Jorge Béja previu que Roberto Dias seria solto ontem, bastando pagar a pequena fiança

Roberto Dias saiu preso da CPI da Covid. Após mais de cinco horas na Polícia Legislativa e pagamento de fiança foi colocado em liberdade - (crédito: Marcos Oliveira)

Prisão de Dias foi espetaculosa, mas teve efeito rápido

André de Souza, Adriana Mendes e Natália Portinari
O Globo

O ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, foi solto após cinco horas detido na Polícia Legislativa do Senado Federal. Ele foi preso em flagrante pelo presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), por falso testemunho.

No fim da noite, às 23h, Dias pagou fiança de R$ 1,1 mil para ser solto, segundo a Polícia Legislativa. Senadores que estiveram com Dias durante o depoimento, como Marcos Rogério (DEM-RO), disseram que os policiais deram a opção a Dias de mudar seu depoimento na CPI, corrigindo o potencial falso testemunho, para que ele não tivesse que pagar fiança.

RESPONDER EM LIBERDADE – O diretor da Polícia Legislativa, Alessandro Morales Martins, não informou se Dias mudou o depoimento. A jornalistas, disse apenas que o depoente iria responder em liberdade agora.

Omar Aziz deu voz de prisão para o ex-diretor após virem à tona, em reportagem da CNN, áudios que desmentiam a versão de Dias sobre encontro com o cabo da Polícia Militar Luis Paulo Dominghetti, em restaurante em Brasília.

— Ele vai ser recolhido pela Polícia do Senado. Está mentindo desde manhã — determinou Omar Aziz.

Dias foi acusado por Dominghetti, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply e negociava a compra da vacina AstraZeneca pelo governo federal. Segundo o vendedor, Dias cobrava um dólar por dose de vacina vendida ao ministério.

MUITAS MENTIRAS –  Segundo o presidente da CPI, Dias mentiu sobre o encontro com Dominghetti, em um restaurante em Brasília, onde ele teria feito o pedido de propina. À comissão, Dias disse que o jantar entre os dois não foi programado. Ele estava tomando chope com um amigo quando o PM apareceu. Omar, porém, citou áudios do celular de Dominguetti apontando que o encontro foi previamente combinado.

— Os áudios do Dominguetti são claros — disse Omar.

Omar Aziz também reclamou que o ex-diretor deixou de dar informações em resposta a algumas perguntas dos senadores, dizendo que o departamento dele não cuidava de um assunto.

Dias confirmou que conheceu Dominghetti no restaurante Vasto, no Brasília Shopping, mas negou ter pedido propina e disse que solicitou ao representante da empresa Davati que encaminhasse um pedido formal de compra de vacina, que nunca prosperou.

SEM PROVAS  — “Estou sendo acusado sem provas por dois cidadãos, o senhor Dominghetti, que aqui nesta CPI foi constatado ser um picareta que tentava aplicar golpes em prefeituras e no Ministério da Saúde” — disse Dias completando: “O deputado Luis Miranda possui um currículo controverso” — disse, fazendo menção ao parlamentar que o acusa de pressionar de forma “atípica” a compra da vacina Covaxin.

Segundo Dias, o encontro com Dominghetti no restaurante não foi marcado previamente:

“Eu tinha uma reunião com um amigo no restaurante para um chope. Na sequência, o coronel Blanco chega com esse senhor que posteriormente foi identificado como Dominghetti. Como não foi um evento marcado, combinado, não me recordo de detalhes — disse, antes de ser preso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Tudo ocorreu exatamente como o jurista Jorge Béja previu ontem aqui na TI, ao fazer um comentário que não tive condições de editar como artigo, por ter ido ao Rio para almoçar com um grande amigo de Brasília, José Antonio Perez, mas lá chegando tive um problema inesperado, que ainda não consegui resolver e daqui a pouco voltarei ao Rio para dar solução e também para almoçar de novo com o Perez, desta vez com mais tempo para conversarmos. Béja publicou o artigo primeiro no Jornal da Cidade e aqui para a TI depois mandou como comentário, e assim os participantes do blog puderam trocar ideias com ele. No texto, Béja criticou os excessos de Aziz e previu que Roberto Dias logo seria solto por fiança. Para variar, Béja deu mais uma aula. (C.N.)

13 thoughts on “Jorge Béja previu que Roberto Dias seria solto ontem, bastando pagar a pequena fiança

  1. Dinheiro de cachaça, como dizia antigamente.
    È o mesmo valor da multa por não votar nessa cambada de vagabundos, corruptos, vermes sanguessugas genocidas.
    Valor de pinga……3,50

  2. O Aziz errou ao mandar prender porque a testemunha pode mentir em depoimento para não se auto incriminar, mas se sua mentira incriminar terceiros, aí a prisão poderia ser feita. Por isso é que a condução coercitiva foi considerada inconstitucional pelo STF, porque o cara pode chegar na frente do delegado e ou ficar em silêncio ou mentir para não se auto incriminar.

  3. Tudo dentro do script! O objetivo da CPI é mais teatral, dentro do aspecto puramente juridico suas decisões são praticamente inconsequentes, o que vale mesmo é o aspecto poltico e isso eu acho que a CPI está funcionando, tudo indica que a reeleição de Bolsonaro ou mesmo um golpe que venha a ser tentado por ele se torna cada vez mais um evento cada vez mais improvável. Quanto ao aspecto juridico o mestre Jorge Béja é como sempre, insuperável.

  4. O corrupto senador Omar “260 Milhões” Aziz, também investigado por pedofilia, prendeu ilegalmente o depoente baseado, no que falou outro depoente. Com um vagabundo desse calibre presidindo de uma CPI, só me resta torcer para o fechamento imediato desse antro de malfeitores.

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