Jair Bolsonaro e Sérgio Moro nunca estiveram tão próximos de um curto-circuito

Mais cedo ou mais tarde, cada um dos dois irá para o seu canto

Bruno Boghossian

Apesar das eventuais homenagens de um e das recorrentes mesuras de outro, Jair Bolsonaro e Sergio Moro parecem cada vez mais dispostos a mergulhar numa disputa de poder inevitável. Presidente e ministro nunca estiveram tão próximos de um curto-circuito político.

Ainda que tenha sido divulgada apenas como uma ideia em estudo, a redução dos atributos de Moro com a possível recriação do Ministério da Segurança mostra que Bolsonaro está disposto a enfrentar o integrante mais popular de seu governo.

QUEDA DA CRIMINALIDADE – O presidente faz questão de turbinar a propaganda oficial que ostenta as estatísticas de redução de crimes violentos, mas indicou claramente que poderia tirar esse brinquedo das mãos do subordinado.

Empacado na pauta anticorrupção (sabotada pelo presidente, aliás), Moro abraçou a bandeira da segurança. Bolsonaro poderia ter dito apenas que as coisas vão bem. Preferiu participar ativamente das discussões e dar combustível ao plano encampado por secretários estaduais.

Embora o ministro seja considerado intocável por parte considerável da base bolsonarista, o presidente não demonstrou nenhum receio em contrariá-lo. “Lógico que o Moro deve ser contra”, antecipou-se.

DONO DO PASSE – Desde que Moro disse “sim” e entrou no governo, Bolsonaro insiste em dar sinais de que é o dono do passe do subordinado. Disse haver um compromisso para indicar o ministro à primeira vaga aberta no Supremo em seu governo, mas recuou. Depois, tascou um “quem manda sou eu” ao ameaçar demitir o chefe da Polícia Federal, atropelando o auxiliar.

O presidente quer manter Moro na rédea curta. Ora sinaliza que o ex-juiz seria um vice dos sonhos em 2022, ora indica que ele pode ser seu sucessor em 2026, mas dá outros recados quando o ministro demonstra estar confortável no mundo político.

Bolsonaro age para atordoar um personagem que o ameaça, mas esses choques também desgastam sua imagem entre os seguidores de Moro. Se o ministro decidir enfrentar o chefe, o presidente terá problemas.

11 thoughts on “Jair Bolsonaro e Sérgio Moro nunca estiveram tão próximos de um curto-circuito

  1. “no jantar de sábado, Bolsonaro devorou avidamente, sozinho, uma travessa de salada de beterraba, pela manhã, de acordo com membros do GSI, saiu tudo roxo”-Elio Gaspari-Folha de SP.

  2. Kurt Circuit foi o apelido dado por meu avô materno, o português/Araquariense Nhô Vitor Soares de Carvalho à um personagem “quinta coluna”, do Governo Hitlerista em seus causos contados pós guerra, razão do velhaco golpe em ajuda financeira sofrido.

  3. “O presidente quer manter Moro na rédea curta. Ora sinaliza que o ex-juiz seria um vice dos sonhos em 2022, ora indica que ele pode ser seu sucessor em 2026, mas dá outros recados quando o ministro demonstra estar confortável no mundo político.”
    PS. ….é usual procedimento entre revesados “irmãos e primos” e coisas de faraós & egípcios “acarreta-dores”, de pestes e pragas, razão daquela divina admoestação: “Sai, dessa Babilônia, povo Meu, para que não incorras em seus pecados e pragas”!

  4. Sérgio Moro deve usar a seguinte estratégia: se possível, ficar no cargo só até final do ano, depois pedir demissão. Durante um ano se afastar do mundo político, da mídia e se preparar politicamente, período este, que Bolsonaro estará mais desgastado. O afastamento é psicológico, o povo vai lamentar o afastamento de um homem sério e honesto que se tornou o mais popular desse governo. Um ano antes das eleições ressurgir com toda força, que certamente reacenderá as esperanças do povo. Ganhará fácil as eleições

    • Acho que esse raciocínio está contraditório, senão vejamos:
      1 – se possível, ficar no cargo só até final do ano, depois pedir demissão (em 2020); 2 – Durante um ano ( de 2021), se afastar do mundo político, da mídia e se preparar politicamente, período este, que Bolsonaro estará mais desgastado.O afastamento é psicológico, o povo vai lamentar o afastamento de um homem sério e honesto que se tornou o mais popular desse governo.
      3 – Um ano antes das eleições (também 2021) ressurgir com toda força, que certamente reacenderá as esperanças do povo.

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