Janot, STF e o conto do vigário aplicado por Joesley Batista

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Charge do Mário (Arquivo Google)

Percival Puggina

Frequentemente, é a ganância das vítimas que viabiliza as atividades de quem vive de vigarices. Nesse tipo de golpe, o espertalhão se apresenta como alguém meio ingênuo que oferece ao alvo escolhido um negócio muito vantajoso. Seduzida pela possibilidade de um ganho fácil e rápido, a vítima agarra a oportunidade com as duas mãos. Foi o que fez o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, quando contatado para a delação dos donos da J&S. E caiu num espetacular conto do vigário.

À medida que os fatos vão sendo revelados, percebe-se que Janot estabelecera uma agenda para que o final de seu mandato ocorresse em clima de verdadeira apoteose. Ele teria sido o homem que denunciara o presidente da República, parte expressiva dos grandes figurões dos três últimos governos e, por fim, enquadrara toda a cúpula do PT, incluindo dois ex-presidentes, apontando Lula como o chefe da organização criminosa.

GRAN FINALE – Batman e Robin trabalhando juntos não fariam melhor no combate ao crime organizado. No entanto, a pressa em construir seu gran finale restringiu a prudência e lhe proporcionou, bem ao contrário, um grosso fiasco.

Na emoção de derrubar Temer, o procurador-geral não hesitou em ajustar com seus supostos colaboradores um verdadeiro Powerball na loteria das delações. Quem viveu para ver, viu, porque nunca mais alguém terá uma vida de crimes recompensada com tanta cortesia oficial. Foi-nos dada a oportunidade de contemplar, boquiabertos, fraudadores de muitos bilhões, corruptores de mão cheia, deixarem o país cercados de seus mais sofisticados bens e sob a proteção de salvaguardas principescas.

Comprado o gato como se lebre fosse, Janot levou o bichano ao ministro Edson Fachin, que lhe alisou o pelo e assinou no lado esquerdo da operação. Dias depois, em meio a indignado clamor nacional, o plenário do STF carimbou e selou o negócio tal como fora feito. Nunca antes um golpe do vigário foi tão sacramentado.

OS ENGANADOS – Agora, quando as novas gravações tornam ainda mais afrontosa a complacência do acordo feito com os Batista Brothers, quando o ministro Fachin faz cara de paisagem e quando a ministra Cármen Lúcia pede investigações urgentes e rigorosas, o ministro Fux  prima pela prestidigitação dos fatos, dizendo que os dois irmãos “enganaram o MPF e a sociedade”. Opa, ministro! Deixe-nos fora dessa. Os enganados, na lambança, foram o MPF, o procurador-geral e o STF.

Desde as primeiras notícias, a sociedade, pagadora de todas as contas, escandalizou-se com as imprudências que cercaram a delação e com o assombroso acordo que a recompensou e os senhores endossaram. Queira Deus que a embrulhada não afete o instituto da colaboração premiada nem invalide o conjunto probatório nela produzido!

11 thoughts on “Janot, STF e o conto do vigário aplicado por Joesley Batista

  1. À Revolução Redentora, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, a meu ver, é único gran finale aceitável para essa ópera bufa que é a república 171 do partidarismo eleitoral, do golpismo ditatorial e seus tentáculos, velhaco$, que já dura 127 anos, cujo elenco já esgotou a paciência de quase todos, dos quais restou constatado que somos todos vítimas, reféns e escravos fantasiados de cidadãos.

  2. Discordo totalmente do seu arrazoado, Sr. PERCIVAL. Os fatos apresentados no áudio da conversa foram insofismáveis e a mala do deputado Loures cheia de dólares, uma realidade lancinante.

    O que você queria do procurador Janot? Que ficasse inerte diante daquela conversa no fim da noite, fora da agenda? Faça-me um favor, meu senhor!

    Tenho lido seus artigos aqui na TI, sempre num tom hiper conservador, na qual respeito, mas, um jornalista deve primar pela imparcialidade. Pelo tom dos ataques a Janot depreende-se que o articulista deveria deixar passar as canalhices do Aécio com Loures e também o aval para Joesley continuar abastecendo Cunha e Funaro para ficarem de boca fechada.

    Janot fez o que deveria ter feito. Os réus que provem na Justiça, que não falaram o que foi gravado.

    Só acho, que Janot foi muito benevolente com os delatores da JBF, ao contrário do Marcelo da quadrilha da Odebrechet, no entanto, o pedido de prisão de Joesley nesta sexta veio sanar digamos essa falha de menor potencial ofensivo. Torço para o ministro Fachin agir o mais rápido possível para que os mentirosos vejam o sol nascer quadrado.

    O país não aguenta mais tanta roubalheira e o Lula também já deveria estar pagando por tudo de errado que estão vindo a tona, como O amado CHEFE. A LEI deve servir para todos, tanto gregos como os troianos. Chega de só pobre mofar na cadeia.

    • Nascimento, existem dois tipos de cegos. Os que não enxergam e os que não querem ver. Desde o princípio, aqui na Tribuna, sempre disse que tinha algo muito errado na delação, tanto, que agora, virou um carnaval e, com isto, o Temer escapou definitivamente.

      • “”mas, um jornalista deve primar pela imparcialidade.””

        Sr. Roberto, alguns jornalistas, nos tempos da “Iscola” de Jornalismo, cabulavam as importantes aulas de “Imparcialidade”…
        Alguns pulavam o muro das Universidades para dar um “pulinho” na Adega de Vinhos e Champagne na Avenue Foch., na Linda e Bela Cidade Luz, Paris….

        E Vive La France.!!!!

    • Essa técnica é bem conhecida. Ao discordar você afirma que, também devo pensar isto e mais aquilo e defender tal ou qual criminoso. Ora por favor! Faça melhor do que isso. Eu quero cadeia para todos, especialmente para Lula e Temer. No entanto, a conduta de Janot foi errada e ele mesmo reconheceu que foi enganado. E foi enganado porque foi afoito e imprudente. Meus artigos clamam por justiça, defendem a Lava Jato e o juiz Moro, a PF e o MP. Reprovam a leniência do STF e o garantismo de Gilmar Mendes. E sou assim por que sou conservador, defendo princípios e valores.

  3. Agora já começaram a aparecer notícias de que os financiamento do BNDES na Africa e America Central, eram fontes de polpudas propinas ao petismo.
    Comparando os governos de lula/Dilma com a criminalidade comum, chaga-se a conclusão de que foi um “arrastão”, devido ao método utilizado para rapinar o dinheiro público.
    O affair Batista/Janot, foi na verdade, ao meu ver, uma armação que deu errado, devido ao primarismo e inconsequência de uma das partes envolvidas, o Batista.
    A PGR não foi ludibriada, até porque os seus integrantes não são ingênuos a ponto de serem enganados por este Batista.
    Combinaram quase tudo, menos que o Joesley não deveria encher a “caveira” de água que passarinho não bebe e falar ao telefone.
    Quem sabe até isto também estivesse combinado, mas com outro grupo, justamente para desestabilizar o Janot. Neste meio já se pode acreditar em tudo.
    O caso Batista com as proporções que tomou , terá que ser baixado para a primeira instância e dai vai depender do juiz que pegar a bronca.
    Acho que neste caso a esperteza engoliu o esperto.

  4. Também sonho com um poder breve, efetivo, forte e sem vínculos com o atual sistema político corrupto. Mas se esse poder se tornar real, que seja para eliminar os ratos independentemente de pedigree.
    Já estou de saco cheio de ver bobos metidos a sábios. Uns falam Latim para esconder a pobreza de suas idéias, outros latem para proteger o seu osso, outros por puro desequilíbrio patológico de suas emoções, outros por puro petismo.
    Chega, a hora é agora.

    • Só mais uma coisinha: estou com o Janot. Só comete erro quem faz, e o Janot fez muito. Existe uma fala frequente para desmoralizar as delações e o trabalho do MPF – é a fala dos corruptos, dos que não querem soltar o osso.

  5. Roberto Nascimento concordo com o Sr.
    Para desmascarar estes “canalhas” que mesmo diante de tantos fatos e provas ainda assim querem enganar o povão. Vejam a desfaçatez do Moreira Franco ao dizer que as delações é que ainda atrapalham a retomada da economia; fazem de tudo para enganar a sociedade e se safar, mas continuo com fé de que a hora chegou e que Juízes de alto gabarito não deixarão barato não.
    Rezo a Deus por eles.

  6. Prefiro mil vezes um procurador que pode cometer erros, tentando fazer o que nós precisamos, do que uma justiça descaradamente , protetora de amigos ladrões.

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