Jornalista não tem culpa se o presidente da República não gosta de ouvir falar em cheques

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Presidente Bolsonaro, a campanha acabou. Desça do palanque. Respeite os outros. Se quiser ser respeitado. Aprenda a conviver com o contraditório. Adquira bons modos. Evite ser grosseiro e mal educado. Cansamos de suas diatribes. Seus rompantes de histerismo e intolerância não lustram o cargo que o ocupa. Pelo contrário. Deixe de ser destemperado com quem está trabalhando. Cumprindo seu dever profissional. Como cidadão e chefe de família.

Não trate jornalistas como se fossem seus vassalos. Jornalista não tem culpa se vossa excelência não gosta de ouvir falar em cheques.

DOIS LADOS – A ofensa tem dois lados. Quem agride, acaba levando o troco. José Luiz Datena tem razão: bundão é o senhor. Acrescento: bundão fanfarrão. Seus capachos engravatados e estrelados alegam, virou surrada ladainha, que o senhor é assim mesmo. Não vai mudar. Pena. Poderosos de plantão adoram puxas sacos em volta.

Ofensa, presidente, é arma dos fracos. Sinal de falta de argumento. Pare de pisar nos outros. Jornalista não é descarga para problemas alheios. O repórter pergunta, checa, esclarece e publica. O entrevistado, por sua vez, responde ou não. Jornalista não pode servir de bode expiatório de eventuais erros ou problemas dos outros.

Troque os remédios. Tudo indica que os que usa estão vencidos. Têm efeito ao contrário. Por fim, garanto que o senhor não gostaria que chamassem seus prendados filhos de bundões. Dobre a língua.

CONJUNTO DA OBRA – Pelo conjunto de bobagens de vossa excelência é que o empresário e produtor rural de Tocantins destacou em outdoor: “Bolsonaro é coisa ruim. Não vale um pequi roído”. Reze aos céus, presidente, porque se outdoor fosse de graça, o Brasil estaria cheio deles, homenageando o bundão do Alvorada.

O que o estúpido poderoso de plantão fez é intolerável, indigno e indesculpável. Robôs podem relinchar a vontade na internet. Jamais o bom senso tolerará reações grosseiras de um homem público que, pelo cargo que ocupa, deve dar bons exemplos aos cidadãos. Também colossal imbecilidade de capachos alegando que Bolsonaro ‘é assim, não vai mudar”. Tenho pavor de puxa-sacos. Especialmente dos engravatados.

16 thoughts on “Jornalista não tem culpa se o presidente da República não gosta de ouvir falar em cheques

  1. Prezadíssimo e Caríssimo Vicente Limongi Netto. Sou seu fã. O acompanho no O Globo e na Tribuna da Internet. Terei imenso prazer quando conhecê-lo pessoalmente e com você conversar muito.

    Compreendo a sua indignação, a sua irritação. Mas Vicente, compreenda também. Não se pode exigir que alguém dê o que não tem para dar. Que faça o que não sabe fazer.

    É questão de compreensão. Conformação, aceitação e confrontamento, jamais. E sim de compreensão.

    Abordei essa questão ontem, aqui na TI. Estarei eu errado?. Se estiver, vou me corrigir. Eis a reprodução:

    É preciso compreender e ter piedade de Jair, que ignora a magnitude do cargo que ocupa.

    Posted on 25 de agosto de 2020, 15:30 by

    Tribuna da Internet

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    Jorge Béja

    Nós, brasileiros, não devemos e nem podemos censurar, criticar, repudiar e nos indignar com os xingamentos, as ofensas, o vocabulário, o palavrório chulo, nem com as ameaças a jornalistas que o presidente Jair externa e outras falas e gestos que lhe são próprios. Ao contrário, devemos ter compreensão. Os obstáculos e as vicissitudes da vida só são possíveis de serem atenuados, quiçá superados, através da compreensão.

    Aceitação, conformação e confrontamento, não. Não, porque aceitação e conformação são irmãs gêmeas que não curam, não resolvem e ainda deixam sequelas. “Tenho que me conformar e aceitar, né? O que fazer, né?”. Eis a sequela. Eis o queixume, o estigma, a mágoa, o pesar, o desgosto, que são resíduos que permanecem, não desaparecem e não cicatrizam jamais.

    PIOR É O CONFLITO – Já o confrontamento é ainda pior. Confrontamento é conflito. E todo conflito, de que forma e de que natureza seja, desgasta, acaba com a nossa saúde, física e mental, e nos leva até à perda da vida.

    Precisamos compreender Jair. Para o vírus da ignorância, só a vacina do saber, do conhecimento e da cultura é capaz de eliminar a doença que o vírus dissemina. E mesmo assim quando ainda houver tempo. Porque quando tarde demais, a vacina é ineficaz.

    Portanto, é preciso, compreender Jair e dele ter piedade. Compreensão e piedade porque Jair – que não assumiu o poder fruto de um golpe, mas em razão do voto democrático dos eleitores –, Jair demonstra ignorar a importância, a nobreza, a magnitude, a majestade, a honorabilidade do cargo de presidente da República.

    ALVOS MACULADOS – Quando Jair xinga, faz ameaça, solta impropérios e outras aleivosias mais, os alvos maculados e vitimados não são as pessoas humanas, e sim a República, a civilidade, a urbanidade, e principalmente, o cargo de que está, temporária e transitoriamente investido.

    Assim como não se pode exigir de alguém que não saiba, nem nunca aprendeu, que entre na cabina de uma aeronave e pilote um avião, ou que se sente ao piano e toque uma peça musical, também não se pode exigir nem esperar que Jair tenha altivez, compostura, atitudes e comportamentos inerentes, adequados e próprios à solenidade do cargo para o qual foi elevado.

    Daí porque é preciso compreender. Compreender Jair, presidente do Brasil. E perdoá-lo. E dele nada esperar que seja diferente do que ele é. Ou que venha acontecer milagrosa transformação. Aquela vacina não faz mais efeito. Ela existe. Mas é para ser aplicada desde a tenra idade. Agora é tarde demais.

  2. Ótima matéria do Vicente, narrando muito bem o que Bolsonaro é, representa e o que poderia ser.
    Bolsonaro caminha para ser que Luiz Inácio, o que será quase impossível, porque este é mais burro e corrupto.
    Luiz Inácio puxou mais tempo de cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro que Bolsonaro por indisciplina militar, e isso o coloca muito a frente em matéria do que não presta.
    Esforço inútil de Bolsonaro querer ser pior que o ex presidiário. Impossível.
    Ambos seguirão pastando, e logo se unirão contra Moro que colocou o salafrario no seu devido lugar e avisou ao brasileiro quem é Bolsonaro.
    Vida pública é para pessoas que se doam, como a.grande maioria dos sacerdotes e Santos, e não para aventureiros sem causas que nascem matuto mas se.metem a malandro, e nem conhecem o que foi o Estácio.

  3. O Presidente é chucro, sincero e não tem papas na língua. Bateu, levou. Jornalista de aluguel, provocador leva a rebordosa no ato.

    O colunista que adverte “Ofensa, presidente, é arma dos fracos. Sinal de falta de argumento” é o mesmíssimo que duas linhas atrás xingou o Presidente: “Acrescento: bundão fanfarrão”.

    E não venha falar em “reação”. Bolsonaro não chamou os jornalistas de bundões como os manipuladores querem fazer crer. Disse o PR: “quando [a covid] pega num bundão de vocês a chance …”. Cobrar coerência desses jornalistas é o mesmo que cobrar honestidade de petista.

    • Seu Carlos, quem espero não seja um Bolsonaro, o ponto é que um chefe de estado representa a nação. Ele deve servir de exemplo a todos e inspirar confiança em sua liderança. O Lula não fez isso, tampouco a Dilma e o Temer, mas não isso quer dizer que a irracionalidade é embasada na Constituição ou em qualquer regulamento – ela é a base de nossa convivência, dos nossos julgamentos.
      O seu presidente é um mau exemplo para todos e deve ser uma pessoa doente – é a única explicação pelo seu comportamento Seu Carlos, que espero não seja um Bolsonaro disfarçado, o ponto é que um chefe de estado representa a nação. Ele deve servir de exemplo a todos e inspirar confiança em sua liderança. O Lula não fez isso, tampouco a Dilma e o Temer mas não quer dizer que a irracionalidade é embasada na Constituição.

    • Seu Carlos, que espero não seja um Bolsonaro, o ponto é que ele é um chefe de estado e representa a nação. Ele deve servir de exemplo a todos e inspirar confiança em sua liderança. O Lula não fez isso, tampouco a Dilma e o Temer, mas não quer dizer que a irracionalidade é embasada na Constituição. Sejamos amigos, afinal somos irmãos pela Teoria da Evolução. Ou não?

  4. WOOOOOOOOOOOW !

    O cerne desta história do “encher a sua boca de porrada” não está em nenhuma ameaça que o Imbrochável teria feito ao jornalista. Isso é secundário.

    A questão é:

    A primeira dama do país, recebeu um depósito de 89 mil reais de um vagabundo miliciano chamado Fabricio Queiroz, e o presidente ao ser perguntado sobre o depósito, se saiu com a demonstração de pseudo macheza. Se houve ameaçou ou não, isso é secundário.

    Aliás, já repararam como o Imbrochável fica destemperado quando interpelado sobre o amigão miliciano?

    Sobre “encher a boca de porrada”, nós já sabemos: trata-se de teatrinho que só engana sua platéia amestrada de jumentinhos histéricos, pois na única vez que teve a oportunidade de desmonstrar valentia contra um vagabundo, em 1995, no Rio de Janeiro, o Pseudomacho Bolsonaro entregou sua pistola Glock e sua moto.

    E no dia seguinte, choramingou:

    “MESMO ARMADO ME SENTI INDEFESO”

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (Pausa pra respirar!) kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (Outra pausa!) kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (engasgando de tanto rir!) kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (Ufa!) kkkkkkkkkkkkkkkkk xD

    • “Ainnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn, como meu Capitãozinho imbrochável é MACHOOOOOOOOOOOOOOOOOOO”

      (Escrito em MODO JUMENTINHO HISTÉRICO BINÁRIO APAIXONADO PELO IMBROCHÁVEL)

      • 23:59:

        Imbrochável –> “Minha especialidade é matar, talqui?”

        ——————————————

        00:00:

        Assaltante —-> “Perdeu! Isso é um assalto!”

        Imbrochável—> “Perdi. Pode levar minha Glock e minha moto, talquei?”

          • EM TEMPO 2:

            Quem só sabe ser valente quando está acompanhado de meia dúzia de seguranças não é valente, é apenas um covarde.

            “Ainnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn, como meu Capitãozinho imbrochável é MACHOOOOOOOOOOOOOOOOOOO”

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