Jango teve mais votos para vice do que JK para presidente

Valmor Stedile (e Hugo de Almeida):
“Hélio, baseado na sua análise sobre os vices, quero lembrar que João Goulart foi eleito diretamente para vice-presidente e teve votação superior ao presidente eleito, Juscelino Kubitschek. Muita gente esquece isso”.

Comentário de Helio Fernandes:
Tanto Valmor quanto Hugo estão corretíssimos. Mas deixei bem claro, que a partir da Constituição de 1946, os vices passaram a ser eleitos separadamente. Isso só aconteceu com Vargas (1950, sua primeira eleição presidencial, Juscelino e Jânio.

Já escrevi muito sobre Café Filho, vice junto com o mandato de Vargas. Tratemos então de João Goulart, duas vezes vice-presidente. Uma, com Juscelino, outra com Jânio Quadros. Muita gente me pergunta a razão dele ter sido reeleito, numa época em que a Constituição ainda não havia sido violada e violentada.

O fato: vice no período de Juscelino, como não ocupou o cargo nenhuma vez, Jango saiu em abril de 1960, se desincompatibilizando, e assim podendo ser vice no período seguinte. Como Hugo e Valmor escreveram, Jango se elegeu pelo voto direto, na chapa contrária a Jânio.

Contrária, efetivamente, mas como acontece no Brasil (e vem se repetindo agora de várias maneiras), fizeram um “acordo branco”, Criaram então a chapa “Jan-Jan”, as três primeiras letras de Jânio e as três de Jango. É histórico que Jânio não queria Milton Campos como vice.

Jânio se baseava no que ocorreu em 1952. Vargas presidente, 69 oficiais assinaram um ultimatum, chamado de “Manifesto dos Coronéis”, com a primeira assinatura sendo de Amaury Kruel. O que pretendiam? A demissão do ministro do Trabalho.

Quem era o ministro do Trabalho? João Goulart. O presidente e o ministro não podiam aceitar a exigência. Mas aceitaram. Jango disse a Vargas, (eram amicíssimos apesar da diferença de idade); “Presidente, eu saio sem nenhum problema, no momento não tempos condições de resistir, mas mantemos o Poder”. E saiu.

Aconteceu quase o mesmo em 1961, com a renúncia de Jânio. Os 4 comandantes de Exércitos, não queriam a posse do vice Jango, que estava do outro lado do mundo, em viagem planejada e determinada por Jânio. Por causa da resistência de Brizola, os generais foram derrotados em parte. Exigiram o “Parlamentarismo com Tancredo Neves de primeiro-ministro”.

Jango aceitou, Brizola aconselhou: “Já ganhamos, tome posse integral”. E Jango: “Tancredo é nosso amigo, não haverá problema, já aceitei”.

***

PS – Isso aconteceu em agosto de 1961. Jango ficou trabalhando, manobrando, mobilizando. 1 ano, 4 meses e 9 dias depois, (em 6 de janeiro de 1963) houve o PLEBISCITO, o parlamentarismo foi derrotado, João Goulart presidente.

PS2 – Não adiantou muito. Depois dessa vitória, governou 1 ano e quase 4 meses, foi obrigado a deixar o Poder. Motivo? Abandonou Brizola, recebia quase que diariamente Roberto Marinho e o embaixador do golpe, Lincoln Gordon.

PS3 – Cunhado, (como dizia Brizola) não pode ser parente, mas no caso era um grande conselheiro. O “maquiavelismo”, fora de Firenze, e sem muito conhecimento e convicção, é perigoso e quase sempre destruidor.

PS4 – Depois de vetar Brizola para ministro da Fazenda (tinha o apoio do marechal Lott), o senhor Roberto Marinho colocou no seu jornalão uma foto grande de Jango, na segunda página, com a legenda: “O estadista”. Meses mais tarde, apoiou integralmente o golpe que derrubou o mesmo João Goulart.

PS5 – Que República. Mas quem pode contar a história verdadeira, não só da República, mas até mesmo do Império? Agora, “desvairadamente nacionalistas”, querem punir empresas de comunicação, que têm mais de 30 por cento de capital estrangeiro. Eu apoio integralmente.

PS6 – Mas as Constituições PROIBIAM sempre, qualquer empresa de comunicação, ter sequer 1 por cento de capital estrangeiro. Há tempos, compreenderam que era ÓTIMO PARA ELES, fizeram aprovar no Congresso, essa participação GLOBALIZADA de 30 por cento. Agora, QUEREM ASSUSTAR OS SÓCIOS. Ha!Ha!Ha!

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