Joaquim Barbosa coloca um freio na decolagem do candidato Sergio Moro

Barbosa disse a aliados que vê com desconfiança a candidatura de Moro 

Pedro do Coutto

O ex-ministro Sergio Moro visitou segunda-feira, no Rio, o ministro aposentado do Supremo, Joaquim Barbosa, em busca de apoio para a sua candidatura à Presidência da República, mas, revela a reportagem de Julia Chaib e Catia Seabra, Folha de S.Paulo desta quarta-feira, que não obteve o êxito esperado.

Joaquim Barbosa disse a pessoas próximas que recebeu Moro por cortesia, mas que tem restrições à sua aproximação com procuradores e agora também com militares descontentes com o governo Bolsonaro.

FREIO – A posição de Joaquim Barbosa representou, na minha visão, um freio na candidatura daquele que na esteira aberta por Barbosa enfrentou e condenou ladrões de casaca. Entretanto, Joaquim Barbosa, como revela a reportagem, disse que Sergio Moro cometeu um erro crasso aceitando ser ministro da Justiça de Jair Bolsonaro.

A restrição de Joaquim Barbosa surgiu num momento muito sensível para a candidatura de Sergio Moro na medida em que este encontra-se num esforço para decolar e com isso tentar transformar-se numa terceira opção, visando sobretudo enfraquecer Bolsonaro. Ele consegue parcialmente isso porque seu potencial de eleitores, localizados nos segmentos de renda mais alta, são justamente aqueles que juntos aos quais Bolsonaro tem melhor colocação.

Junto aos eleitores e eleitoras de renda menor a penetração tanto de Bolsonaro quanto de Sergio Moro é muito pequena, com o agravante para Bolsonaro de o fenômeno resistir às suas ações administrativas, como é o caso do Auxílio Brasil. O Auxilio Brasil é uma concessão, mas não uma interação social entre o concessionário e os que recebem auxílio.

EFEITOS INFLACIONÁRIOS – Conforme começou a ser noticiado nos jornais de terça-feira e ontem na Folha de S. Paulo e no O Globo, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, dirigiu carta ao ministro Paulo Guedes tentando explicar a explosão da meta inflacionária de 2021 como consequência da economia mundial.

Como focalizamos ontem, a carta é a sexta edição de explicações transcorridas ao longo de 12 meses. A meta inflacionária era de 5% e acabou fechando em 10%. Roberto Campo Neto procura explicações que não convencem, é claro. Mas mesmo que convencessem,  falta uma consequência fundamental: os efeitos inflacionários no custo de vida brasileiro e no consumo de nossa população, inclusive as compras nos supermercados. Isso é um problema grave. Qual a solução que Roberto Campos Neto propõe para os efeitos inflacionários? Nenhum.

Quais as medidas esboçadas por Paulo Guedes para conter ou suavizar os efeitos do aumento do custo de vida? Nenhum. Qual a providência do presidente Jair Bolsonaro? Nenhuma. Então a explicação interessa menos do que os efeitos do processo, sobretudo porque refere-se à integridade e à própria vida humana dos brasileiros e brasileiras. Entre os efeitos não compensados da inflação, encontra-se o avanço da fome.

POPULARIDADE DIGITAL –  Reportagem de Carolina Linhares, Folha de S.Paulo de ontem, destaca que segundo pesquisa do Instituto Quaest,  a presença digital de Lula e de Bolsonaro neste ano passou a ser próxima uma da outra, inclusive até o final do ano passado houve um avanço de Lula. O Instituto chama índice de popularidade digital. Lula atinge 60 pontos contra 52 de Bolsonaro. Ciro Gomes é o terceiro e Sergio Moro é o quarto.

A proximidade entre Lula e Bolsonaro é uma consequência do avanço do petista junto ao eleitorado. Ele sempre perdeu a batalha digital para Bolsonaro, mas agora até o supera por pequena margem, consequência de sua popularidade e decorre também da medida em que se aproximam as eleições de outubro deste ano.

RECUO DE RONALDO –  Numa extensa entrevista à Folha de S.Paulo, na edição desta quarta-feira, Ronaldo Fenômeno disse que a cada dia que ele e o seu grupo abrem uma gaveta do Cruzeiro encontram uma surpresa negativa. Na terça-feira surgiu o endividamento do clube da ordem de R$ 1 bilhão. A dívida, disse Ronaldo, é maior do que ele esperava. “Não quer dizer que eu vá desistir, embora no pré-contrato exista tecnicamente a possibilidade de uma desistência”, afirmou.

No processo, estão em processo de análise. Mas na minha opinião, Ronaldo Fenômeno não separou  a parcela de investimentos da parcela da dívida. Isso faz com que o aporte de capital do grupo que ele representa (que o dinheiro não é só dele, é claro),  tenha que atingir a ordem de R$ 1,4 bilhão.

16 thoughts on “Joaquim Barbosa coloca um freio na decolagem do candidato Sergio Moro

  1. 1) Bom artigo

    2) A triste inflação de dois dígitos voltou… e assim, o atual governo perde…

    3) Quem será o CAI = Candidato Anti Inflação ?

    4) De Deputados Estaduais à Presidência da República quase todos irão aproveitar a sigla CAI…

    5) Disse-me Garuda, o pássaro mitológico do Hinduísmo – Budismo…

  2. Ao longo destes 522 de Brasil, talvez senha sido o maior erro: a saída de Moro da 13ª. Acabou-se. Estivesse lá, Bolsó reeleito? Com certeza, afinal fora eleito por conta da 13ª. Em suma, um erro monumental.
    O outro erro, tão grande quanto, o apoio de Padre Vieira à escravidão.

  3. Conversar com Joaquim Barbosa, um ex- ministro inexpressivo, que abandonou o Supremo e que tem a Relatório da Ação Penal do Mensalão, como único legado, foi mais um erro de Sérgio Moro, na extensa galeria já exposta ao distinto público: agir como juiz e procurador, abandonar a magistratura para assumir ministério de Bolsonaro, fazer tudo para ser indicado Ministro do STF e agora se encontrar com Joaquim Barbosa e levar uma bordoada pelas costas
    Pensando assim, como confiar, que fará um bom governo, caso seja eleito, se erra tanto, até de forma contundente.
    Venhamos e convenhamos, Moro não é do ramo.
    Estava de bom tamanho, ter continuado na carreira de magistrado, com o tempo seria alçado a desembargador por tempo de serviço.
    Enfim, está ele aí, surfando em área que não domina.

  4. Saiu uma pesquisa no Estadão, hoje, atestando que só 4,69% dos brasileiros confiam nas pessoas, um no outro, o restante não confia.
    Chegaram a conclusão, que esse comportamento freia avanços.
    Mas, os pesquisadores, não informam as razões práticas para a falta de confiança dos brasileiros.
    Uma delas é isso aí, o ministro Paulo Guedes e presidente do Banco Central, dois investidores em paraisos fiscais, no caso, as Ilhas Virgens Britânicas, para fugirem da carga de impostos vigente no Brasil. Então, tem como confiar no que eles dizem, depois do estouro desse escândalo do Pandorra Papers, se nem eles confiam na carga de impostos do governo para o qual trabalham?
    Logo, não dá para acreditar no Roberto Campos, quando ele põe a culpa nas condições externas para ele, aumentar a taxa de juros internamente, aprofundando ainda mais a inflação, que atinge muito mais o pobre do que o rico.
    Dá para confiar no presidente da República, que assinou a independência do Banco Central, para dizer que não era culpa dele, o aumento dos juros?
    E o ministro Guedes, que não entrega o que promete e ainda mente ao dizer que estamos crescendo em V, em meio a falência das empresas e o endividamento dos micros empreendedores, pois não está havendo compradores para produtos na proporção que o capitalismo requer?
    Nem se fala, dos nossos políticos, principalmente os do Centrão, os amiguinhos do Bolsonaro, para os quais, o presidente faz os seus agradinhos, através de cargos na máquina pública, liberação de Emendas parlamentares, Orçamento Secreto, etc..e tal
    O resultado da pesquisa, do BID ( Banco Interamericano de Desenvolvimento) , segundo a qual, a desconfiança dos brasileiros atrapalha as reformas, merece ser lido. Pag B2 Caderno de Econômica a do Estadão.
    Uma pequena crítica: Como confiar em Reformas, se elas só pioram ainda mais, a vida do brasileiro, se são feitas para agradar as classes produtoras e ceifar direitos dos trabalhadores? Será que alguém ainda acredita nesse Congresso, liderados pelo Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, no Bolsonaro e no Paulo Guedes?
    Cartas para a Redação, para analisarmos, porque posso estar errado nessa avaliação.

  5. Já deu para perceber, que a parceria do clube Cruzeiro e Ronaldo fenômeno, está vazando água no barco dos investidores.
    A fala de Ronaldo fenômeno, afirmando, que ao abrir as gavetas do clube tem se surpreendido com dívidas astronômicas, indicam que ele está costeando o alambrado, como dizia sabiamente o líder do PDT, Leonel Brizola, quando um correligionário estava querendo pular fora do barco.
    É notório a sabedoria popular, que diz: ” os ratos são os primeiros a abandonar o navio”.
    Ronaldo fenômeno é muito esperto, logo não vai jogar dinheiro pela janela. Se perceber que não obterá lucro com a gestão do Cruzeiro, usará a cláusula da “desistência” inserida no contrato de gestão e pulará fora.
    No capitalismo, há uma regra de ouro. Não faça investimento, que possa gerar prejuízo.
    Paulo Guedes e Roberto Campos sabem muito bem disso. Se eu pudesse e meu dinheiro desse, também investiria nos paraisos fiscais, mas, não iria para as Ilhas Virgens Britânicas, que é muito longe, pois o Panamá está aqui pertinho de nós.

    • Paulo Guedes e Roberto Campos sabem muito bem disso. Se eu pudesse e meu dinheiro desse, também investiria nos paraisos fiscais, mas, não iria para as Ilhas Virgens Britânicas, que é muito longe, pois o Panamá está aqui pertinho de nós

      Nesse quesito Paulinho Pirata e seu amigão são muito espertos.
      Não querem nem saber de por seu “suado dinheirinho” na Poupança da Caixa, rende bem menos do que a valorização do dólar, que segundo o Paulinho está “muito baixo” “tem que aumentar um poquinho”, assim sua conta pirata nas Ilhas Piratas bate na estratosfera em alguns milhões de dólares…..

      Vai ser esperto assim lá na ponte que caiu….

  6. Quem ameaçou o Joaquim Barbosa de morte caso ele não se “aposentasse”, o PT (partido dos traficantes) ou os sinistros narco-socialistas do STF?

  7. Como e que podemos ainda dar credito ao sr Joaquim Barbosa?

    Alguém que, de forma surpreendente é verdade, levantou o tapete da corrupção no mensalão e pregou pelas punições aos envolvidos, mas que e forma incompreensível abandonou tudo e foi curtir uma milionária aposentadoria precoce?

    Por que renunciou?

    Foi pressionando, ameaçado? Por quem?

    Ou apenas resolveu aproveitar e relaxar, curtindo as delicias de uma vida tranquila, saindo no momento em que era o artilheiro do campeonato?

    Para mim, pelo menos, enquanto nao responder a isto qualquer declaração ou ato é suspeito e indigno de credito.

    Moro perdeu muito tempo e prestigio com esta visita.

    Jamais Joaquim deve ser incluído entre os luminares que merecem reverencia.

    No mínimo, amarelou, então que conselhos pode dar??

    “arruma uma boquinha de luxo e logo que der e for seguro, te manda e vai curtir a vida”

    É isso??

  8. Joaquim Barbosa e Ronaldinho “fenômeno” são dois BUNDÕES! Um teve um trelêlê baiano antes da final da copa quando soube que o Pedro Bial havia faturado sua namorada golpista. O episódio dos travestis dispensa comentários. Se amarelar na compra do Cruzeiro não será nenhuma surpresa. Joaquim Barbosa, ex servidor da Gráfica do Senado Federal saiu antes da hora quando precisávamos MUITO dele em decisões importantes para a nação. Além disso não quis entrar para a política quando na vida há momentos em que as situações exigem sacrifício individual em prol da coletividade. Não demonstrou ali grandeza. Para encerrar foi um péssimo servidor público quando entrou com atestado médico e foi tomar cachaça no bar mercado municipal em Brasília. Para mim teria que ter sido demitido a bem do serviço público. Postura inaceitável!

  9. Quanto tempo e quais valores Joaquim Barbosa contribuiu para a sua aposentadoria?
    Quanto recebe por mês de aposentadoria?
    Esta conta ( investimento, retorno) seria aproximadamente igual às contas dos demais empregados brasileiros ( INSS)?

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