juiz Sergio Moro e do senador Rodrigo Pacheco constitui também uma face significativa do processo político que vai culminar nas urnas do próximo ano. São duas personalidades marcantes cujas colocações são igualmente lúcidas e objetivas, o que funcionará para também conduzir os eleitores e eleitoras à definições com base em panoramas bastante claros envolvendo a realidade brasileira.

TAXA INFLACIONÁRIA – Na manhã de ontem, quinta-feira, a TV Globo divulgou pesquisa do IBGE registrando para o mês de novembro uma taxa inflacionária de 1,1%, o que faz com que no período de novembro de 2020 a novembro de 2021, o índice atinja 10,7%, o que levará a um fechamento, segundo os sintomas indicativos, por volta de 11%, com a boa vontade de IBGE.

Essa boa vontade não creio que seja dos técnicos do instituto, mas sim consequência do clima no governo que os leva sempre a um exercício de trapézio difícil para não escapar demais à realidade tanto econômica e social, quanto a realidade dos fatos. É um princípio do jornalismo, atividade que exerço há 62 anos, de que não se pode, ou mesmo adianta, lutar contra os fatos.

FRENTE DEMOCRÁTICA  –  O presidente dos Estados Unidos Joe Biden convidou o Brasil e, portanto, o presidente Jair Bolsonaro, a uma participação numa frente democrática cujo objetivo é o de fortalecer a democracia no mundo e, com isso, se opor aos extremismos. Atualmente, aliás, só o da direita, porque a extrema-esquerda restrita a Cuba e Coreia do Norte, já desapareceu do mapa internacional. Os regimes da Rússia e da China são, sem dúvida, autoritários e ditatoriais, porém não são comunistas no sentido amplo do termo, já que há algumas  décadas passaram a aceitar e até incentivar a presença do capitalismo privado, convivendo com o capitalismo estatal.

Antigamente, nos dois países não existia capitalismo particular. Leitores poderão perguntar neste momento “E a Nicarágua e a Venezuela?”. Dou a minha opinião: são ditaduras claras, sem dúvida, fraudando eleições, perseguindo opositores, sufocando manifestações de rua, além de amordaçarem jornais. Tudo isso é verdade, mas comunistas não são. Pelo contrário, estão na seguinte situação, o comunismo para o povo e o capitalismo para os detentores do poder. Esta é a contradição dramática dos regimes de Ortega e  Maduro.

RUY CASTRO E O VERBO “PAZUELLAR” –  Ao mesmo tempo marcada pelo humor e por forte carga de crítica política, Ruy Castro, Folha de S. Paulo de ontem, criou o verbo “pazuellar” e a expressão “empazuellamento” como meio de traduzir e também refletir a atuação do ex-ministro Eduardo Pazuello à frente do Ministério da Saúde. Ruy Castro cita uma série de momentos e situações protagonizadas por Pazuello, incluindo a utilizada para explicar o recuo na compra da vacina chinesa, vetada inicialmente por Bolsonaro, e semanas depois aceita por ele. Não havia nada de subversivo ou de carga doutrinária no imunizante.

Mas quando se viu na contingência de explicar  o primeiro recuo, em vídeo gravado ao lado do presidente da República, Eduardo Pazuello , a meu ver, marcou uma frase na história política do país: ” Um manda, outro obedece”. Quer dizer: não importa o conteúdo do assunto, sua importância, sua oportunidade. Importa uma falsa hierarquia.

14 thoughts on “Itaú e Credit Suisse  : estagnação econômica é o maior obstáculo para Bolsonaro em 2022

  1. Para que se incomodar com os vizinhos? Como vivem, como escolhem ou não seus governantes?
    Cada povo tem o governo que merece. Isso serve para todos os países. Sejam árabes, asiáticos, europeus ou americanos.
    Nós somos assim, eles são diferentes. Nós estamos certos e eles errados?

    • Se o Titio Sam, e os paises europeus, se intrometem nas políticas internas de TODOS os países do mundo, nos temos esse mesmo direito de nos intrometer na política interna desses países.

      • Renato, a diplomacia brasileira, não costuma interferir nos problemas internos dos países.
        O Itamaraty tem pautado essa máxima da diplomacia dos punhos de renda.
        O governo Bolsonaro quebrou essa regra de ouro, através do próprio presidente e o terrível ex,- Chanceler, Ernesto Araújo.
        O próprio presidente tentou interferir na eleição americana, defendendo Donald Trump contra Joe Biden. Bolsonaro alegou que a eleição foi fraudada em detrimento de Trump.
        O Mito atacou a Argentina, a Venezuela, Cuba, China.
        Para que? Para nada.
        Se você ataca gratuitamente um adversário, sem necessidade nenhuma abre o flanco para receber ataques.
        Para o país, não se meter em assuntos internos das nações é de bom tom.

    • Esse ministro da Infraestrutura é uma carga pesada. Bolsonaro cismou com ele, mas não tem votos, não tem carisma, não tem nada.
      Se vier candidato, periga dar traço. Quem marchar com ele, não será eleito no Partido do Valdemar/Bolsonaro.
      Geraldo Alkimim, um dos caciques tucanos e que está indo para o PSD, não vai colar sua biografia com Bolsonaro.

    • Antônio Rocha, também tenho simpatia por Simone Tebet, a senadora do Mato Grosso do Sul, filha de Rames Tebet, senador, que foi presidente do Senado. Tebet foi prefeita de Três Lagoas/MS e vice do governador Andrea Pucinelli.
      Sinceramente, não creio que Simone teria condições de chegar ao tipo da Terceira Via. Por que razão?
      O MDB uma frente partidária, não costuma se unir em torno de um candidato. Exemplo claro, está na sua maior liderança, o Senhor Diretas, Ulisses Guimarães, que concorreu a presidência, com Waldir Pires de vice e tirou em último lugar. O então governador de São Paulo, Orestes Queria cristianizou o seu líder, não se empenhando na campanha do maior quadro político do MDB até hoje.
      Ulisses é o maior deputado de todos os tempos, sem sombra de dúvidas.
      Mas, ser lançada como candidata foi muito bom para ela, o que vai credenciar, Simone para disputar a reeleição ao Senado pelo seu Estado, se tornando imbatível para ocupar a única vaga.
      Olhem o noticiário da desistência do ex ministro da Saúde Henrique Mandetta, que seria candidato pelo recém criado União Brasil, fusão do DEM com o PSL.
      Mandetta tem conversado muito com Sérgio Moro do Partido Podemos. Pode ser o vice na chapa de Moro.
      Vamos aguardar os próximos acontecimentos.

  2. Os bancos fizeram um prognóstico de recessão e inflação para 2022.
    O Santander sinalizou também semana passada, o que o Itaú fez agora.
    Novembro foi um mês ruim acompanhando a tendência negativa de outubro. A inflação anual atingiu os dois dígitos, o pior resultado desde 2002.
    As previsões otimistas vazias do Ministro Paulo Guedes, de crescimento em V, que ele repete nas platéias de empresários e também agora nos Emirados Árabes, são apenas palavras ao vento, descoladas da realidade fática.
    Todos os brasileiros gostariam, que fosse verdade esse otimismo reverberando pelo ministro.
    Mas, ele mesmo, o Sr. Paulo Guedes não acredita nas suas histórias, porque não aplica sua poupança no Brasil. Ganha dinheiro aqui e investe nos paraisos fiscais, das Ilhas Britânicas Virgens.
    Confessou diante de sabatina com deputados federais nessa semana, que os impostos no Brasil são muito altos. Então, porque Guedes queria aumentar ainda mais, com o Imposto do Cheque e das transações virtuais?
    Lógico, toda essa farra de impostos, não atingiria suas economias e dos empresários em paraisos fiscais.
    Agora se sabe, a razão dos grandes empresários pedirem empréstimos a juros baratinhos na CEF, no BB e no BNDES. Eles recebem os empréstimos com o argumento de investirem em seus negócios, mas na verdade investem no exterior, ganham lucros astronômicos e não geram aqui um único emprego. A Suíça e seus bancos adoram essa picaretagem.
    Agora eu pergunto? Isso é Patriotismo?
    E ainda pedem desesperadamente, a Desoneração da Folha.
    Patriotismo, na boca desses mercadores a custa do Brasil e só palavras ocas, destinada a enganar o distinto público.

  3. Pedro do Couto está coberto de razão, os regimes da Venezuela e da Nicarágua nada têm de comunistas. São simplesmente Ditaduras Populistas. Enganam o povo para se perpetuarem no Poder.
    Quais as políticas de coletivismo, de distribuição de renda preconizada por Marx e Engels implantadas por Maduro e Daniel Ortega? Nenhuma.
    São dois ditadores execráveis e pelo andar da carruagem não irão durar muito.
    Ditadores devem ser varridos do Mapa pelo povo. Nada acrescentam a sociedade, a não ser, dando cargos e benesses aos seus aulicos e bajuladores e enriquecendo os parentes diretos e os acessórios ligados a primeira dama e aos generais, brigadeiros e almirantes, que os sustentam.
    O povo da Venezuela e da Nicarágua saberão no momento propício, se livrar de seus ditadores.
    Não devemos nos imiscuir nos assuntos internos de nenhum país. Isso é um direito de seu próprio povo.

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