Jungman explode Segovia e os estilhaços atingem Michel Temer

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann

Na posse, Jungmann culpou consumo de drogas

Pedro do Coutto

O ministro Raul Jugman assumiu a pasta da Segurança na manhã de ontem e à tarde, na primeira reunião com sua equipe, exonerou Fernando Segovia da direção da Polícia Federal e para seu lugar nomeou imediatamente o delegado Rogério Calloro. O fato explodiu como uma bomba detonada em Brasília fazendo com que estilhaços políticos da explosão atingissem inevitavelmente o presidente Michel Temer. A rapidez da decisão revelou em seu conteúdo mais um enfraquecimento do presidente da República. Não só porque ele havia nomeado o atual diretor, mas principalmente porque Fernando Segovia, na famosa entrevista à Agência Reuter, tentou implodir o trabalho da Polícia Federal que investiga possíveis veiculações entre o Palácio do Planalto e a Empresa concessionária do Porto de Santos, Rodrimar.

Tão logo a notícia estourou, a GloboNews apresentou longa reportagem a respeito, ainda no final da tarde. Impossível minimizar o reflexo político da decisão, que produziu vários significados, todos eles de grande importância para o panorama político brasileiro.

LAVA JATO E PF – Em primeiro lugar, o fortalecimento ainda maior da Operação Lava Jato e das ações da Polícia Federal, cujo corpo de delegados reagira contrariamente à manifestação do ex-diretor que praticamente antecipava o resultado de um inquérito que ainda não se encontrava em suas mãos para apreciá-lo. Em segundo lugar, fixou a imagem do presidente da República num plano inclinado de mais um episódio a marcar a queda de seu poder de decisão.

Sim, porque se dependesse de sua vontade pessoal, Michel Temer não demitiria Segóvia, indicado para o cargo pelo ex-senador José Sarney. Ficou claro que o episódio resultou de uma pressão conjunta, inegavelmente formada em parte por uma via de consequência da intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro. Basta comparar os fatos: o ministro da Justiça Torquato Jardim desejava afastar Segovia, porém não conseguiu a concordância do Presidente Michel Temer.

Segovia foi interpelado por um ministro do Supremo, Luis Roberto Barroso, ao mesmo tempo ameaçado pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que o advertira com a perspectiva de seu afastamento do cargo pela antecipação de uma tendência da Polícia Federal antes do desfecho das investigações.

Mas a vontade de Jardim não foi suficiente. O acontecimento final transbordou na formação básica do Ministério da Segurança, criado por Medida Provisória há dois dias e tão logo Raul Jugmann colocou o pé na pasta extraordinária. Não foi coincidência.

SEM COINCIDÊNCIAS – Aliás, em matéria política, coincidências ocorrem muito dificilmente. Pode se supor que a criação do Ministério da Segurança foi uma consequência paralela à nomeação do general Walter Braga Netto para interventor (de Segurança) no Rio de janeiro. É preciso considerar também que um general foi convocado para ocupar o Ministério da Defesa, que reúne as três Forças Armadas. Fica no ar a perspectiva de a intervenção no RJ ter sido uma decisão mais militar do que propriamente civil. Mas esta é outra questão.

O essencial na substituição de Segovia por Galloro reflete o enfraquecimento ainda maior do presidente Michel Temer em ser o autor único de suas próprias decisões.

Daqui para frente, a estrada do poder terá mais vigilância e vigilantes.

4 thoughts on “Jungman explode Segovia e os estilhaços atingem Michel Temer

  1. Caro Couto, permita, assino. Esse espúrio ministério medida provisória, seu titular, mandou as favas, a atribuição do presidente, atribuição, tão decantada no caso da ex sem ter sido, ministra do trabalho. O Brasil está em uma situação Imoral governamental, e lembro o Gen. De Gaulle: o Brasil não é sério, e Gandhi: todo governo é hipócrita, só que no Brasil, até a hipocrisia está sendo corrompida, onde vamos parar, que 07 de outubro seja o “dia de Redenção Nacional”, com voto digno e consciente, apesar das urnas eletrônicas fraudáveis. A podridão governamental, nos podres poderes, está maior que o Everest;
    Que Deus-Pai, nos ajude a sair dessa mixórdia.

  2. Este artigo do Pedro do Couto vai na contramão do artigo anterior do nosso editor Carlos Newton.
    Seria ótimo que eles pudessem se encontrar para aparar as arestas e chegarem a uma conclusão sobre quem está mais em sintonia com os fatos reais.
    A platéia agradece!

  3. Quem indicou foi um ex (José Sarney), que deveria se colocar em seu lugar e parar de palpitar e curtir sua aposentadoria e sumir, nunca cuidou das pessoas do seu estado, mudou de estado, nada fez, apenas mais um que passou e nada deixou para ser lembrado.

  4. Atiraram no Segóvia, mas alvejaram mesmo foi o Sarney.
    Indicou o rapaz, que já prestava serviços ao clã, lá no Maranhão, mas o gajo chegou já na base do “baba ovo”, partiu para a bajulação explícita, se deu mal. Disseram a ele, “menos Batista”, como num quadro da escolinha do professor Raimundo. Ai a coisa complicou, a emenda ficou pior que o soneto, quando tentou se justificar, não funcionou.
    O Sarney já tinha protagonizado a lambança do Ministério do trabalho, quando vetou o primeiro indicado e deu no que deu.
    O dono do Maranhão, não indica mais nem ajudante de jardineiro do palácio do planalto, esta em
    baixa total.
    Deve passar a cumprir asilo político na praia do Calhau, onde dizem ser o dono do mar.

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