José Murilo de Carvalho compara Bolsonaro com os governos de Jânio e de Collor

José Murilo de Carvalho vê o Brasil deixando de ser um país viável

Sonia Racy
Estadão

O desafio central da democracia brasileira, hoje, é “incorporar à sociedade e ao mercado as massas incluídas na política via governos republicanos”. E essa é uma tarefa urgente porque, até aqui , o sistema “não tem sido capaz de absorver a invasão de povo que se deu após a década de 1930”. É com esse olhar panorâmico de historiador que José Murilo de Carvalho faz suas contas sobre a fase inicial do governo Bolsonaro. O País, diz ele, tem um presidente “com precário suporte partidário, visão estreita do mundo e um governo errático”. As incertezas de hoje lhe trazem à memória os curtos períodos dos presidentes Jânio Quadros (janeiro a agosto de 1961) e Fernando Collor (1990 a 92).

Nesta entrevista a Gabriel Manzano, o cientista político da UFRJ vê Jair Bolsonaro indo “pelo caminho desses antecessores”. E aonde isso vai dar? “Os problemas tendem a se acumular e vamos nos distanciar da meta de um país viável”.

De que modo definiria a experiência política que o País vive sob o governo Bolsonaro? 
Já passamos por Jânio Quadros e Fernando Collor, os breves. Ambos foram impulsionados por eleitorado, em boa parte de classe média, insatisfeito com os padrões éticos vigentes na política, o primeiro brandindo uma vassoura, o segundo atacando marajás. Descuidados, ambos, do apoio parlamentar e partidário. Jânio governou por bilhetinhos, proibiu brigas de galo e biquínis, tentou um autogolpe, falhou e renunciou. Collor congelou a poupança dos outros, rivalizou com os marajás no trato com a coisa pública e renunciou sob a ameaça de impeachment.

Qual a comparação entre os dois e atual presidente?
Bolsonaro também surfou na onda anticorrupção – no caso, levantada pela Operação Lava Jato. Como seus dois antecessores, ele tem precário suporte partidário, postura autocrática na política, uma visão em preto e branco do Brasil e governo errático. Vai pelo caminho dos dois antecessores.

A nova equipe no Planalto revela falta de projeto nacional e uma escassa familiaridade com os processos do poder. Acredita que a força da ideologia – alardeada pela direita agora no poder – basta para garantir sua solidez no governo? Ou ele se desgasta aí pela frente?
Desgasta-se e se enfraquece. É um capitão cercado de generais (ainda bem) e por uma prole turbulenta, com visão estreita do mundo, sem plano geral de governo, com algumas propostas que podem ser desastrosas para o País, como as que se referem à política externa, à educação, ao meio ambiente, aos direitos humanos. Ele parece esquecer-se de que boa parte dos votos que o elegeram não foi a seu favor, mas contra o partido de seu adversário. Com pouco tempo na Presidência, já viu o apoio a seu governo cair a níveis mais baixos que os de seus antecessores. Seus dois ministros mais respeitados, o da Fazenda e o da Justiça, veem-se com frequência desautorizados e podem desembarcar do governo.

Como a esquerda sumiu do mapa, pode-se dizer que o País vive um novo momento? Como compara a atual “virada política”, que foi pelo voto, a rupturas como as de 1930, 1946, 1964? 
Como sugeri acima, comparo a eleição do atual presidente com as de Jânio e de Collor. Todas as três democráticas e legítimas – ponto que nunca se deve esquecer, sob pena de se cometerem sérios erros de diagnóstico provocados pela ênfase excessiva em personalidades. Nenhuma dessas eleições configurou propriamente virada política. Foram antes sintomas de problemas com nosso sistema representativo, que não tem sido capaz de absorver a invasão de povo que se deu após a década de 1930.

Como explica esses sintomas? 
Quer dizer que convivemos com um sistema que tem absorvido eleitoralmente grandes massas populares sem ter sido capaz de produzir politicas que atendam aos interesses dos novos cidadãos. No caso atual, os sinais de mal-estar já eram visíveis em 2013. Trata-se, a meu ver, do problema central do País: incorporar à sociedade e ao mercado as massas incluídas na política via exercício de governos republicanos.

É marcante o papel dos militares no novo governo. Focados, comedidos, têm hoje uma forte identificação com a sociedade. Como avalia isso? 
Já de início não me preocupou a presença inédita de tantos militares no governo. Ela não me pareceu, como a muitos outros observadores, representar um perigo para nossa democracia, ou ameaça de retorno aos tempos da ditadura. A realidade tem sido ainda mais surpreendente. Os generais que ocupam alguns dos postos mais importantes do governo, inclusive a Vice-Presidência, têm-se revelado fator de equilíbrio e bom senso, evitando a adoção de algumas medidas desastrosas defendidas pelo ex-capitão, sobretudo na área da política externa.

É uma imagem bem diferente da que se formou em 1964. 
Embora não representem as Forças Armadas no governo, eles têm consciência de que um fracasso teria repercussão negativa para a imagem da corporação. E um êxito ajudaria a melhorar essa mesma imagem perante setores da sociedade tradicionalmente críticos de seu envolvimento político.

O cenário fora do governo também é incerto. A bipolaridade PT-PSDB se esvaziou, as redes sociais ampliam espaço no debate. Para onde isso aponta? 
Alguma reestruturação terá que haver. Mas o tsunami provocado pelas redes sociais aumentará a fragmentação política. A redução legal do número de partidos poderá facilitar um pouco a governança, mas não vai melhorar a representação. Poderemos estar condenados a surtos de instabilidade e ao surgimento de outras lideranças carismáticas.

A esquerda, especificamente, é a grande derrotada dos novos tempos. Qual caminho ela deveria buscar para se recompor?
Há sempre espaço para recomposições políticas, dependendo da criatividade e da qualidade das lideranças – embora a tarefa seja difícil, como mostra o exemplo espanhol. O PT, sobretudo, está diante de um dilema. De um lado, precisa do carisma de Lula para manter peso eleitoral. De outro, essa dependência dificulta, se não inviabiliza, qualquer possibilidade de renovação – que teria que passar por uma autocrítica, opção rejeitada por seu líder.

Alianças eleitorais com outros partidos poderiam ser um caminho para revalidar o petismo? 
Muitos analistas concordam que, no ano passado, uma aliança eleitoral do PT com Ciro Gomes, sendo este o cabeça de chapa, teria tido boas possibilidades de ganhar as eleições. A ideia foi vetada por Lula. Desde meus tempos de estudante aprendi que, entre nós, as esquerdas brigavam mais entre si do que contra a direita. Mas o tema da desigualdade social está no centro dos problemas nacionais, exigindo políticas de inclusão, que são típicas da agenda da esquerda. Mas terá que ser uma nova esquerda, não clientelística e capaz de produzir desenvolvimento econômico com governos republicanos.

A “onda Bolsonaro” é também a onda das redes sociais e da direita em muitos outros países. Acredita que é só uma coincidência?
A onda das redes é universal, só tende a crescer. A arena política expande-se enormemente, colocando todos os cidadãos dentro dessa nova ágora que não exclui ninguém e que desafia a sempre problemática representação política feita por delegados escolhidos em eleições. Com isso, produz-se imensa cacofonia e se volta ao sentido primitivo de democracia como um perigoso governo das massas.

E de que modo o Brasil se encaixa nesse contexto?
O Brasil não foge a isso, nem pode fazê-lo enquanto houver liberdade de expressão. As razões do descontentamento de amplos setores sociais varia de país para país, mas uma delas é universal: o estreitamento da inclusão social via mercado de trabalho, que pode ser produzido pela imigração, pelo avanço tecnológico (a chamada quarta revolução industrial) e pela falta de crescimento econômico. Só escapamos da primeira dessas razões, considerando que o êxodo venezuelano não deva ter impacto nacional. Fica o problema: sermos um país com ampla participação política nas urnas e nas redes sem que se produza inclusão no mercado.

Há mudanças mais profundas pelo mundo – entre elas uma crescente crítica “aos limites da democracia”. Diz-se que ela não combina com os tempos de alta tecnologia. Que eleitores desinformados não estão preparados para escolher bons governos. O que pensa disso?
Em história, tudo passa. A engenhosa combinação de democracia e liberalismo também passará, como passaram o feudalismo, as teocracias, as monarquias absolutas, as aristocracias, as ditaduras de esquerda e de direita, para ficar só no Ocidente. Os sintomas da crise da democracia liberal estão sendo anunciados há algum tempo em democracias liberais maduras, como EUA, Espanha, Itália, Áustria. Em nosso caso, não chegamos a amadurecer nossa democracia liberal nem consolidar a nossa república – que é a forma de governo que a viabiliza. Houve tempo em que se falava das vantagens do atraso. Não apostaria nisso. O mais provável, no Brasil, é que acumulemos os problemas das duas fases e nos distanciemos da meta de um país viável.

20 thoughts on “José Murilo de Carvalho compara Bolsonaro com os governos de Jânio e de Collor

  1. O Cariocadagema deve falar porque conhece bem. Certamente nos últimos 14 anos a tática era essa : Tocar berrante e distribuir capim o que fazia a alegria dos participantes.

  2. Engraçado, as pessoas sérias ainda tentam vislumbrar uma saída para este Brasil, cercado de dificuldades e adeptos do quanto pior melhor.

    Mas é realmente difícil e as vezes nos perguntamos: para que? e para quem? Para os que o merecem com certeza, mas quando pensamos que temos carregar junto um fardo imenso de parasitas e aves de mau agouro, de diversos matizes, a dúvida fica muto forte.

    A figura do que “torcem pela queda do avião, só porque não gostam do piloto” não é mais piada, mas presente em nosso cenário de forma triste e contundente.

    Difícil, quase impossível, resistir a tentação de ao ao recebermos manifestações como esta da carioca, verificarmos que chegamos ao atual estagio, em grande parte, pela atuação bovina( no sentido de continuar a ruminar placidamente) de todos ” visionários da esquerda”, enquanto o pais além de saqueado, era destruído em seus fundamentos.

    resumindo: O Brasil é muito difícil, quando temos uma analise ampla e desapaixonada , o fanatismo partidário rasteiro , emporcalha tudo.

    Mas, pelo menos alguma coisa poderemos tentar a aprender com estes heróis da esquerda:
    Como dizia o saudoso Clodovil:

    “Hiena come m…., faz sexo uma vez ao ano e ri o tempo todo.”

  3. Não me levem a mal eu afirmar que a maioria dos intelectuais adora demonstrar seus conhecimentos através de frases de efeito, calcadas em teorias que mais parecem devaneios, que propriamente a análise do assunto em tela porque, reitero, pertenço à plebe ignara, à patuleia, logo, entender o diagnóstico do historiador entrevistado somente para pessoas de alto nível, doutas e cultas.

    Se, o especialista em História, aborda os problemas do povo brasileiro deveria saber que, de modo que o cidadão iletrado saiba o que ele está comentando, as palavras deveriam ser simples, inteligíveis, menos um enunciado sobre as circunstâncias do momento, advindas do passado e que não estão sendo tratadas de maneira republicana!

    Em síntese:
    O PROBLEMA CRUCIAL ATUALMENTE É O DESEMPREGO!

    O erro clamoroso de Guedes e Bolsonaro foi justamente ter colocado à frente dessa questão primordial ênfase maior à reforma previdenciária, menos ter considerado o desespero e sofrimento de milhões de pessoas!

    Se já não bastasse a extrema dificuldade porque vive o povo atualmente, sobrecarregado de impostos, salários aviltantes, sem segurança, saúde, ensino adequado, ainda ser compreensivo que deverá trabalhar mais sob pena de ficar sem a sua aposentadoria, pelo fato de a Previdência falir em seguida, a rejeição por essas mudanças seria natural, até mesmo como reação obrigatória!

    Os clamores da população deveriam ser prioritariamente atendidos, conforme as ações de qualquer governo democraticamente eleito, que amenizassem a chaga nacional aberta a tempos, concomitantemente transmitir aos desesperados uma espécie de alento a respeito de atitudes que estão sendo tomadas naquilo que mais os deixam atribulados.

    A dupla Bolsonaro e Guedes fez ao contrário!
    Mandou um recado para os desempregados de maneira tão inapropriada, insensível, cruel, que simplesmente dizia:
    Aguentem até onde puderem, pelo menos até a REFORMA DA PREVIDÊNCIA SER APROVADA!

    Portanto, eu esperava do expert, acima, palavras que fossem contundentes e claras sobre este desprezo do atual governo quanto à crise do desemprego, menos um tratado republicano com vistas às inclusões sociais!

    A bem da verdade, os milhões de seres humanos sem emprego devem responsabilizar os petistas, a quadrilha travestida em partido político, cuja finalidade tem sido somente roubar, enganar e iludir.

    Aliás, os intelectuais deveriam ser honestos e sinceros, corajosos e verdadeiros, em apontarem as origens dessa massa de gente desesperada, consequência de administrações exercidas somente com a intenção de lesar e prejudicar o erário em nome da ideologia abraçada, e enriquecimento do grupelho de ladrões!

    A CULPA DE BOLS0NARO E GUEDES diz respeito ao desprezo que sentem pelos necessitados, carentes, desempregados, endividados, e sem mais esperança alguma de futuro, e não que sejam os responsáveis por esta tragédia nacional, diga-se de passagem.

  4. Caro Bendl,
    O artigo do historiador coloca muito bem a situação nacional no sentido histórico, sem dúvida alguma para entendimento da esfera intelectual e culta. Mas, acerta quanto à inviabilidade que se abate sobre a Nação.
    Discordando da tua afirmação de que pertences à plebe ignara, à patuléia, tua manifestaçao é objetiva, e alerta quanto à direção e objetivos de levar o povo do País à uma melhoria de sua situaçao que a classe política não tem!
    Sem duvida alguma os partidos politicos dominados por um grupo que se dedica a viver à tripaforra aliados à uma classe média fútil e desinteressada pela participação politica, não vamos a lugar algum.
    Considerando que vivemos num território espetacular, nosso povo se encontra dentro do círculo do perú! O Governo e a classe dominante adoram isso!
    Entendo que o vaticínio do historiador já ocorreu.

  5. Caro Francisco

    Como sempre acertas na mosca, mas eu já não espero de nossa ” elite intelectual” de nossos analistas, de nosso judiciário, uma abordagem direta.

    A maldita e retrograda ” eloquência ” , dispersiva, camuflada,mas ” sabia” do Brasil/Portugal 1700/1800 está de tal forma enraizada que ninguem consegue falar direto.

    Tudo deve dar uma volta fantástica, com termos rebuscados, frases muito elaboradas.
    Ser direto e objetivo no Brasil é coisa de povao, de iletrado.

    A elite tudo resolve com um belo discurso.

    Existe algo mais anacrônico de que V. Ex em todas as mensagens no Brasil?
    O resto do mundo entende que o sr. é suficiente mas aqui devemos estudar, praticar e vigiar para que não se perca o tratamento que “merecem ” as excelências.

    Bonito é tervisejar (sic) (nem sei se este termo existe em outras línguas, mas no Brasil é adorado e praticado com afinco.

    Seria esperar demais, por isso me contentei com a visão de problemas que se repetem e ao risco de um novo Janio.

    • Meu caro conterrâneo Duarte,

      Obrigado pelo comentário incisivo, direto, contundente.

      Nessas alturas, o país precisa de objetividade, tratamento, tomar remédios, menos ouvir sobre as suas doenças!

      As teorias, teses, hipóteses, sínteses, antíteses, de nada adiantam para os que têm fome, que estão doentes, fracos, sem um teto sobre suas cabeças, que viram latas de lixo para encontrar restos de comida mesmo podres ou azedas!

      Por mais refinadas e eloquentes as apresentações a respeito das causas de nossos males, a solução não se encontra nos textos irrepreensíveis, que resgatam períodos da nossa história e os comparam com a atualidade, não.

      Queremos ser tratados, curados; queremos voltar a ser sadios, produzir, ter salários, empregos, trabalho; precisamos voltar a ser … humanos!!!

      Do jeito que nossos governantes agem conosco, utensílios de suas cozinhas muito bem montadas e repletas de iguarias e bebidas finas, ADQUIRIDAS COM O QUE RESTA DE DINHEIRO NO BOLSO DO INDIGENTE, E OBTIDO ATRAVÉS DE ESMOLAS, tais objetos têm muito mais valor que as nossas vidas!!!

      Assim não será possível continuar.
      Se é para este tecido social ser eliminado, de modo que a sua substituição seja por outro mais requintado, moderno, de seda javanesa, então que os demais tecidos sejam também extintos, e recomecemos um novo Brasil de forma ampla, geral e irrestrita!!!

      Grande abraço, gaudério.
      Saúde, che!

  6. O que tem de comum nos governos de Jânio, Collor e Bolsonaro vem de uma economia arrasada.

    Quando se fala por parte deste governo em reformar a previdência, que na verdade não prejudica os mais pobres, entre outras medidas, é para se tentar dar estabilidade econômica ao país e com isso confiança nos investidores.

    Sem essa base não haverá empregos.

    Já se viu construir uma casa começando pelo telhado, ora bolas.

    • Mario Jr.,

      A tua conclusão que, “sem essa base não haverá empregos”, te referindo à reforma da Previdência como fundamental para ocupação desses mais de 14 milhões de desempregados, lamento, pois se trata de um equívoco grotesco!

      Fosse assim, e não haveria mais uma vaga de trabalho ocupada no país;
      Se, a causa da falência da Previdência está na razão direta da sua baixa arrecadação, quanto maior for este número de desempregados, mais rápida será a sua extinção;
      Se, os dados informam que existem mais de 400 bilhões de reais de impostos sonegados, e nosso déficit esse ano acusa 140 bilhões de reais, a pergunta é lógica:
      O que faz o governo que não cobra tais inadimplentes e criminosos?!
      Por último, de modo que o povo saiba os porquês de a Previdência se encontrar nesta situação, e a imprescindível reforma proposta, mais uma indagação consequente:
      Por que não se faz uma auditoria nas suas contas, paralela à da nossa dívida pública??!!

      A reforma previdenciária não é a solução definitiva para o povo e país, Mario Jr., se a corrupção, as diferenças sociais, o desemprego cada vez maior, a pobreza e miséria aumentando a cada ano, a violência desmedida e sem combate, uma saúde pública deteriorada, falta de infraestrutura – por favor, esta reforma não tem a varinha mágica para, imediatamente à sua aprovação (plim!), que teremos um Brasil evoluído, moderno e desenvolvido, da mesma forma os quase 60 milhões de seres humanos considerados piores que animais!!!

      Ou o povo é o objetivo máximo de qualquer governante ou algo está muito errado em seus conceitos de como administrar uma Nação!

      Tenhas em conta, que o Brasil não é um negócio, que deva trazer lucro ao seu proprietário.
      Aliás, este dono é muito negligente e incompetente, pois quer melhorar as suas vendas diminuindo substancialmente os preços de suas mercadorias.
      Em outras palavras:
      Depois que não houver mais pobres e miseráveis, aqueles que recebem salário mínimo;
      depois que o Brasil se tornar livre dessas pessoas de segunda e terceira classes;
      depois que a tal badalada reforma for implantada, quero ver quem vai mantê-la, se o povo não existe mais e muito menos a mão de obra barata, que as castas e elites tanto roubam e exploram!!!

      Abriremos nossas fronteiras para imigrantes, conforme precisou a Alemanha, França, tendo em vista não conseguirem mais trabalhadores para as atividades mais simples?!

      Um pouco mais de visão humana para humanos não faz mal, garanto.

      Saúde.

      • ‘reformar a previdência, que na verdade não prejudica os mais pobres, entre outras medidas’

        -entre outras medidas-

        Não há emprego sem investidor.

        Não há investidor sem confiança na economia

        E por aí vai

        Saude

  7. Prezado Antônio Ávila,

    Muito obrigado pelo comentário, que me proporciona esclarecer melhor o meu texto, que ocasionou a tua participação importante sobre as minhas colocações.

    Em princípio, reitero que sou dotado de poucas luzes, pois basta comparar a forma como escrevi o meu entendimento sobre a situação do país, com a maneira como te manifestaste a respeito, distância que a tua intelectualidade e conhecimentos têm de mim que são medidas apenas através de ano-luz.

    Depois, a tua capacidade de teres interpretado a entrevista do historiador conforme teria sido o seu pensamento com relação ao alerta registrado nas conclusões obtidas, que encontrei dificuldades imensas para entendê-las.

    Dito isso, e de acordo com a minha modesta e limitada compreensão, sem maiores preâmbulos fui pelo atalho.

    Explico:
    Há tempos tenho lido, ouvido, tomado conhecimento, de inúmeros diagnósticos sobre nossos problemas tanto conjunturais quanto estruturais.

    Tais identificações de nossos males, advém de pessoas talentosas, inteligentes, cultas, intelectuais, estudiosos, sociólogos, que apresentam um painel tão multiforme de resultados – uma espécie de caleidoscópio -, entretanto absolutamente distante e incompatível com a realidade do pobre e do miserável!

    A necessidade premente, Ávila, e que nos ressentimos e clamamos, é de tratamento!

    Se existem os diagnósticos; se as doenças foram identificadas, aonde estão os medicamentos, os protocolos, que posam curar nossos problemas sociais?!

    Precisamos ser tratados, sarados; temos de tomar remédios, fazer fisioterapias, haja vista o que foi detectado sem a prescrição de resolver as nossas fragilidades e os porquês de estarmos tão debilitados socialmente, afirmo que existem em demasia.

    Logo, longe de mim ter criticado o epílogo do historiador ou o seu vaticínio, nas tuas palavras, mas a minha observação sobre a sua entrevista foi justamente por eu não ter lido ou entendido, como executar o diagnóstico alcançado??!!

    – Tá, a doença detectada é leucemia mieloide aguda, mediante meus estudos e sintomas do paciente …
    Aplausos ao especialista, mas … e quanto ao tratamento?
    Como debelar este câncer no sangue?

    Falta-nos exatamente esse procedimento, Ávila, a terapêutica adequada à remissão de células anormais no sangue desse ser humano, hoje desprezado e abandonado pelos governantes!

    Olha, o organismo nosso é composto por 100 trilhões de células aproximadamente, e que estão agrupadas em quatro tecidos básicos:
    epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso.
    O nosso Brasil também tem os seus tecidos:
    Judiciário, legislativo e Executivo.
    Porém, o mais importante, e que permite a existência dos que citei acima, chama-se de TECIDO SOCIAL.

    Na razão direta que está puído, roto, em algumas partes já rasgado, e tais defeitos foram constatados, resta consertá-lo, costurá-lo, sob pena de perdermos a base de qualquer nação, O SEU POVO!

    Foi assim, Ávila, que pretendi, que ousei, que extrapolei meus limites intelectuais ao comentar a entrevista do célebre historiador, por não ter lido qual seria o tratamento que ele indicaria para nossa doença após o seu disgnóstico!

    Um grande abraço.
    Obrigado pela deferência em responder ao meu texto simplório.
    Saúde, muita SAÚDE!

  8. “A bem da verdade, os milhões de seres humanos sem emprego devem responsabilizar os petistas, a quadrilha travestida em partido político, cuja finalidade tem sido somente roubar, enganar e iludir.”
    Trecho do comentário do nobre plebeu F. Bendl…

    Olha eu não sei onde vc meu nobre comentarista tirou essa idéia, mas é sua opinião e tenho que combatê-la de forma elegante.
    Seja sincero com vc mesmo meu caro e você do alto de seus longos anos de vida vai ter que ser sincero e ver que a situação atual do desemprego em nossa nação passa longe mais mui longe de ser culpa do PT… Se vc FB…tivesse lido em anos pretérios uma antiga publicação do saudoso Neiva Moreira (EDITOR) Cadernos do Terceiro Mundo ..vc veria ali meu caro amigo os motivos de nosso atraso social , educacional e por seguimento nosso crônico desemprego que já vem de muitissimos anos atrás e que nunca foi culpa do PT. Esqueça o PT..meu caro plebeu…o “buraco’ de nosso atraso e nosso desemprego passa pelo sistema pós bretton Woods e do sistema que visa destruir os riquissimos paises do chamado “terceiro mundo”…aliás cousa que foi muito bem arquitetada e planejada pela elite financeira encrustada nos paises dominantes que há muito vem destruindo os “paises periféricos os antigos terceiro mundo que eu lhe citei logo acima . A cousa meu caro é muito mais embaixo do que vc possa imaginar…é uma destruição planejada …mais mui bem planejada , uma teia tão bem feita que agora está dando seus frutos …. Deu para entender meu nobre plebeu…?
    Portanto Chicão esqueça o PT…aliás o nobre plebeu Sr. AQUINO..aqui mesmo em nossa TI…já nos deu informações preciosas sobre o Sr. Lula e seu “partido” e os motivos de sua criação…que nada mais nada menos foi para “DERRUBAR’ o Sr. Leonel Brizola..que batia de frente contra o sistema pós Bretton Woods.
    Paz para vc meu nobre .. saúde para vc e sua casa…
    YAWHE SEJA LOUVADO…sempre…

  9. Viável pra ele seria o Lula?O Haddad?A Gleisi Hoffmann? Deus me livre,acho que esse cidadão com todo respeito quer f…. o país de forma contínua e dissimulada como sempre foi nós últimos 15 anos.

  10. Tem razão o Sr. FRANCISCO BENDL em dizer que teve dificuldade de entender o Artigo acima do Prof. Dr. JOSÉ MURILO DE CARVALHO.
    Eu também tive.
    Os Professores escrevem/falam Academicamente, e por isso fazem mau Jornalismo.

    Diz o Artigo:
    O desafio central da democracia brasileira, hoje, é “incorporar à sociedade e ao mercado as massas incluídas na política via governos republicanos”.

    Agora em bom Jornalismo:
    O desafio central da democracia brasileira, hoje, é
    ” incorporar ao Mercado de Trabalho as massas atualmente Desempregadas”. ( +- 14% de Desemprego Oficial e outros +- 25% de Desalentados, Nem-Nem, sub-Empregados, etc”.

    Outro problema é o uso da palavra “viável”. (Seguindo esse caminho, vejo o Brasil deixando de ser um país “viável”). Um Jornalista treinado como nosso Editor/Moderador CARLOS NEWTON, seguramente diria “próspero”, porque viável até a Venezuela Bolivariana ainda é.

    Mas não tem culpa o ilustre Professor Historiador Dr. JOSÉ MURILO DE CARVALHO, porque deve ter escrito este Artigo para Acadêmicos, usando como é normal jargão Acadêmico, como os Médicos escrevem e falam entre eles, e Nós quase não entendemos nada, etc,etc.

    Quanto a sua análise de que o Governo BOLSONARO/MOURÃO vai pelo caminho dos Presidentes JÂNIO e COLLOR, discordamos.
    Apesar do alto Desemprego/sub-Emprego, o Brasil está hoje em melhores condições do que naquelas épocas.
    Não temos problema Cambial ( Dívida Pública Externa em US$ Dollar, que “mata”; não temos problema de Inflação, que está no centro da Meta de 4,25%aa, que “aleija”. Nosso Câmbio está ainda valorizado à +- 1US$ = reais 4; Temos uma Reserva no BC de +- US$ 400 Bi.; nossa Balança Comercial está Superavitária em US$ 70Bi/Ano com viés de alta; o Investimento Externo Direto subiu de 7º do Mundo para 4º em US$ 70 Bi/Ano também com viés de alta, o que comprova otimismo no futuro do Brasil.

    O que acontece é que estamos em transição de REFORMAS DIALOGADAS que o Congresso tem que Votar, para deslanchar o Investimento. E quanto mais rápido o Congresso DIALOGAR, AUDITAR e VOTAR, melhor.

    Feito isso, logo as coisas começarão a “entrar nos trilhos” e o Desemprego a reduzir.

    • Caríssimo mestre Bortolotto,

      Agradeço penhoradamente pela tua participação neste assunto, que dominas tão bem.

      E, como me apoiaste sobre o recado que transmiti sobre a entrevista em tela, encontro-me inflado como um balão gigantesco, pois escrevi mediante sentimentos e constatações reais, verdadeiras, e não consequências de culturas e conhecimentos teóricos que, invariavelmente, deixam de lado o legítimo interessado, o desempregado, desalentado, desesperado e faminto ser humano e … brasileiro!

      Temos especialistas de grande capacidade e competência na área econômica, mestre, porém de uso restrito nas Universidades, e não sendo utilizados onde deveriam praticar seus conhecimentos tão apurados.

      Ora, diante da minha declarada e confessada ignorância, analisei as palavras do célebre historiador exatamente como seriam entendidas pelos que sofrem, que imploram por ajuda, por trabalho:
      Tudo muito bem, tudo muito bom, mas cadê o emprego, o tratamento do mal que nos aflige??!!

      Mestre, minha reverência e reconhecimento, admiração e respeito, pelo meu grande amigo, também.
      Um forte e caloroso abraço.
      Saúde e vida longa, mestre Bortolotto.

  11. Caro Jesus,

    “Seja sincero com vc mesmo meu caro e você do alto de seus longos anos de vida vai ter que ser sincero e ver que a situação atual do desemprego em nossa nação passa longe mais mui longe de ser culpa do PT… ”

    Entremos em acordo, então, Jesus, excelso comentarista:
    Quando os petistas postarem que o PT trouxe para o Brasil, enquanto no poder, o pleno emprego, por favor, critica-os com a mesma veemência que fazes comigo, pois se eu estou enganado, o PT é um reles mentiroso!

    Agora, vamos postar verdades e não opiniões, pois estas podem ser facilmente contestadas:

    Vejamos:
    O Acordo de Bretton Woods durou até 15 de agosto de 1971, quando os Estados Unidos, unilateralmente, acabaram com a convertibilidade do dólar em ouro, o que efetivamente levou o sistema de Bretton Woods ao colapso e tornou o dólar uma moeda fiduciária – qualquer título não-conversível, ou seja, não é lastreado a nenhum metal (ouro, prata) e não tem nenhum valor intrínseco. Seu valor advém da confiança que as pessoas têm em quem emitiu o título.

    Essa decisão, referida como choque Nixon (Nixon Shock), criou uma situação em que o dólar americano se tornou moeda de reserva, usada por muitos Estados.
    Ao mesmo tempo, outras moedas, que até então eram fixas (como a libra esterlina, por exemplo), passaram a ser flutuantes.

    Dito isso, elevado e admirável comentarista, imediatamente após esta decisão americana, houve a crise do petróleo em 1.973, caracterizada pela elevação do preço do seu valor.
    Como os países possuíam limitações na economia interna, passaram a usar as divisas no mercado financeiro internacional.
    O resultado disso foi uma grande liquidez financeira.

    Estados Unidos e Arábia Saudita estabeleceram um acordo que envolvia a negociação de barris de petróleo em dólares da Reserva Federal, a troca de armamentos americanos e a proteção militar dos campos petrolíferos sauditas.

    Surgem, em consequência, os “petrodólares”.

    Nos anos seguintes, o contrato passou a ser expandido. As regras para a negociação de petróleo também foram adotadas por outros países. Lá pelas tantas, qualquer nação que desejasse comprar o combustível fóssil estava obrigada a trocar sua moeda nacional por dólares americanos.

    Ora, se anteriormente, o choque Nixon determinava a exclusão do lastro do dólar em ouro, a exigência para se vender petróleo passou a ser o dólar, logo, o óleo passou a ser o novo lastro da moeda americana, que fabricava mais dólares
    O constante intercâmbio de petrodólares e dólares fez com que a demanda por dólares artificiais crescesse no mundo todo.
    Iniciou-se um grande ciclo de produção e lucro, pois conforme aumentava a necessidade pelo produto, crescia também a produção da moeda americana.

    Portanto, sábio comentarista, “Acordos de Bretton Woods” é o nome com que ficou conhecida uma série de disposições acertadas por cerca de 45 países aliados em julho de 1944, na mesma cidade norte-americana que deu nome ao acordo, no estado de New Hampshire, no hotel Mount Washington.
    O objetivo de tal concerto de nações era definir os parâmetros que iriam reger a economia mundial após a Segunda Guerra Mundial.

    O sistema financeiro que surgiria de Bretton Woods, de 1.944 seria amplamente favorável aos Estados Unidos, que dali em diante teria o controle de fato de boa parte da economia mundial, bem como de todo o seu sistema de distribuição de capitais.

    Os Estados Unidos finalmente tomavam as rédeas das finanças mundiais, manobra que se recusaram a executar por pelo menos cerca de 25 anos, devido a princípios da política externa do país, que advogava o não-envolvimento em questões político-econômicas sensíveis às nações europeias.

    O primeiro passo para tal hegemonia estava na transformação do dólar como moeda forte do setor financeiro mundial e fator de referência para as moedas dos outros 44 signatários de Bretton Woods.
    Isso equivale dizer que todas as outras moedas passariam a estar ligadas ao dólar, originalmente variando em uma margem de no máximo 1% (positivamente ou negativamente).

    Para dar sustento essa força dólar em escala mundial, a moeda estaria ligada ao ouro a 35 dólares, o que permitia ao portador de dólares (em teoria, na prática, pouco funcional) transformar as notas de dólares que qualquer cidadão carregasse no bolso e em qualquer parte do mundo, no seu equivalente em ouro, de acordo com o estipulado em Bretton Woods.

    Evidentemente, tal conta seria impossível de se sustentar, mesmo com uma emissão de moeda extremamente controlada (como aconteceu na realidade), servindo todo conceito mais como uma propaganda de consolidação do dólar em escala mundial.

    O acordo ainda previa a não menos importante criação de instituições financeiras mundiais, que se encarregariam de dar o sustento necessário ao modelo que estava sendo criado, que seriam: “Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento”, mais tarde renomeado para Banco Mundial, que funciona até hoje como uma espécie de Agência de Crédito tamanho família, destinada a fornecer capitais para políticas e projetos de desenvolvimento no mundo todo.
    Além desta instituição seria criado o FMI (Fundo Monetário Internacional), uma espécie de “caixinha” de todos os países, que poderiam fazer movimentações de dinheiro, no caso de necessitarem de injeção de capitais em suas economias, respeitando, claro, alguns preceitos de disciplina fiscal a serem ditados pelos dirigentes do fundo.

    Bom, me expandi para contra-argumentar que o fim desses acordos não trouxe o desemprego, Jesus, mas a necessária mudança financeira no mundo após a crise do petróleo em 73.

    Os Estados Unidos que não teriam ouro suficiente para trocar pela quantidade de dólares que havia no mundo.
    A partir desse acordo com os árabes, tornando-se uma espécie de distribuidor de petróleo exclusivo no planeta, cresceram economicamente de maneira tão sólida e rápida, que se transformaram nesta potência de hoje!

    Pra concluir, alguns países já se libertaram do dólar para comprar petróleo com as suas moedas, caso da Rússia, China … pressionando o dólar para uma desvalorização, e consequente valorização das moedas russa e chinesa.

    Abraço.
    Saúde.

  12. Mais uma saudosa viuvinha do tucano-petismo responsável direto por nosso “país viável”, o deles claro, já que o país do povo foi saqueado impiedosa e impunemente.
    Note-se a “coincidência” nas comparações da viuvinha: Jânio e Collor – renúncia ou impeachment – exatamente as palavras de ordem lançadas aos mé®dia pela putada corrupta.


  13. Agora, vamos postar verdades e não opiniões, pois estas podem ser facilmente contestadas: ”

    Prezado FB… não leve as cousas para o coração ..meu nobre plebeu… Calma …não sou teu inimigo …apenas questiono seu ponto de vista que vc toma como “verdades”…voce meu caro postou no seu longo escrito sobre Bretton Woods APENAS um lado do que foi a TRAIÇÃO de BW…(Royalties para Hélio Fernandes..a Lenda…) vc nada escreveu sobre o lado B deste diabólico plano. Não era à toa que o lendário Leonel Brizola batia de frente contra esse monopólio ignomioso e destrutivo para as nações do terceiro mundo.
    Atraso educacional, miséria aliada com desemprego, subdesenvolvimento e colonialismo …foi o resultado deste diabólico plano nas nações que não eram do bloco das nações “aliadas”… entendeu a profundidade meu nobre plebeu…?
    Mas vamos em frente ….
    YAWHE SEJA LOUVADO …sempre …

  14. Os militares (generais) envolvidos no governo estão comedidos? Como assim, se a polícia cívil carioca desvendei, no lugar da polícia federal e da inteligência da segurança nacional uma quadrilha internacional de contrabando de armas de guerra, mas estão quietinhos como se nada tivesse ocorrido nesse país submisso aos interesses alheios aos do povo brasileiro?

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