Juruna mostrou como usar o gravador e devolver dinheiro de propina

Deputado Juruna devolve o dinheiro que recebeu para votar em Paulo Maluf nas eleições indiretas

Juruna devolve a propina recebida de Maluf

Bernardo Mello Franco
Folha

Em outubro de 1984, o dublê de cacique e deputado Mario Juruna convocou a imprensa para fazer uma denúncia contra si mesmo. Ele havia recebido propina do empresário Calim Eid para votar em Paulo Maluf no Colégio Eleitoral. O xavante se disse arrependido e foi ao banco devolver 30 milhões de cruzeiros. A imagem do índio engravatado atrás de uma pilha de dinheiro resumiu o vale-tudo que embalou a sucessão do general Figueiredo.

Como Tancredo Neves venceu a disputa, ninguém quis investigar as suspeitas de suborno e caixa dois. Eid seguiu carreira como operador do malufismo. Juruna ficou desacreditado e não conseguiu se reeleger.

ELEIÇÃO INDIRETA – Mais de três décadas depois, o Brasil discute a possível escolha de outro presidente sem o voto popular. O senador Tasso Jereissati e o deputado Rodrigo Maia despontam como favoritos numa eleição indireta.

Políticos da situação e empresários não aceitam falar em diretas. A aliança que apoiava Michel Temer quer ungir um candidato comprometido com as reformas liberais. A ordem é mudar o presidente sem mudar a alma do governo em decomposição.

Em meio às conversas, articula-se um grande acordo para salvar investigados da Lava Jato. Entre as ideias mais cotadas, estão a anistia ao caixa dois e a concessão de algum tipo de imunidade a Temer, que poderia se estender a outros ex-presidentes.

ELEITORES SUSPEITOS – Pelo roteiro das indiretas, o próximo inquilino do Planalto será escolhido por 513 deputados e 81 senadores. Boa parte deles é investigada sob suspeita de vender projetos de lei, MPs e outras mercadorias menos valiosas que a cadeira presidencial.

Nas últimas vezes que a turma elegeu os chefes da Câmara e do Senado, venceram Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira. Todos delatados na Lava Jato.

Além de mostrar o que acontece numa eleição indireta, Juruna ensinou a usar o gravador em conversas com políticos. O cacique era atrapalhado, mas sabia das coisas.

18 thoughts on “Juruna mostrou como usar o gravador e devolver dinheiro de propina

  1. Hoje há uma dominação completa da ordem do capital que gerou a cultura do capital que se impôs a todos, também aos da esquerda (troca de celular, de computador, de tênis, de roupas, de modos de consumo). O nosso impasse e também a nossa desgraça é termos que viver dentro de um sistema que só sobrevive à condição de que o dinheiro produza mais dinheiro, não para melhorar a vida, mas para aumentar de forma ilimitada. É o império do capitalismo especulativo e materialmente improdutivo. E não existe nenhum projeto alternativo com suficiente força de se contrapor eficazmente a esta forma avançada de capitalismo rentista. Talvez somente após uma grave crise ecológico-social que desequilibre o sistema-Terra e o sistema-vida, poderá vir um sistema mais justo socialmente, mais amigo da vida e com um consumo solidário e sóbrio no quadro de uma governança global.

    Leonard Boff no El Pais

    https://goo.gl/LzHhqF

    • Bem, citar o Leonardo Boff, aquele que nunca trabalhou na vida, e que gosta dos privilégios, não é um bom começo. Mas, o texto é típico do sindicalismo brasileiro: Não gosto de trabalhar e critico a todos aqueles que dão trabalho e salário. Talvez Cuba e Venezuela seja o exemplo glorioso do sindicalismo: falta emprego, falta salário, falta comida, mas os pelegos estão sempre numa boa. Viva o peleguismo.

  2. Paulo Maluf já é um pilantra de carteirinha, mas sempre disse que nunca foi processado, será que agora vai cumprir prisão em regime fechado e devolver a dinheirama que a décadas mete a mão no dinheiro do povo, este sujeito é irônico, cínico, hipócrita e faz a piada com a justiça brasileira, este é o nosso sistema judiciário que está desmoralizado pelas decisões que toma, absolve Cláudia Cruz, prisão domiciliar a Adriana Ancelmo, não prende os irmãos Joesley e Uesley Batista, não prende Aécio Neves e por aí vai.

  3. Em 25/05/2016, ficamos sabendo pela Folha que…

    Antes de votação no senado que afastou Dilma, um emissário de Temer, o agora ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB) esteve com representantes da Lava Jato, os procuradores Deltan Dallagnol e Roberson Pozzobon, e selaram um “acordo de procedimento” que não colocasse em risco as investigações: manter Rosalvo Franco no cargo de superintendente da Polícia Federal no Paraná.

    Na mesma noite, o assessor levou o pleito a Temer, que aceitou o pedido.

    https://goo.gl/77dziG

    Será que agora com Cláudia Cruz inocentada Temer ainda vai garantir o acordo com a lava jato de Curitiba para não trincar o grande pacto Jucá “Com o Supremo, com tudo” ?

  4. De que adianta eleições diretas para presidente apenas, se os deputados e senadores que vão dar governabilidade ao novo presidente continuarão os mesmos. São os mesmo que exigem serem comprados pra poder votar a favor de projetos do governo.

    Se é pra continuar com os mesmo senadores e deputados, prefiro eleição indireta mesmo, pelo menos não teremos que bancar os custos de uma eleição direta pra depois, sabe-se lá quem vai ganhar, o novo presidente não conseguir governar, ou o novo presidente ser outro corrupto que mente bem para o povo.

    Me desculpem os que não gostam, mas realmente o parlamentarismo é bem superior, numa crise dessas já teríamos tido eleições para renovar deputados, senadores e governante.

  5. Na última vez que tivemos eleições diretas, o povo escolheu dilma, a louca e 513 deputados e 81 senadores, a maioria esmagadora investigada por corrupção. E utilizamos uma urna jabuticaba que NENHUM país no mundo usa, por ser facilmente “corruptível”. Os países mais desenvolvidos (França, Holanda,…) usam papelzinho . Evitam até as urnas eletrônicas de 3ª geração que imprimem e o voto tem chip.

  6. ROBERTO.
    Em 1970, com a conquista do tri-campeonato de futebol pela seleção brasileira, o Maluf presenteou a delegação com 32 fuscas novos comprados com o dinheiro da prefeitura de São Paulo.
    Ali começavam as peripécias malufistas com o dinheiro público.
    Já se passaram quase 50 anos, as acusações aumentaram e muito. Por todo esse tempo o dito indivíduo tem contornado seus problemas com a justiça, sempre acompanhado de bons advogados e principalmente protegido pelo tal foro privilegiado.
    A anos atras, quando esteve sem mandato, um juiz mando prende-lo, juntamente com o filho.
    Num ato de “compaixão”, um então ministro do STF, mandou solta-lo, juntamente com o filho sob
    o argumento de que “é muito feio um pai ser preso junto com o filho”.
    Desde então acendeu a luz de alerta no Maluf, se candidatou e se elegeu e recuperou o foro privilegiado.
    Nunca mais o distinto foi preso. Esta condenação, o judiciário vai deixar prescrever, como todos os outros processo a que já respondeu, ficando impune para sempre.
    Não adianta, certos indivíduos são ungidos com os óleos da impunidade e não há lava jato que os prenda. Que diga o lula.

  7. Se esta bancada do legislativo federal não tem moralidade para eleger um presidente para mandato tampão, imagina mudar a constituição.
    Crise se resolve fortalecendo as instituições, todas esta são filhas altamente dependentes da lei maior.
    Diretas já para livrar Lula, significa o comprimento de suas esdrúxulas promessas:
    – Prender Juízes, promotores e policiais da Lava Jato;
    – Perseguir os policiais que o conduziram coercitivamente.
    -Matar a lava jato, impunidade para o todos, PT. PMDB, PSDB, DEM…
    -Descrédito econômico total
    -Nova aliança com o PMDB.
    -Legalização da corrupção
    -Venezuela…

    • Certíssimo, Henrique.

      Qualquer mudança deverá esperar até 2019, quando espero que a quadrilha de parlamentares chamada de “esquerda” seja expulsa do Congresso da mesma maneira que foi expulsa das prefeituras…
      Com uma quadrilha a menos, quem sabe Aquilo melhores.

  8. “Hoje há uma dominação completa da ordem do capital que gerou a cultura do capital que se impôs a todos, também aos da esquerda (troca de celular, de computador, de tênis, de roupas, de modos de consumo).”

    -Creio que haja uma DOMINAÇÃO COMPLETA do Estado pelo CRIME ORGANIZADO… entrando aí, inclusive, o “calaboca” dado ao Poder Judiciário para se omitir e permitir o saque aos miseráveis brasileiros!!!

    Conforme mostra a FOTO, a IMPUNIDADE BRASILEIRA surgiu antes mesmo da foto colorida se tornar popular e sempre foi ACOITADA pelas autoridades enfeitadas com CAUDAS DE PAVÃO feitas de tecido de COR PRETA…

    Abraços.

    (ps: Por falar em “CAPITAL”, seria aquele negócio verde que os esquerdistas adoram guardar em malas, cofres, contas no exterior e, até mesmo, dentro das próprias cuecas?)

  9. Amigos Tribunários.
    Uma ordem mundial, o culto ao dinheiro, o capital escravagista, tudo serve para justificar as falhas humanas. Interessante é que, mesmo pobres, com poucos recursos e muito trabalho, sempre existiram e continuam a existir aqueles que não se corrompem.
    Quando entenderão que o dinheiro não é o único responsável pelas mazelas humanas? Dinheiro e bens não são, por natureza, “corruptores”.
    O corrupto é o ser humano, seja o corruptor ou o corrompido! Os animais e as coisas não fazem isto!
    Outro detalhe. Não é o só o dinheiro que produz este efeito em alguns ditos “seres humanos”. Os bens, em geral, também são utilizados para substituir e/ou complementar o dinheiro.
    É a falta de valores éticos e morais que faz o ser humano valorizar somente os bens, em detrimento dos demais valores.
    Fallavena

    • Caro Antonio,

      Eu estava falando ontem: Não existe outro paraíso fora da Terra. O PARAÍSO É AQUI. Moramos em um planeta maravilhoso, totalmente autossuficiente, onde poderíamos passar em paz a nossa curtíssima vida. O problema são os seres humanos, ainda selvagens e incivilizados, que aqui habitam neste pequeno lapso de tempo.

      Pegue a ATUAL humanidade e a leve para o tal “Céu” e o próprio céu se transformará em um inferno… mas as pessoas se negam a enxergar a causa real da barbárie existente na terra porque isso exigiria mudanças e inocentariam muitos apontados como “culpados”.
      O que percebo é que as pessoas más e atrasadas evolutivamente, movidas pelos instintos animais mais primitivos, procuram culpar algum ser etéreo ou situação política pelas desgraças em que vivemos para não transparecer aos outros que elas mesmas são o motivo dessas desgraças.

      Abraços.

      • Caro Francisco
        Tens toda e plena razão.
        Vamos continuar batalhando, dia após,dia. Quem sabe consigamos ajudar alguns, mesmo que sejam poucos, mas serão outros a lutar junto.
        Abraço e saúde.
        Fallavena

  10. Juruna, verdade histórica: Bernardo Mello Franco lembra a atitude do Cacique e Deputado Federal pelo PDT de Brizola, Juruna, que devolveu 30 milhões de cruzeiros que lhe tinha sido dado por Calim Eid “cambono de Maluf”. Naquele momento estava havendo a eleição indireta entre Maluf e Tancredo. O dinheiro rolava solto. Calim Eid ficava em seu escritório na Câmara de Deputados com pilhas de dinheiro distribuindo para deputados em troca de votos para Maluf. Juruna que estava com um filho acidentado (tinha quebrado a perna), queria transferí-lo para um hospital em São Paulo. Pedia a um e a outro, até que lhe disseram que Calim poderia ajudá-lo. Era só ir ao seu gabinete e falar. Juruna que não sabia da corrupção que estava acontecendo foi ao gabinete. Calim pensou que Juruna queria suborno e nem o deixou falar, foi logo lhe dando uma bolsa cheia de dinheiro. Juruna sai com a bolsa de dinheiro e procura Bocaiuva Cunha, deputado do PDT como ele, e diz que Calim Eid tinha lhe dado a bolsa com dinheiro. Bocaiuva disse-lhe vai devolver isso rapidamente senão você vai ser preso e prejudicar o partido. Isso é crime. Juruna atarantado foi devolver o dinheiro cheio de medo. Foi uma notícia sensacional.

  11. UMA BELA HISTÓRIA A FAVOR DA MORALIDADE PÚBLICA

    A denúncia de suborno na Câmara dos Deputados não foi a única tacada do cacique Mário Juruna contra corruptos e corruptores. Diferente de falsos moralistas, como Leonel Brizola ele não usava retóricas udenistas de quem se apresenta avesso a alianças ou ambientes indesejáveis e no fundo pratica o jogo do sistema.

    Juruna foi excelente parlamentar do PDT Nacional, valorizava cada ato ou postura no Congresso ou fora dele. Em 1985 testemunhei um fato a poucos metros, num comício pela candidatura do então pedetista Jaime Lerner à Prefeitura de Curitiba, no qual também se encontravam Leonel Brizola e Ney Braga, quando ao discursar o índio pediu que os eleitores votassem no PDT para prefeito e vereadores, ‘mas não vota no PFL porque é corrupto’ (literalmente).

    A atitude do índio gerou um misto de aplausos, gargalhadas e mal-estar no palanque onde estava também o empresário Fernando Fontana, pefelista na ocasião, que era ninguém menos que vice na chapa encabeçada por Lerner. Brizola só levou o braço sobre o de Ney Braga, deu leve piscada e inclinou a cabeça pro lado de Juruna puxando os aplausos e risos. Alguns detalhes como este foram cruciais para a derrota da chapa PDT-PFL e vitória do novato deputado estadual Roberto Requião por menos de 20 mil votos.

    ÚNICO DEPUTADO a devolver suborno: http://pensadoranonimo.com.br/quem-foi-o-unico-deputado-na-historia-do-brasil-a-devolver-suborno

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