Já se falou muito sobre as mortes no Araguaia. Os assassinatos covardes de guerrilheiros. Mas agora o repórter Lucas Figueiredo faz revelações inéditas e sensacionais: índios torturados, cortavam a cabeça de homens e mulheres, e morriam também.

Helio Fernandes

Ainda está para ser contada a verdadeira história sangrenta e criminosa, que se travou no Araguaia. Na verdade, os crimes praticados pelos militares em toda a repressão começada timidamente em 1964, que foi se agravando com o tempo, e se transformou em barbaridade, com base no AI-5, ainda são um mistério.

Alguma coisa, mínima, foi contada sobre o Doi-Codi no Rio e que em São Paulo se chamou Operação Bandeirantes, depois reduzida e sumarizada como Oban. Mas como Rio e São Paulo eram mais perto, se soube um pouco. Muito ficou escondido, os principais órgãos de comunicação davam cobertura aos assassinatos fardados e até mesmo colaboravam nas mortes impiedosas, selvagens, monstruosas.

O assassinato covarde e bárbaro do jornalista Wladimir Herzog, praticado ali em São Paulo, só teve uma parte divulgada, pois se sabia que ele não era suicida, e da forma como foi encontrado seu corpo, seria impossível ter se matado. E a repercussão maior se deve ao general Ernesto Geisel, que merece muitas críticas, mas não era torturador nem protegia torturadores.

Sua decisão imediata de demitir o comandante do II Exército, general (de 4 estrelas) Ednardo Davila Mello, garantiu a repercussão nacional. E o aparato militar para a missa de sétimo dia, contada pelo bravo D. Evaristo Arns, mostrou que o Exército se julgava culpado pelo assassinato. Primeiro, não queria autorizar a missa na catedral. Depois, temendo represálias, cercaram a Catedral com espantosas tropas militares, incluindo “atiradores de elite”, no alto dos edifícios mais próximos.

Nem mesmo a História desvendará esses crimes impiedosos. Quem sabe, inesperadamente aparece uma testemunha, um depoimento, uma revelação, como faz agora o repórter Lucas Figueiredo. Com fatos rigorosamente novos, destinados a repercussão nacional. É preciso esclarecer tudo, mostrar o que aconteceu.

Em 7 páginas (cheias de fotos, da revista mensal GQ), Lucas Figueiredo conta a história dos índios aikevara, pouca gente ouviu falar deles. São eles mesmos que contam: “Eram levados para o interior (os militares não sabiam andar na selva), diziam, “para matar macacos”. Mas era para “cortar a cabeça de homens e mulheres, guerrilheiros”.

Vou transcrever algumas das afirmações do repórter Lucas Figueiredo, que confirmam com dados e datas o pouco que se sabia. Sobre os índios pacíficos, não sabíamos de coisa alguma.

Tudo que está abaixo, é citado entre aspas, trabalho de alta qualidade do repórter Lucas Figueiredo.

1 – “Dois anos depois do golpe de 64, o PCdoB começou a infiltrar guerrilheiros no Araguaia. Objetivo: preparar a luta armada para derrubar a ditadura”.

2 – “Em 1972, as Forças Armadas descobriram a guerrilha do Araguaia”.

3 – “Havia então 69 insurretos divididos em 8 bases, entre os municípios de Marabá e Xambicá. Mais 7 guerrilheiros estavam a caminho”.

4 – “Ainda em 1972, o Exército promoveu duas operações antiguerrilhas com 3 mil e 400 combatentes. Foi a maior mobilização de tropas desde a II Guerra Mundial.”

5 – “Em 1973 o Exército deflagrou (textual) uma terceira campanha contra os guerrilheiros, a Operação Marajoara”.

6 – “56 guerrilheiros foram caçados por 250 militares de elite”.

7 – “No final de 1974 a guerrilha estava dizimada. E o Exercito jamais entregou os corpos, ou divulgou o que fez deles”.

8 – “Nestes 37 anos desde o fim do conflito, dos 60 guerrilheiros mortos, apenas 2 foram encontrados (Maria Lucia Petit e Bergson Gurjão Farias)”.

9 – “Em 2003, a Justiça condenou a União a informar o paradeiro  dos mortos”. (HF: o Exército não ligou para a Justiça. Por que iria ligar, se sempre foi mais forte e mais poderoso?)

10 – “Em 2009, o Ministério da Defesa criou o Grupo de Trabalho Tocantins, cujo objetivo ou missão é devolver às famílias os corpos dos guerrilheiros”. (HF: essa missão não tem tempo ou data para acabar o trabalho. E até agora, não “descobriu” nenhum corpo. Nem vai “descobrir”).

11 – “Os civis recrutados para esse missão trágica eram recompensados (HF: em dinheiro), por cada guerrilheiro morto”.

12 – Lucas Figueiredo diz que o pagamento de recompensa pela mortes dos guerrilheiros é garantido e confirmado por Hugo Studart, historiador e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB).

13 – Depoimento do índio Warani, testemunha do Araguaia: “Nos levaram para a selva, dizendo que era para caçar macacos. Mentira. Era para caçar guerrilheiros”.

 ***

PS – Sobre o Araguaia, é até agora o mais recente e importante libelo.

PS2 – Ficará sem resposta, as vítimas nem querem mais punição e sim a devolução dos corpos, para serem sepultados como se tivessem morrido normalmente.

PS3 – Também não adiantaria exigir punição, estão todos praticamente mortos. E dos generais que comandavam, estavam no alto da pirâmide, não há um só que esteja vivo.

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One thought on “Já se falou muito sobre as mortes no Araguaia. Os assassinatos covardes de guerrilheiros. Mas agora o repórter Lucas Figueiredo faz revelações inéditas e sensacionais: índios torturados, cortavam a cabeça de homens e mulheres, e morriam também.

  1. 69 picaretas de famílias burguesas, filinhos de papai de mauricinhos e patricinhas liberastas foram fazer “guerrilha” no Araguaia! Não e a toa que os militares chamavam esses covardes traidores de “Guerrilha de Copacabana”! Parasitas odeiam militares!

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