Já não se fazem comunistas como antigamente

Carlos Chagas

A grande novidade da semana que passou foi o comparecimento, sexta-feira, da presidente Dilma ao congresso do PC do B, em São Paulo. Dias atrás ela fugiu das comemorações pela participação do Brasil na II Guerra Mundial, assim como negou-se a estar presente à reunião do PT de São Paulo, apesar de prometer que irá ao congresso nacional dos companheiros, semana que vem em Salvador. Imagina-se que Madame tenha perdido o receio de vaias e panelaços ou, pelo menos, se encontre disposta a enfrentá-los.

Quinhentos comunistas aplaudiram Dilma durante mais de sessenta minutos em que ela discursou desmentindo os principais dogmas do partido. Porque começou afirmando que seu governo perdeu a capacidade de utilizar recursos para proteger nossa economia. Marx, Lenin, Stalin e tantos outros denunciariam esse reconhecimento como a falência de sua ideologia, mas mais se espantariam com a defesa feita pela presidente da supressão de direitos trabalhistas, do seguro desemprego ao abono salarial e às pensões das viúvas.

Abandonariam o recinto, se lá estivessem, ao ouvir a apologia do ajuste fiscal. Como já não se fazem comunistas como antigamente, a plateia permaneceu e até bateu palmas. Quer dizer, saudou o neoliberalismo, coisa que não é surpresa, pois a bancada do PC do B tem votado em favor das medidas provisórias do arrocho.

IMPOTÊNCIA

Valeria repetir uma das últimas intervenções de Luis Carlos Prestes, antes de morrer, quando disse que “os comunistas não tinham partido e o partido não tinha comunistas”. Assim, Dilma sentiu-se à vontade para negar a espinha dorsal da doutrina de seus aliados, que por sinal também negam. No caso, a presença do Estado como propulsor do desenvolvimento e da justiça social. A presidente confessou a impotência das instituições sob seu comando para enfrentar crises.

Na mesma hora em que se dirigia aos agora acomodados ex-comunistas, as centrais sindicais promoviam nas principais capitais do país manifestações de repúdio ao ajuste fiscal, à supressão de direitos, à terceirização e outras iniciativas do governo dos trabalhadores. Como em tempos idos que pareciam ter desaparecido, enfrentaram a polícia e demonstraram disposição de luta. Só que sem os comunistas.

10 thoughts on “Já não se fazem comunistas como antigamente

  1. Esses nossos comunistas abdicaram do uso da inteligência faz tempo. Jamais ví um partido com tantas incoerências entre o discurso e a prática.

  2. O PC do B pode ser tudo menos comunista, alias, comunistas mesmo no Brasil contam-se a dedos. Os comunistas brasileiros votaram no Moreira Franco contra
    o Darcy Ribeiro em 1986. Não é de hoje que os chamados “comunistas” sempre
    apoiaram o sistema neoliberal, com exceção de uns poucos comunistas verdadeiros.

  3. GOVERNO AMPLO E PLURAL, DILMA DESAFIADA E RESTRITA

    Desde as eleições de 2014 as cúpulas dirigentes anunciavam como inevitável o ‘ajuste fiscal’, apresentado como consequência quando na verdade não passa de causa da crise, inflada como sabemos. A grande imprensa fragiliza Dilma Rousseff com factoides sobre o governo ampliando o potencial desses grupos, econômicos em especial, controladores do poder e intolerantes à presidente. Há evidências muitas dessas distorções, algumas linco abaixo.

    Por isto, penso que é preciso diferenciar o governo, porque é amplo e plural como bem define o ministro Manoel Dias (PDT), da instituição Presidência, complexa e limitada diante do contexto geral. O monstro não é pequeno e a presidente Dilma nenhuma madre em convento, antes fosse alguém em quem pudéssemos esperar ações mais efetivas para cobrar algo neste sentido. Basta conhecer a realidade para que a expectativa se reduza diante dos fatos.

    O que se passa nos bastidores da República, ou nos labirintos do poder como também costumam apontar, poucos entendem porque as informações andam escassas, mas alguns episódios saltam aos olhos e cada um é livre para fazer suas conclusões. Mas uma coisa é concreta, quanto mais isolado maior a chance de errar e sem percepção da verdade é que não se pode chegar a lugar algum, na dúvida que a razão e o bom senso suplantem fontes suspeitas.

    De que adianta abrir fogo contra a Presidência quando o poder de pressão se concentra entre as cúpulas do Congresso? E olhem que isto não é péssimo sinal, antes pelo contrário, é preferível assim ao Brasil paz e amor com eles esfregando suas mãos, importando que dessas contrariedades resultem resultados satisfatórios até 2018 sem abalos institucionais bruscos, capazes de mandar pra casa antes do tempo alguém que se mostra interessada em acertar.

    DECADÊNCIA POLÍTICA – A inversão de valores se aprofundou junto com a forte decadência politica nas últimas décadas e a presidente Dilma Rousseff quebra ovos pra fazer omelete, só míopes não enxergam. É bem fácil entender o que se passa quando graduados petistas como os freis Betto e Boff vêm a público afirmar que em 12 anos nenhuma mudança estrutural foi feita, reconhecendo que os governos petistas pecaram nas concessões. Antes tarde, não?

    A rigor, o lulismo carrega erro maior cometido nos anos 80 e 90 ao navegar em canoas furadas da grande mídia e dos grupos econômicos, impondo-se em obstáculo à ascensão de Leonel Brizola enquanto o PT era levado aprovar a Lei de Patentes ou negar as escolas integrais, por exemplo. As concessões de subida foram bem mais nocivas, sob lógicas concretas e históricas pelo que se deixou de avançar em 20 anos, culminando com vícios praticados no poder.

    Diante do diagnóstico de Frei Betto, reforçado por Leonardo Boff, se a coisa vinha ruim sem reclamos públicos não é agora que pode piorar desde que melhorem o criador, inconformado com uma presidente com luz própria. A fala de Lula no programa televisivo do PT, remetendo para a Era Vargas como nunca antes na história e sem a presença de Dilma ou qualquer menção à figura da presidente, foi sintomática http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1614720872077511&set=t.100006188403089&type=3&theater (detalhes no link)

    Com as ressalvas que se possa ter não há como deixar de reconhecer no ex-ministro Ciro Gomes uma das vozes mais afirmativas, no atual momento, vejam: 1. “Brasília está dominada por uma coalizão de gatunos e incompetentes” (cúpulas dirigentes); 2. A presidente Dilma Rousseff “é exceção, porque é honrada e tem espírito público” (merece repeito); 3. No Congresso Nacional “há ladrões convocando CPIs e bandidos acusando gente séria de ser bandido” (omisso diante de questões superiores); 4. “Alguém fure meu olho com uma razão técnica para a taxa de juros ser dessa altura, não há razão” (absurdos 13,25%).

    (1) A presidente Dilma Rousseff descolou do ex-presidente Lula após reeleita, embora alguns digam que continua como ‘poste’ http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1548716375344628&set=t.100006188403089&type=3&theater

    2) O vice Michel Temer assumiu a coordenação política do governo e dizem que carregou junto a faixa presidencial http://www.facebook.com/473760999380338/photos/pb.473760999380338.-2207520000.1431018583./805706762852425/?type=1&theater

    (3) Até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso divide águas entre antes e depois do atual mandato como comento no http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1614720872077511&set=t.100006188403089&type=3&theater

    (4) Distância entre as versões e os fatos, mídia planta factoides para satisfazer ao ‘Deus mercado’ http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1623640261185572&set=a.1382649428617991.1073741827.100006188403089&type=1&theater

    PLURALISMO CONSTITUCIONAL – A resposta mais cortante a esses falsos dilemas é exaltar a diversidade política prevista na Constituição, estimulando posturas independentes que se encontram tanto no governo quanto na oposição, porque só assim afloram alternativas melhores. A História é rica em exemplos de como é possível a unidade em torno de questões maiores e dos mais elevados interesses da população, como ocorreu quando Leonel Brizola foi apoiado por Luiz Carlos Prestes mesmo a contragosto: “A opinião do senhor Brizola sobre nosso apoio é irrelevante. Nós vamos apoiar o melhor candidato, e o melhor candidato é ele”, proclamou o cavaleiro da esperança.

    LIÇÃO DE BRIZOLA – Como candidato ao governo do Rio Grande do Sul, vejam a lição de política dada por Leonel Brizola em 10 de setembro de 1958: “Aos meus conterrâneos de todo o Rio Grande, profundas razões doutrinárias e políticas nos separam. Cumpre dizer que o trabalhismo é nacionalista, o comunismo é internacional; o comunismo é materialista, o trabalhismo se inspira na doutrina social cristã; o comunismo é a abolição da propriedade, o trabalhismo defende a propriedade dentro de um fim social; o comunismo escraviza o homem ao Estado e prescreve o regime de garantia do trabalho, o trabalhismo é a dignificação do trabalho e não tolera a exploração do homem pelo Estado, nem do homem pelo homem; o comunismo educa para formar uma sociedade de formigas, o trabalhismo educa para o progresso, para a liberdade, para a elevação da pessoa humana. O comunismo existe onde pontifica o capitalismo reacionário e explorador, mas desaparece nas comunidades e países bem organizados sob o ponto de vista social e humano. Por todos estes motivos, não sou o candidato para receber os seus votos. E eles sabem, melhor do que ninguém, que os amigos e propagandistas do regime vigorante na Rússia, estão do outro lado, dando apoio consentido à Frente Democrática”.

  4. ´/e só pegar dois ex-comunistas que eram de carteirinha, vestiam a camisetinha do Che Guevara, comiam duas asinhas de frango por semana e fumavam charutos cubanos.
    Hoje se deliciam no poder, mudaram de time, agora estão na Direitona Caviar, onde os valores são maiores, já estão na casa do Bilhão,
    Nem querem mais por a mão em migalhas de mil, milhão, a casa so de bilhão para lá.
    Os dois ex-comunas em questão, um deles era assaltante de banco, roubava trens pagadores, hoje com a caneta na mão assalta os cofres públicos, com larga vantagem de roubos no Metrô de São Paulo, será por isso que o Metrô anda a passos de tartaruga??
    Um hoje está no Senado, e o outro um deputardozinho federal de bosley que anda com bilionários banqueiros……

  5. Nunca antes na história a tia esteve abaixo dos 10%… Isso explica o desespero…
    ” O Palácio do Planalto teve acesso a uma pesquisa que avaliou a popularidade do governo. Nas palavras de um auxiliar da presidente Dilma Rousseff que teve acesso aos números, o resultado é preocupante. Pela primeira vez, a aprovação do governo Dilma está abaixo dos 10%, segundo a pesquisa.
    ( Blog do Camarotti ).

  6. Comunistas nunca foram. Oportunistas, entreguistas, conservadores dos entulhos do atraso colonial. Depois de encenarem o fim do Brasil, so pensam em dez anos de recessao. Ninguem precisa de empiricos para enxergar o obvio.

  7. “Comunista”” brasileiro é igual aos gatinhos da anedota russa: a menina russa chega na sala de aula saltitando de alegria e fala para o professor: “Professor, minha gata teve cinco gatinhos lindos e são todos comunistas.” Na semana seguinte, o professor pergunta à menininha: “Como vão os seus gatinhos?” Resposta: “Continuam lindos mas não são mais comunistas.” “Por que?” pergunta o Professor. “É que esta semana eles abriram os olhos.”

  8. Dillma, a mentirosa! Não existe outro título mais certo.
    Agora não consegue mais falar em público. As panelas dos ricos (uma bobagem dos petistas empregados e dos assemelhados) batem, as platéias livres, formadas pelos sem sacolas, também a vaiam.
    Se não tivesse distribuído a “propina legal” na câmara e senado, já teria sido retirada.
    Mesmo, no primeiro momento, não apoiando a manobra da oposição, hoje estou concordando com a ação proposta: se não surtir o efeito desejado – nulidade do pleito, com saída dos dois (Dillma/Temmer), exporá o judiciário ao máximo, caso não acolha pedido.
    Ainda nos restará a ala que defende a intervenção militar, constitucionalmente prevista.

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