Juros reais não baixaram; ao contrário, estão subindo

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Charge do Alves, reproduzida do blog Boca Maldita

Pedro do Coutto

Juros reais, na verdade, são a diferença entre a taxa paga ao credor e o índice inflacionário vigente na época que envolve o crédito liberado. O Comitê de Política Monetária reduziu ontem o índice de 13,75% que incide sobre o estoque da dívida de 3 trilhões de reais, para 13 pontos. Redução aparente de 0,75%. Entretanto, se compararmos os 14% pagos pelo Tesouro para a mesma dívida, mas diante de uma inflação de 10,6% registrada em 2015, verificamos que os juros reais de hoje apresentam uma diferença maior para com a inflação do que os pagos na primeira fase do atual governo.

Claro que o desembolso nominal do poder público para com os que detêm notas do Tesouro Nacional que lastreiam a dívida trilionária, fisicamente, diminui. Mas isso não quer dizer que os títulos públicos tenham deixado de ser um investimento atraente e sem risco para os aplicadores, isso porque haverá sempre uma relação direta entre a taxa paga pela rolagem da dívida e o índice inflacionário existente no período.

SALÁRIOS PERDEM

Critério oposto, por exemplo, é o que rege os salários, que perdem sempre a corrida contra o processo inflacionário. Dizer, portanto, que para os assalariados de modo geral a inflação recuou não é por si um dado positivo, isso porque a correção relativa a 2015 (10,6, pelo IBGE) não foi reposta nos vencimentos ao longo de 2016. Caso do Rio de Janeiro, por exemplo, cujo funcionalismo somente agora vislumbra uma hipótese de se livrar da crise, com a articulação desenvolvida pelo ministro Henrique Meirelles e pela ministra Carmen Lúcia, juntamente com o governador Luiz Fernando Pezão, diante de uma situação gravíssima que atingiu o RJ, ao ponto de causar ameaça de paralisação da universidade, a UERJ.

Poderíamos acrescentar os saques predatórios que atingem o Maracanã, um dos maiores patrimônios públicos do país. Mas basta, para iluminar o descalabro, o parcelamento terrível do funcionalismo estadual.

A situação dos servidores estaduais é de desespero. Para eles a comparação com a inflação não é usada. Pelo contrário. Os atrasos dos vencimentos são terrivelmente angustiantes, para eles, os juros reais sobem sempre, até para pagar as contas em atraso.

7 thoughts on “Juros reais não baixaram; ao contrário, estão subindo

  1. O funcionalismo estadual e de municípios, em não receber salário, realmente é crime hediondo dos governos, e os autores, contam com a impunidade do foro, da imunidade, da prescrição do crime, e gozam o fruto da roubalheira, rindo de nossas caras de idiotas e palhaços.
    Os tribunais superiores, encabeçado pelo stf, com seus sinistros, com sua lentidão de passos de cagado, e segredo de justiça, são coniventes, e Renan e 07/12/16, não nos deixa mentir.
    Que os jovens Juízes, da 1ª Instância, sigam o exemplo de fazer JUSTIÇA, com o Dr. Sergio Moro, respeitando suas Consciências, por Amor a Srª Justiça e a Pátria, que Deus no emprestou para nosso Progresso Espiritual, e que teremos que Prestar Contas de nossas OBRAS, que se refletem em nosso Próximo.
    Que Deus Pai em sua Misericórdia, nos ajude, iluminando e protegendo o Juiz Moro e sua Equipe, exemplos de Dignidade.

  2. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO nos mostra que: apesar do Banco Central ontem, ter reduzido a Taxa Básica de Juros SELIC de 13,75%aa para 13,00%aa, o spread ou a Tx. de Juros real que o Governo Federal paga para girar sua Dívida Pública aumentou, porque no período, devido a grande Recessão, a Inflação caiu mais rápido do que a também em queda SELIC.
    Mas esse spread ou Tx. de Juros real tende a cair daqui para frente, uma vez que a Inflação se estabilizará em +- 7%aa, e o BC deve ir reduzindo a Tx. SELIC a cada próximo mês.
    Mas de qualquer forma sempre será relativamente alta, porque País devedor/Deficitário sempre terá que dar “Atrativos” para conseguir captar as gigantescas Somas necessárias para seu giro.

    Também como nos mostra o grande Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, com a Massa Salarial ( Pública e Privada), acontece o contrário, o ” Atrativo” para ativar o Investimento, ( sair da Recessão), é uma Salário real mais baixo do que o anterior.

    A “tragédia” da Economia Brasileira é que opera sempre em duplo Deficit. Deficit Fiscal porque o Governo Federal gasta mais do que arrecada, ( e gasto de CUSTEIO, não de INVESTIMENTO PÚBLICO); e Deficit no Balanço de Pagamentos Internacional ( que é quando Saem mais Riquezas do entram no País).

    Enquanto o Brasil “não agarrar este touro pelas duas guampas”, eliminando esse Duplo Deficit, não teremos crescimento Sustentável com melhoria de Padrão de Vida para TODOS os Brasileiros. No máximo “voos de galinhas”.

    Podemos comparar nossa Economia, como uma grande Caixa de Água,cujo alimentador é um cano de 50mm, e cujo bombeamento é custeado em boa parte com Dinheiro Emprestado devido ao DEFICIT FISCAL, e que tem um cano Extravasor em baixo, de 25mm, causado pelo DEFICIT DO BALANÇO DE PAGAMENTOS.
    Assim fica difícil “acumular água na Caixa” ( CAPITALIZAR ).

  3. A SELIC é uma taxa anual de referência para o sistema financeiro. Os juros para o consumidor continuam sendo os mais altos do mundo. Vide cheque especial e cartão de crédito. Isso nunca se conseguiu mudar no Brasil e se agravou de forma profunda desde o Plano Real, há mais de 20 anos. Conseguiu-se estabilizar a inflação mas os juros permanentemente altos. Cada vez mais é uma ilusão imaginar que este país terá juros de primeiro mundo.

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