Kassab cria um partido que não é de direita, nem de esquerda ou de centro. É apenas um Partido Frankenstein – disforme, mal costurado e assustador.

Carlos Newton

O novo Partido Social Democrático (PSD), que o prefeito de São Paulo está criando e liderando, com parceria e cumplicidade total do vice-governador paulista Afif Domingos, é uma espécie de Partido Frankenstein. Sua formação tem fatias do DEM, do PSDB e de várias outras legendas, compondo um organismo disforme, todo mal costurado, tão assustador quanto o personagem criado pela genialidade da escritora inglesa Mary Shelley.

Para disfarçar e maquiar a monstruosidade, Kassab diz que seu projeto é de “um partido-ônibus – aquele que não será de direita, nem de esquerda, nem de centro”. Francelino Pereira, que sempre foi de direita, certamente perguntaria: “Que partido é esse?” Mas é difícil responder. Não tem definição em termos de programas, metas ou ideologia.

Está sendo formado à imagem e semelhança de seu criador. Kassab surgiu na política sob a proteção de Celso Pitta e Paulo Maluf, uma dupla inacreditavelmente vampiresca. Depois filiou-se ao DEM e se projetou em aliança com os tucanos, via José Serra, que é outro Drácula da política. E agora Kassab se prepara para chupar o sangue da presidente Dilma Rousseff e fazer o jogo dos petistas para recolher vantagens mais adiante.

No trabalho de aliciamento de filiados em todo o Brasil, Kassab não tem limites na criatividade. A implantação da Secretaria Especial de Articulação para o Mundial, que Kassab entregou ao PCdoB, por exemplo, é uma de suas novidades. Por tabela, criou também a Secretaria de Articulações de Grandes Eventos, bolada especialmente para colher experiências da Olimpíada de Londres, em 2012, e importá-las para a capital paulista, embora os jogos olímpicos no Brasil estejam programados exclusivamente para o Rio de Janeiro, mas quem se importa com esse detalhe?

O ex-deputado federal Walter Feldman, um dos fundadores do PSDB, que debandou dos tucanos, foi nomeado para a pasta. É o primeiro secretário municipal brasileiro a despachar diretamente da capital britânica, onde já está morando. Para criar  um cargo desses (Kassab) e também para aceitá-lo (Feldman), é preciso ter uma cara-de-pau verdadeiramente monstruosa, digna dos Frankensteins políticos.

Para atrair novos aliados, o prefeito usa outra excrescência rasteira e antiética – os cargos de conselheiro administrativo nas empresas municipais, com a remuneração de R$ 6 mil de jetom pela participação nas reuniões que são convocadas mensalmente.

Como se sabe, desde sempre, não apenas no âmbito municipal, mas também no estadual e no federal, os conselhos de administração das empresas estatais, para além de suas funções precípuas, têm servido para aumentar disfarçadamente os salários de ministros, secretários e altos funcionários. E Kassab usa essa arma com invulgar desfaçatez. 

No caso da Prefeitura paulistana, estão à disposição do prefeito 75 cargos de conselheiros administrativos, cada um com jetom de R$ 6 mil. Dos 27 secretários municipais, 17 dele integram algum desses conselhos. Os outros 58 cargos de conselheiro podem ser usados por Kassab para barganhas políticas visando a fortalecer o PSD, que Deus nos proteja desse tipo de política. O país realmente não merece.

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