Justia do DF permite que hacker acusado de invadir celular de Moro cumpra pena em regime aberto

Defesa afirma que ele deve colocar tornozeleira eletrnica

Isabela Camargo, Afonso Ferreira e Pedro Alves
G1 / TV Globo

A Vara de Execues Penais do Distrito Federal (VEP-DF) permitiu, nesta quarta-feira, dia 14, que o hacker Walter Delgatti Neto cumpra pena em regime aberto. Na prtica, isso significa que ele poder deixar a Penitenciria do DF I (PDF I), onde est detido desde o ano passado. O hacker suspeito de invadir celulares do ex-ministro da Justia Sergio Moro e outras autoridades.

No ms passado, a Justia concedeu liberdade a ele no mbito desse processo. Porm, Walter continuou detido porque havia sido condenado em outros duas aes e estava na fase de cumprimento da pena (veja mais abaixo). Ao G1, o advogado Ari Moreira afirmou que Walter Delgatti deve colocar tornozeleira eletrnica nesta quinta-feira, dia 15, e seguir para Araraquara (SP), cidade onde morava.

REQUISITOS – “A defesa viu com satisfao a deciso da progresso ao regime aberto”, disse. A determinao foi assinada pelo juiz Bruno Aielo Macacari. De acordo com o magistrado, o hacker atendeu os requisitos necessrios para a progresso da pena.

Walter Delgatti foi condenado duas vezes pela Justia de So Paulo, mais especificamente de Araraquara. Em um dos casos, o hacker foi sentenciado a dois anos de priso, em regime semiaberto, por falsificar uma carteira de estudante da Universidade de So Paulo, em 2015. A ao teve incio depois de uma operao policial na casa de Walter, em um inqurito sobre um caso de estupro. ocasio, ele se apresentou como aluno de Medicina e apresentou uma carteira de estudante falsa.

Os agentes tambm apreenderam remdios controlados, receitas mdicas em nome de outras pessoas, uma impressora, uma guilhotina para cortar papel e resma de papel azul. Aos policiais, Walter disse que usava a carteirinha para pagar meia-entrada em cinemas, que os remdios eram para uso prprio, e que o material de papelaria era usado para fazer fichas para festas. J as receitas mdicas teriam sido l deixadas por um erro de um entregador de uma farmcia.

TRFICO E FALSIFICAO – O Ministrio Pblico de SP denunciou Walter por trfico de drogas, alm de falsificao de documento. No entanto, ele foi condenado apenas pelo segundo crime. Para o juiz Roberto Rainieri Simo, que analisou o caso em primeira instncia, no havia provas suficientes para sustentar a acusao de trfico. No entanto, disse que “com a anlise dos fatos narrados na denncia e no inqurito policial, conclui-se, claramente, que o ru falsificou documento pblico”.

“ indubitvel que o ru foi o responsvel pela falsificao. Ainda que no tenha materialmente produzido o documento, como mencionou, o assinou e forneceu a fotografia, tudo com plena cincia de que fabricava um documento falso”, disse o juiz.

FURTO DE CARTO - A segunda condenao contra Walter Delgatti pelo furto do carto de crdito de um advogado, tambm em 2015. A vtima disse que deu falta do objeto e que a senha estava junto com o carto. Por isso, decidiu fazer uma consulta no extrato bancrio e encontrou uma srie de compras feitas por outra pessoa.

O advogado acionou a Polcia que, em contato com os comerciantes, descobriu que as compras haviam sido feitas por Walter. Na casa do jovem, tambm foram encontrados os objetos adquiridos com o carto da vtima. No processo, o hacker negou o furto. Disse ter sido procurado por uma amiga que havia se separado do marido.

Na verso de Walter, a mulher entregou o carto de crdito a ele e pediu para que fizesse as compras. Depois que a Polcia encontrou os itens adquiridos, ele disse que no teve mais contato com a amiga. Ao analisar o caso em segundo grau, o desembargador Aguinaldo de Freitas Filho entendeu que a verso de Walter “no convence, pois, alm de no ter sido comprovada, restou completamente dissociada dos demais elementos de convico colhidos”.

OPERAO SPOOFING – “Dessa forma, a materialidade delitiva e a autoria restaram devidamente incontroversas, e comprovadas de forma exaustiva pelos elementos de convico compilados ao longo da persecutio criminis [investigao].” Walter Delgatti foi preso em julho de 2019, durante a Operao Spoofing, que desarticulou uma “organizao criminosa que praticava crimes cibernticos”, segundo a Polcia Federal. As investigaes apontaram que o grupo acessou contas do aplicativo de mensagens Telegram usadas por autoridades.

poca, Walter Delgatti Neto, admitiu PF que entrou nas contas de procuradores da Lava Jato e confirmou que repassou mensagens ao site The Intercept Brasil. Ele disse no ter alterado o contedo e no ter recebido dinheiro por isso. Parte das mensagens foi publicada no site, a partir de junho de 2019.

INVASO – O juiz federal Vallisney de Oliveira, que autorizou as prises, viu indcios de que os hackers se uniram para invaso das contas do Telegram. Investigadores disseram que os hackers tiveram acesso ao cdigo enviado pelos servidores do aplicativo Telegram ao celular das vtimas para abrir a verso do aplicativo no navegador.

Alm de Walter Delgatti, tambm estava preso Thiago Eliezer, por suspeita de participao no grupo. Ele tambm teve a soltura decretada no dia 29 de agosto e, como no havia outros mandados de priso contra o acusado, Thiago foi liberado.

3 thoughts on “Justia do DF permite que hacker acusado de invadir celular de Moro cumpra pena em regime aberto

  1. Se ele invadisse o do Luiz Incio estaria preso para sempre.
    A justia esquerdista quer encontrar sempre chifre em cabea de burro, e principalmente, o STF, que permitiu monocraticamente que Andr traficante fosse solto, quer julgar a suspeio de um juiz corretssimo s porque condenou o maior bandido do Brasil.
    O STF est em processo de auto destruio, e busca, incessantemente, com tiros e mais tiros nos ps, e s falta querer anular a condenao de Luiz inacio rato da silva.
    Podem crer que se o STF fizer isso, ser o seu fim porque o povo brasileiro pode mais que eles que so pagos para fazee jistia e no dar guarida a bandidos.

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