Já em plena campanha para 2014, Serra inaugura seu blog, ataca Lula e Dilma. Age como se a legenda do PSDB realmente lhe pertencesse. Será?

Carlos Newton

É muito interessante a situação atual da política, especialmente a disputa da sucessão de 2014. Os  tucanos não conseguem se entender. Diz o ditado que dois bicudos não se beijam, três então, faz-se uma ideia. Todos já estão em plena campanha, simultaneamente, sem saber quem será o adversário. Pode ser Dilma, pode ser Lula, podem ser os dois. Tudo é possível, na terra do nunca-jamais.

O tucano Serra queria ser presidente do PSDB, para ficar pousado em Brasília, ganhar visibilidade e assegurar a candidatura. Mas esqueceu de combinar com Geraldo Alckmin e Aecio Neves. Resultado, deram uma volta nele e garantiram a reeleição do atual presidente, deputado Sergio Guerra, de Pernambuco. Serra engoliu em seco, mas não passou recibo.

No desespero, Serra partiu para o ataque e na semana passada colocou no ar seu blog, tentando se tornar o porta-voz da oposição, com duras e permanentes críticas ao governo federal e ao ex-presidente Lula. Quer dizer, mais de seis meses depois da eleição, o ex-candidato resolve adotar uma postura oposicionista que poucas vezes assumiu durante a campanha.

Nos primeiros posts, Serra dedicou-se a demolir a política trabalhista do PT, dizendo que  houve saldo negativo de 800 mil empregos nos últimos dois anos e precisarão ser abertos 20 milhões de novos empregos até 2021. “A maior necessidade no Brasil nos próximos dez anos é criar muitos empregos de boa qualidade, que proporcionem melhor padrão de vida para as famílias, mais acesso a bens materiais e culturais, mais saúde, mais futuro”, diz o insistente pré-candidato tucano.

“Durante o mandato de Lula, graças ao seu talento de animador e à publicidade massiva, criou-se a impressão de que a era do crescimento dinâmico havia voltado para ficar. Impressão, infelizmente, sem fundamento”, acusa o tucano, citando estudo do prof. Reinaldo Gonçalves, da UFRJ, para mostrar que “o desempenho da economia brasileira nos últimos oito anos foi inferior à média mundial, ocupando a 96ª posição no painel de 181 países. E, em matéria de PIB per capita, o país passou da 66ª posição para a 71ª posição”.

“Em termos de índice de desenvolvimento humano, o IDH, caímos de posição no cenário mundial, de 65ª em 2003 para 73ª em 2010. Isso tudo apesar de o Brasil desfrutar da maior fase de bonança externa já observada”, critica.

Em outro post, Serra ataca a política antidrogas e de controle de fronteiras em curso no Brasil – um tema frequente durante sua campanha para a Presidência da República. “O governo diz que está combatendo a entrada de drogas no país. Esse é o discurso. E a realidade? Um relatório da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), referente ao Estado do Acre, detalha as dificuldades que eu mencionei no meu artigo ‘Armas de destruição em massa’. Sem recursos básicos nem efetivo suficiente na fronteira, a polícia não tem como conter a entrada da cocaína pelo Estado”, escreve.

Depois, Serra cita outros locais que mostram o “quadro de abandono em que se encontram dezenas de unidades e delegacias Brasil afora”. E acrescenta, ao final: “o Brasil não produz a matéria-prima da cocaína, que vem dos países vizinhos. Com nossas fronteiras imensas, as mais desguarnecidas do mundo, sejamos claros: a única coisa que limita a entrada da droga é a capacidade de produção da Bolívia, da Colômbia e do Peru”.

Numa campanha moderninha, José Serra quer se mostrar de tudo quanto é jeito, e seu blog dá acesso a outras ferramentas virtuais agora usadas pelo tucano, como o Twitter, o Facebook, o Flickr e o Youtube.

Se tivesse se empenhado da mesma forma contra Dilma Rousseff, assumindo uma postura de verdadeira oposição, ao invés de tentar usar Lula como “escada” para atrair simpatizantes do então presidente, certamente Serra teria se saído bem melhor na eleição. Mas o que passou, passou.

Enquanto isso, Alckmin e Aecio acompanham as peripécias de Serra, fazendo as contas do que restou na estrutura dos tucanos, depois da revoada rumo ao novo PSD. A grande preocupação dos dois, por ora, é tentar descobrir quem manda mais no partido. Está difícil saber.

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