Jogo de riscos

Tostão

Hulk, destaque contra a Dinamarca, é o principal jogador do Porto, pretendido pelos maiores clubes da Europa. Como atuou em apenas um jogo no Brasil, pelo Vitória, de lateral-esquerdo, não é um personagem badalado pela imprensa e pelo público. Além disso, por ter o corpo de lutador e não ser malabarista, é visto apenas como um grosso eficiente, que sabe usar a força física.

Hulk não tem muita habilidade, mas possui ótima técnica. Por ser veloz, principalmente na arrancada, não precisa driblar. Toca para o lado e finaliza, com extrema eficiência.

Hoje, contra os EUA, Neymar deve entrar no lugar de Lucas, que jogou mal. Lucas tem a desculpa que estava torto, pela esquerda. Ele não faz parte dos jogadores destros que atuam pela esquerda, como Cristiano Ronaldo, Neymar e outros. Da mesma forma, canhotos, como Hulk, Robben e Di Maria, gostam de jogar pela direita. Todos driblam para o centro para finalizar.

Outro destaque contra a Dinamarca foi a marcação por pressão. Mano Menezes tenta fazer isso desde que assumiu a Seleção. Poucos times do mundo, do passado e do presente, atuam dessa forma, de rotina, na maior parte do jogo e com sucesso.

Foi assim com a Holanda, em 1974, com o Milan, com Arrigo Sacchi, no fim da década de 1980, com o Grêmio, com Tite, na Copa do Brasil de 2001, e, hoje, com o Barcelona. A maioria dos técnicos, de todo o mundo, prefere recuar, fechar os espaços e contra-atacar. É mais seguro.

Uma das vantagens de marcar por pressão é tomar a bola mais à frente e chegar ao gol com vários jogadores. O volante, quando desarma, pode continuar a jogada até o gol. Outra vantagem é não deixar o outro time se organizar e trocar passes no meio-campo. Com isso, a bola fica mais longe do próprio gol.

Há também vários riscos. Por haver muito desgaste físico. Se o time termina o primeiro tempo em desvantagem, terá poucas condições físicas para mudar o resultado.

Se os volantes e os laterais marcam à frente, e os zagueiros ficam atrás, como ocorre com todos os zagueiros que jogam no Brasil, ficam muitos espaços entre os dois setores. Se os zagueiros avançam na marcação, ficam muitos espaços nas costas. Por isso, têm de ser rápidos e saber o momento do passe, para antecipar. O goleiro passa a ser um líbero.

Mano sabe que, em casa, na Copa, terá de utilizar muito dessa marcação. Isso inflama o time e os torcedores. Futebol é um jogo de riscos. Só os medíocres não arriscam.

###
BRASILEIRÃO

O Atlético ganhou as duas primeiras, como no ano passado. Por isso, nada de euforia. O Galo tem um time promissor, organizado, que pode evoluir. Junior Cesar melhora a lateral esquerda. Falta mais talento no meio-campo, mais troca de passes e menos correria. Não será com Richarlyson. Não sei por que Cuca não se entusiasma com jovem Fillipe Soutto, machucado. Quando estava bem, era reserva.

Cruzeiro e Náutico fizeram um jogo horrível. Isso não pode ser o futebol brasileiro. O Cruzeiro fez 44 faltas e não trocou três passes. A culpa não é de Celso Roth. Ele já melhorou a marcação. Apesar de não serem jogadores especiais, Tinga, Willian Magrão e Souza podem melhorar a qualidade. Dizem que Fabinho, ex-jogador do Guarani, é um bom atacante. Quem sabe?

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *