Jovens são 64% do eleitorado brasileiro

Pedro do Coutto

Reportagem de Felipe Seligman, Folha de São Paulo, revela que o eleitorado brasileiro cresceu dez por cento no período 2006 a 2010 e que 64% dos eleitores são compostos de jovens de 16 a 34 anos de idade. Os dados divulgados pelo repórter são do Tribunal Superior Eleitoral. O crescimento deste último quadriênio – digo eu – supera os dos iguais espaços de tempo anteriores.

Até os quatro anos que separam 2002 de 2006, a velocidade do aumento do eleitorado entre uma eleição presidencial e outra oscilava em torno de sete por cento. Ampliou-se. Provavelmente a explicação se encontra no maior interesse da mulher em participar do processo político. Bom para a democracia, bom para o desenvolvimento social essa participação.

Vejam só. Em 2006, havia 64,9 milhões de eleitoras e 60,8 milhões de eleitores. Agora, 2010, há 70,4 milhões de mulheres para 65,3 de homens. Crescimento significativo, já que em termos de população global, para o IBGE, as mulheres são 52% e os homens 48 do total de habitantes. De uma eleição para outra, as eleitoras avançaram quase seis milhões. Os eleitores 4 milhões e 500 mil.

A matéria dá margem a que se verifique o grau de juventude do eleitorado brasileiro. Considerando-se de 16 a 34 anos de idade, vamos encontrar 64% em números redondos. Portanto quase dois terços. É uma maioria muito expressiva. São 18% entre 35 a 44 anos. E 25% de 45 a 59. Acima de 60 anos, encontramos apenas 14%, percentagem praticamente igual a que o IBGE aponta em matéria de divisão dos habitantes por faixa etária. Acima de 70 anos, apenas 4,5%. A longevidade média precisa ser aumentada.

Não é difícil. Não só a longevidade, mas a média geral de vida. O grande médico brasileiro Marcolino Candau, que durante 16 anos presidiu a Organização Mundial de Saúde, dizia sempre que basta existir, em qualquer comunidade humana, uma entrada de água limpa, sabão e uma saída para água suja, para que se reduza automaticamente a taxa de mortalidade em 20%. O Brasil deve isso à sua população. Há poucos dias, o IBGE divulgou que metade dos domicílios do país não conta com os serviços de esgoto. Assim, realmente, não é possível avançar-se na escala de qualidade de vida. Mas esta é outra questão. Paralela, mas outra questão.

O fato é que a juventude do eleitorado exige uma renovação. Não somente de uma geração política para outra, para aqueles que vierem depois de nós, como afirmou Bertoldt Brecht na peça A Alma Boa de Tetsuan, mas igualmente em termos de mensagens para os eleitores. O horário gratuito de televisão foi um grande avanço, uma conquista da classe média na política, pois, caso contrário, somente teriam acesso à TV os candidatos ricos ou patrocinados por grupos econômicos.

Mas é indispensável que haja um avanço igualmente na mentalidade, etapa mais difícil para qualquer cultura. Para que ocorra um progresso na mentalidade é básico que, antes, se verifique um avanço social definido, um sistema mais adiantado e menos reoressor da educação. Pois como podem aprender e compreender os jovens que nascem nas favelas pobres da cidade, nas vilas agrárias e medievais do interior do país? Muito difícil. No entanto as urnas estão aí. E o futuro diante dos jovens. O Brasil tem que deixar de ser do futuro e precisa se tornar uma nação moderna do presente. Vamos ver.

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