Jornais crescem e faturam 3 vezes mais que a Internet

Pedro do Coutto

A Folha de São Paulo publicou em sua edição de 28 de julho, Caderno de Economia, que no primeiro semestre deste ano a venda de jornais cresceu 2% em relação ao mesmo período de 2009 atingindo a média diária de 4 milhões e 225 mil exemplares. A população aumentou 1,2%. O faturamento alcançou R$ 1,3 bilhão, crescimento comparativo da ordem de 7,8%. A fonte da informação é o presidente-executivo do IVC, Instituto Verificador de Circulação, Pedro Martins Silva. No mesmo espaço de tempo, a internet faturou 414 milhões em publicidade, um terço do produto publicitário dos jornais. Como ninguém joga dinheiro fora, muito menos em empresas anunciantes, deduz-se que se enganaram aqueles eu achavam (ou acham) que a web poderia ocupar o lugar da imprensa. Nada disso.

Como digo sempre, se vale Freud, vale Marx. E me lembro do belo título do psicólogo e pensador alemão Erich Fromm: Meu Encontro com Freud e Marx, década de 1950. Humor à parte, o fato é que os meios de comunicação complementam-se entre si, adicionam-se, um não substitui o outro. Os jornais não acabaram com os livros. O rádio não acabou com os jornais. O cinema acrescentou-se ao rádio. A televisão não anulou nem o rádio, tampouco o cinema. A internet surgiu para se acrescentar a todos eles. Ótimo isso. Ganha a informação, ganha a opinião, ganha a cultura universal.

O faturamento publicitário, identificado pelo Projeto Inter Meios, reflete o grau de circulação e audiência. Por isso, dos cerca de R$ 11,8 bilhões comercializados em publicidade nos seis primeiros meses do ano, R$ 6,3 bilhões foram capturados pelos canais de TV, incluindo abertos e os por assinatura. Confrontando-se o resultado com períodos anteriores em que o volume publicitário esteve estacionado na escala de $ 10 bilhões a cada 12 meses, algo em torno de quase R$ 18 bilhões, em 2010 vai ultrapassar esta barreira, devendo fechar o exercício com cerca de R$ 22 a 23 bilhões. Já focalizamos o faturamento dos jornais, da televisão, da internet. Falta o das emissoras de rádio: R$ 420 milhões de reais de janeiro a junho. Um pouco mais que o da Internet ultrapassa o rádio, pois este aumentou 18,5% de um ano para outro, enquanto a internet avançou 34%.

Uma tendência. Mas que não se afirma por si. Pois é preciso saber se o movimento comercial da web está ou não no seu teto. Isso porque é difícil a rede de computadores conectada superar a barreira de 30% dos domicílios brasileiros , ou seja 9 milhões de residências, pela questão inultrapassável do poder aquisitivo. O país possui 58 milhões de domicílios, segundo o IBGE, portanto 58 milhões de famílias. Só 30% têm plano ou seguro de saúde, algo absolutamente indispensável. O computador vem logo depois do plano de saúde. Quanto custa uma internação hospitalar? Impossível os assalariados poderem arcar com a despesa. É essencial.

As agências de publicidade, os bancos, o comércio, os governos devem ler com atenção a matéria publicada pela Folha de São Paulo. Vão encontrar uma síntese da realidade que envolve a comunicação brasileira e observar bem o mercado de informação e opinião que se descortina. Eu falei em opinião. Neste aspecto, a imprensa escrita domina totalmente o panorama. Uma questão de espaço. Se alguém na tela da TV se reservar a comentários fará com que telespectadores e ouvintes mudem de canal ou de estação. Ou então que desliguem os aparelhos. Opinião detalhada é algo próprio de linguagem escrita. Não da falada.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *