Jair Bolsonaro encoraja a ação de garimpeiros e madeireiros no combo do desmatamento

A fiscalização do desmatamento diminui cada vez mais

Bruno Boghossian
Folha

Jair Bolsonaro entregou um pacote completo de incentivos aos desmatadores. Além de estimular atividades que provocam a devastação ilegal, o presidente e seus auxiliares desmontaram estruturas de fiscalização, reduziram a aplicação de multas ambientais e, por fim, agiram para acobertar os crimes cometidos nas florestas.

O governo omitiu dados que apontaram uma alta de 22% no desmatamento na Amazônia em 2020 e 2021. Os números estavam num relatório produzido pelo Inpe em 27 de outubro, quatro dias antes do início da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. O material ficou escondido até a última quinta (18), depois do fim do evento.

ESCONDER OS DADOS – Este é apenas mais um escândalo da manjada política de Bolsonaro para o ambiente. O presidente encoraja a ação de garimpeiros e madeireiros nas florestas, enquanto implica com as estatísticas que mostram os efeitos dessa agenda.

No primeiro ano de mandato, Bolsonaro mandou demitir o diretor do Inpe ao saber de números incômodos sobre a devastação da Amazônia. O presidente disse que, a partir de então, o chefe do órgão deveria mostrar os dados negativos ao Planalto antes da divulgação. “Ele vai apresentar os números para mim, se forem alarmantes”, declarou.

Bolsonaro sabia que as cifras ficariam cada vez piores. Desde o começo do governo, o presidente trabalha para impedir a destruição de máquinas usadas no desmatamento ilegal.

POUCAS MULTAS – Além disso, o Ministério do Meio Ambiente desestimulou a emissão de multas por crimes ambientais – o que fez com que as autuações despencassem nos últimos anos.

A máquina federal prefere ajudar quem desmata. Não é coincidência que um ex-ministro seja investigado sob suspeita de facilitar um esquema de exportação ilegal de madeira.

​O governo tem mais interesse em esconder e manipular a certidão de óbito do que em evitar o crime. O corpo, no entanto, continua ali: de agosto de 2020 a julho deste ano, foram derrubados 13.235 km² de floresta.

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