Jair Bolsonaro, no fundo, tornou-se um grande eleitor de Lula nas urnas de 2022

Desmandos de Bolsonaro minam a sua própria candidatura

Pedro do Coutto

O tema que está no título foi muito bem colocado por Merval Pereira em seu artigo publicado na edição de ontem de O Globo. São tais os erros, equívocos, atitudes e pronunciamentos de Jair Bolsonaro que refletem contra a sua própria candidatura, que conduzem à percepção de que ele é, talvez, o maior apoiador do líder do PT em sua etapa para retornar à Presidência da República.

Aliás, vale frisar que a eleição de 2022 será a nona em que Lula da Silva participa ou influi diretamente nas campanhas. Noves vezes envolvendo-se em sucessões presidenciais, o antigo metalúrgico do ABC paulista, a meu ver, torna-se um personagem singular no mundo político.

TRAJETÓRIA – Ele perdeu em 89 para Fernando Collor, perdeu em 94 para Fernando Henrique Cardoso, perdeu novamente para FHC em 98, derrotou Serra em 2002, venceu Alckmin em 2006, elegeu Dilma Rousseff contra José Serra em 2010, reelegeu Dilma em 2014 sobre Aécio Neves, nesse caso por pequena diferença, perdeu em 2018 apoiando Fernando Haddad contra Bolsonaro. Agora, pela nona vez, estará diretamente nas urnas enfrentando o atual presidente da República.

Mas essa é outra questão. O fato agora que se impõe, bem observado por Merval Pereira, está no distanciamento de Bolsonaro da calamidade que atingiu a Bahia envolvendo mais de 600 mil pessoas em várias cidades. O seu distanciamento provavelmente decorre pelo fato do governador Rui Costa ser do PT, mas com isso Bolsonaro não percebeu ter perdido uma grande oportunidade de demonstrar sua isenção política em benefício de sua própria administração e, em consequência, à própria candidatura à reeleição. Ele preferiu ficar nas praias de Santa Catarina andando de jet ski e mergulhando em águas claras e salgadas ao sol do verão.

OMISSÃO – Não levou em conta também as enchentes em Minas Gerais e em São Paulo, além dos estragos que causaram em menor escala que as da Bahia, mas também importantes para um presidente da República atuar. Omitiu-se e perdeu votos para as eleições do próximo ano. Faltam 10 meses para as urnas e ele continua contra a vacinação de crianças de 5 a 11 anos de idade. Não se consegue compreender qual o motivo o leva a combater a vacinação.

Mas o impulso deve ser interior e fortíssimo, uma vez que a vacinação é reivindicada direta e intensamente por mais de 80% da população brasileira, nas qual se inclui um eleitorado de 160 milhões de brasileiros e brasileiras. Há algo de apreensivo e até auto destrutivo no comportamento. Pois, afinal de contas, Jair Bolsonaro está atuando contra si próprio e sobretudo contra o próprio país.

Reportagem de Daniel Gullino, Camila Zarur e Ingrid Ribeiro, O Globo desta quinta-feira, destaca que até aliados de Bolsonaro em declarações reservadas estão criticando o seu distanciamento das calamidades e sua frieza em relação aos problemas sociais. Os repórteres referem-se até a uma opinião de um ministro do governo que disse sobre a falta de empatia de Bolsonaro, trocando as águas que inundaram a Bahia pelas águas de Santa Catarina.

AJUDA ARGENTINA – Nathália Bosco, Adriana Mendes e Mariana Rosário, O Globo, destacam o fato de que o governo Bolsonaro recusou ajuda humanitária oferecida pela Argentina para socorrer a Bahia através de contato que a Casa Rosada manteve com o governador Rui Costa e com a Casa Civil do Palácio do Planalto. Por outro lado, os ministérios da Cidadania, da Infraestrutura, dos Direitos Humanos e do Desenvolvimento Regional não souberam ainda informar a respeito de suas ações para atender as consequências do dilúvio que desabou sobre a Bahia.

A Casa Civil disse que não possui os dados específicos sobre os recursos enviados. O Ministério da Saúde não alterou as informações que havia divulgado na terça-feira, mas assinalou que formalizou a entrega de 4,2 toneladas de medicamentos, além de 100 mil doses de vacinas contra a gripe e 40 mil doses de imunizantes contra a hepatite A. Em  dinheiro foram R$ 7 milhões em montante para o socorro. O governo baiano considerou a ajuda insuficiente e segundo Patrick Camponez, de O Globo, se disse decepcionado.

O panorama, portanto, não pode deixar de significar um desgaste para o governo e principalmente para o presidente em matéria de votos nas urnas. Na Folha de S. Paulo, a reportagem sobre a presença de Bolsonaro no jet ski e nas águas verdes do litoral catarinense, com foto registrando o passeio, é de Washington Luís e Matheus Vargas.

AUMENTO –  Embora não tenha espaço específico no orçamento de 2022 para reajustes salariais do funcionalismo, de acordo com o modelo do ministro Paulo Guedes, o governo que destinou um reajuste que não se sabe a percentagem para policiais federais e rodoviários agora está disposto a examinar a concessão de bônus para os auditores da Receita Federal que ameaçam colocar o trabalho em ritmo lento e até mesmo entrar em greve.

O governo cogita também editar Medida Provisória nesse sentido. A atuação lenta dos auditores da Receita Federal atinge tanto as importações quanto as exportações brasileiras e podem resultar num prejuízo diário de R$ 125 milhões na arrecadação de impostos.

COLISÃO – A confusão já está se generalizando e a concessão de aumento restrito às categorias, além de colidir com o artigo 37 da Constituição Federal, como era esperado, desencadeou uma movimentação geral do funcionalismo. Temendo a concessão de aumento, os investidores se retraíram e a Bovespa recuou 0,7% na quarta-feira.

O dólar subiu 0,96%, atingindo R$ 5,7 por unidade. O panorama é inquietante. O IGP-M que mede os custos econômicos entre empresas, compra e venda de materiais para fabricação e comercialização atingiu praticamente 18%.  O IGP-M rege os aluguéis residenciais, comerciais e industriais. Em 2020, o IGP-M subiu 20%, portanto, nos últimos dois anos ele avançou praticamente 44%. Os salários do funcionalismo subiram 0% e os salários das empresas estatais e particulares foram reajustados numa escala de 4%, perdendo para a inflação.

SALÁRIOS CONGELADOS – A Petrobras empenha-se na justiça para manter o reajuste de 50% no gás de cozinha e no gás de aplicação industrial. Não é possível que a sociedade absorva os impactos de aumentos desta ordem em série enquanto seus salários congelam na omissão e no caminho para uma cada vez maior concentração de renda. Vale acrescentar que só os salários podem conduzir a um esquema cristão de se distribuir a renda proporcionada pelos resultados econômicos do país. Aliás, tal análise aplica-se a qualquer nação.  

Este ano termina, mas ressurge a esperança com as eleições, marcando as nossas vidas, realidades e até os nossos sonhos. Vamos esperar que um novo horizonte amanheça no Brasil a partir, não de 2022, pois isso não é possível, mas a partir de 2023, em decorrência do processo democrático que ilumina e mantém acesa a estrada das urnas.  Como dizia JK; política também é esperança. Vamos manter a nossa esperança viva, nossos pensamentos e nossas atitudes. Desejo a todos os leitores um Feliz Ano Novo !

16 thoughts on “Jair Bolsonaro, no fundo, tornou-se um grande eleitor de Lula nas urnas de 2022

      • Bolsonaro não só não é presidiário por questão de omissão – no passado quando planejou atentado a bomba por conta de soldo, quando Capitão do Exército. Depois e, juntamente utilizando as ex-mulheres começaram o Laranjal que frutificou e ensinou aos filhos… como parlamentar protagonizou diversos crimes só não perseguidos graças à omissão das instituições. Como governante, idem. E aprofundou o desvio do Estado de de suas funções, para beneficiar empresários amigos (investidores na campanha como o gnomo verde da Havan) e proteger os filhos nos assuntos de Segurança (caso de polícia).

  1. Lula deixou a presidência com um índice Record de aprovação.
    Foram dois mandatos repletos de surpresas agradáveis.
    Para interromper os sucessivos mandatos do PT recorreram ao mensalão para tirar da disputa José Dirceu, o PT indicou Dilma.
    Como não tinha outro modo deram o golpe de 2016 e condenaram Lula!
    Bolsonaro ganhou de bandeja!
    Mas agora está tudo claro, a verdade finalmente apareceu.

  2. Passei a ler muito sobre sociopatia e psicopatia, vou colar aqui um texto explicativo que encontrei na internet.

    Sociopata é uma palavra usada para descrever uma pessoa que sofre de sociopatia, um transtorno de personalidade que provoca um comportamento impulsivo, hostil e antissocial.

    A sociopatia é caracterizada por um egocentrismo exacerbado, que leva a uma desconsideração em relação aos sentimentos e direitos das outras pessoas.

    Um sociopata não tem apego aos valores morais e é capaz de simular sentimentos para conseguir manipular os outros. Além disso, a sua incapacidade de controlar as suas emoções negativas torna muito difícil estabelecer um relacionamento estável.

    A sociopatia não tem cura. No entanto, seus efeitos podem ser mitigados através da psicoterapia e da prescrição de medicamentos. A expressão sociopata funcional designa uma pessoa que, apesar de sofrer de sociopatia, tem essa situação sob controle, ou seja, os efeitos da sociopatia não afetam muito a sua interação com outras pessoas.

    Diferença entre sociopata e psicopata
    Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, tanto a psicopatia como a sociopatia são considerados transtornos de personalidade antissocial e têm muitas características semelhantes, o que explica o fato de muitas vezes serem vistos como sinônimos.

    Há muitos traços em comum: a desconsideração por leis, normas sociais e direitos de outras pessoas; ausência de sentimento de culpa; comportamento violento.

    Uma das principais diferenças é que o psicopata não sente remorso ou tem empatia, ao passo que o sociopata tem esses sentimentos em algum nível, apesar disso muitas vezes não ser o suficiente para impedi-lo de prejudicar outras pessoas.

    Outra diferença entre psicopatas e sociopatas, além do grau de empatia e sentimento de culpa, tem a ver com a forma como agem. Psicopatas tendem a ser mais frios e calculistas, ao passo que sociopatas são mais explosivos e agem de cabeça quente.

    • Há equívoco nesse manual.
      Não necessariamente sociopata tende a agir de cabeça quente e serem explosivos.
      Aliás, todo manual tem a característica de pecar no ser didático em detrimento da profundidade do tema.
      Por exemplo, nada impede que uma pessoa seja diagnosticado com sociopatia e psicopatia em níveis diferentes.

  3. O LADRÃO não sai nem no boteco da esquina, como chegará na frente nas urnas e ganhará a eleição?

    No dia em que ele sair as ruas e confirmar a popularidade e preferência do povo brasileiro pelo seu nome pelo DataPovo e DataRua, acreditarei nos in$tituto$ de pe$qui$a e impren$a. Até lá é tudo FAKE NEWS.

  4. Que se discuta bandeiras políticas, tudo bem. Mas, pensar que alguém que foi condenado em primeira, segunda e terceira instância é inocente, vai além da insanidade mental. Por uma vez por todas, o STF em nenhum momento afirmou que o Lula não é culpado e sim, disse que o foro de origem não estava correto. Nada mais que um canetaço para soltar o padrinho de muitos ministros que lá estão. Mas, se 76% da população apoia a Lava Jato não existe base para as pesquisas eleitorais.

    • É questão de ver se no Juízo de primeira instância, onde se produz elementos de prova, como tudo se deu. E enquanto não haja culpa formada contra o indivíduo não há crime que lhe seja imputado, porque quem pode afirmar isso é um Juiz, que, no caso, agiu sob interesses escusos como ficou nos registros da História, isto é, público e notório, consumado mesmo, o lawfare.
      Sobre o fato de uma decisão ser endossada pelas instâncias de cima de modo que não seria cível afirmar que todos erraram, mais uma vez, a História é testemunha que erros foram e são cometidos. Mesmo no sistema Judiciário! Não à toa somente depois de uma revisão criminal decisões são desfeitas.

      E mesmo em instâncias colegiadas pode existir certas práticas comuns como forma de prestigiar. Em Câmaras ou Turmas criminais é quase incomum que vogal apresente manifestação divergente do que já colocado pelo relator ou revisor. Isso é mais comum no STJ ou STF. Já naqueles Tribunais federais e estaduais o vogal ou plenário segue um ou outro. É quase inútil a defesa apresentar memoriais para todos os julgadores.

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