Juros baixos na Inglaterra, Japão e Estados Unidos, sem medo da inflação, que é combatida sem estraçalhar o povo. E mais dinheiro em circulação, para estimular o consumo.

Helio Fernandes

Parece que desde os tempos históricos e inesquecíveis do marco alemão e do franco francês, que sofreram desvalorizações colossais, essa palavra INFLAÇÃO não foi mais traduzida, ficou sequestrada, emparedada no Brasil, sem direito a passaporte, mesmo imaginário.

E continuamos assombrando a todos, interna e externamente. Pois os juros do Brasil são os maiores do mundo. E as “autoridades” ainda insatisfeitas, deixam entrever, quem quiser pode escrever: “A TENDÊNCIA é aumentar os juros na primeira reunião do Banco Central em 2011”.

Esses juros ficaram em 10,75%, por “decisão unânime” de Henrique Meirelles sozinho. Queria se vingar de Dona Dilma, que “desconvidou-o antes de convidá-lo”, e do subordinado subserviente, Alexandre Tombini, que aceitou substituí-lo sem sequer consultá-lo. Atingiu ao mesmo tempo o consumo, favoreceu os bancos fingindo atingi-los, e cometeu o crime de retirar dinheiro da circulação.

Dessa forma, com a decisão estranha e até mesmo criminosa de Meirelles, os juros ficaram em 10,75%. Mas apesar de Dona Dilma dizer e repetir, “sou contra a elevação dos juros”, não é segredo que com a “autonomia” do Banco Central, haverá elevação, logo, logo no início de 2011.

Dona Dilma enfrentará grandes e quase invencíveis problemas, a partir logo da posse. Um dos mais imediatos e urgentes é a questão dos juros, não se trata de mantê-los em 10,75% e sim de reduzi-los substancialmente. Ainda candidata, disse que o ideal seria “a taxa Selic em 5 por cento”.

Comentei o fato, afirmei que jamais conseguiria isso, a não ser que “congelasse” a dívida interna, mudasse a política de financiamento e jogasse DINHEIRO VIVO na circulação.

(Apresentei essa solução, muito antes de Obama colocar 600 BILHÕES DE DÓLARES [1 trilhão de reais], para facilitar o consumo, que é a chave e a alavanca do desenvolvimento. E ainda não está satisfeito, deve dar outra “injeção” de dinheiro para ajudar o consumo).

Só para dar um exemplo: no Japão o juro é ZERO, exatamente, nenhuma penalização para quem precisa de dinheiro, seja empresa ou particular. E mais, na mesma linha: em vez de retirar dinheiro da circulação, o governo do Japão estimula o gasto, o empreendimento popular, o consumo.

Então, a Caderneta de Poupança “rende” ZERO POR ZERO”. Esperavam que com isso, ninguém economizasse, ao contrário, os depósitos aumentaram.

Só para esclarecer: no Japão, quem coloca, digamos, o equivalente a mil reais (ou qualquer outra importância) na Poupança, no final do ano tem praticamente os mesmos mil reais, acrescidos apenas dos juros irrisórios oferecidos pelos bancos, quase que simbólicos. O Japão está aí, potência das maiores.

Para voltar aos juros, já que Dona Dilma pretende reduzi-los, afirmação dela mesma. No Japão, mostrei que o juro é ZERO. Nos EUA fica entre ZERO e 0,25% (ao ano, ao ano). E na Inglaterra (Grã-Bretanha) foi confirmado agora em 0,50%, que alguns economistas consideram alto.

Quando falam que no Brasil o juro é 23 VEZES mais alto, se irritam, dizem que não têm tempo para brincadeira ou gozação, não acreditam.

***

PS – A “Folha” em manchete: “Lula entrou e vai sair com os maiores juros do mundo”. Não há dúvida nenhuma, mas pensei que fossem informar o cidadão-contribuinte-eleitor de maneira clara e simples, em vez de confundi-lo com “taxa nominal e taxa real, descontada a inflação”.

PS2 – Fácil e verdadeiro, mas escondido: FHC entregou o governo a Lula, com juros de 25% ao ano. Esses mesmo juros, com o mesmo FHC, já estiveram em 44 por cento ao ano, crime de lesa pátria, HEDIONDO mesmo, pois atinge  e massacra o povo todo e o país.

PS3 – Só quem ganhou e ganha sempre: os banqueiros, que NÃO PERTENCEM A NENHUM PAÍS, a pátria deles, no Brasil, é a FEBRABAN.

PS4 – Não quero defender Lula, se quisesse não iria fazê-lo no final do governo. Mas recebeu os juros nesses 25 por cento citados, deixa em menos da metade. É ALTÍSSIMO (como eu disse em todo o seu governo), mas teve que CONTRARIAR INTERESSES COLOSSAIS para chegar onde chegou.

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