Kassab diz que “é grande a possibilidade” de Bolsonaro não tirar novo partido do papel para 2020

Kassab diz que foi “injustiçado” por acusações de caixa 2 da JBS.

Silvia Amorim
O Globo

Idealizador e presidente do último grande partido criado no Brasil, o PSD , o ex-ministro Gilberto Kassab avalia que estamos vivendo uma acomodação final do processo de estruturação partidária e que o financiamento público de campanha, o fim das coligações proporcionais e a cláusula de desempenho vão criar um ambiente muito mais saudável na relação com os partidos.

“Hoje é uma geleia geral, mas vamos ter uma redução dos partidos. Poucos partidos vão superar os obstáculos dessa nova legislação. Em 2030, quando concluiremos a implantação da cláusula de desempenho, vejo dois partidos na esquerda, esse novo partido de Bolsonaro na direita e algo como sete siglas no centro”.

ALTERNATIVA DIFÍCIL – Kassab diz que “não é nada cômodo criar um partido” e que Bolsonaro foi levado à saída mais difícil. Para ele, não é impossível o Aliança sair do papel a tempo das eleições de 2020, mas é grande a possibilidade de ele não conseguir.

Por que é tão difícil ser fiel a um partido no Brasil?
A democracia brasileira pós-ditadura é muito recente e estamos vivendo a acomodação final de um processo de estruturação partidária. Hoje é uma geleia geral, mas vamos ter uma redução dos partidos porque poucos vão superar os obstáculos que o fim das coligações e a cláusula de desempenho vão impor. Em 2030, quando concluirmos a implantação da cláusula de desempenho, vejo dois partidos na esquerda, esse novo partido de Bolsonaro na direita e algo como sete siglas no centro.

A impressão da sociedade é de que é mais cômodo criar partidos do que tentar melhorar os que existem porque políticos querem ser donos de legendas, quase como um negócio.
Não é nada cômodo, não é fácil criar um partido. No caso específico do presidente Bolsonaro, ele teve problemas no seu partido e entendeu que, sendo ele presidente, tem que comandar o seu partido. Ele não tinha outra saída e vai ter dificuldades nas eleições municipais. Possivelmente, não participará delas. O Congresso aprovou relatório preliminar que aumenta em R$ 3,8 bilhões o fundo eleitoral para os partidos em 2020. É justo gastar quase R$ 4 bilhões de dinheiro público com eleições? Defendi em minha trajetória política o financiamento aos partidos e candidatos baseado por doações da iniciativa privada, mas é notório que não deu certo. Hoje considero esta a forma mais adequada: o financiamento público, em conjunto com as doações de pessoas físicas.

O senhor não acredita que o Aliança conseguirá sair do papel a tempo das eleições de 2020?
Não me associo àqueles que acham que é impossível. Mas acho que é grande a possibilidade de não conseguir. Na hora que o Aliança começar a recolher apoios, vai ter cinco milhões de assinaturas em dois meses. O problema é a conferência destas assinaturas pelos cartórios eleitorais. De cada dez nomes que você manda, sete vão para o lixo. É correto que seja assim.

O Aliança é um projeto viável?
O Bolsonaro vai ter muita facilidade de fazer o partido (no longo prazo). Estamos falando do presidente da República, que tem 40 deputados federais e um ou dois senadores que querem seguir com ele. Não estamos falando de um grupo político inexpressivo.

Mas hoje as regras para criar um partido são muito mais restritivas do que eram quando o PSD foi criado, não?
Sim. Hoje, um deputado que se filiar a um partido novo pode perder o mandato. Antes, ele estava liberado. Agora, só se for em caso de fusão partidária, expulsão, perseguição ou na janela partidária que haverá somente em 2022. Outra mudança é que não se pode mais coletar assinaturas de políticos filiados para criar um partido.

O presidente Bolsonaro vai tentar convencer o TSE para que deputados do PSL migrem para o Aliança após sua fundação. Vai dar certo?
Não acredito que conseguirá e discordo da tese porque o deputado vai se transformar numa mercadoria. Vira leilão de fundo partidário e tempo de TV. Não é saudável. Seria abrir uma exceção para algo que já não deu certo, dar um tiro no pé.

O PSD foi criado com o bordão que não era de direita, esquerda nem de centro. Oito anos depois, a falta de identidade permanece?
Houve na época uma interpretação equivocada do que eu disse. Eu queria dizer que, como o partido não estava estabelecido, a vivência ia nos mostrar qual a principal posição teríamos. Somos um partido de centro, que defende uma economia liberal e um posicionamento firme do Estado no campo social.

Qual sua avaliação do governo Bolsonaro?
Teve alguns avanços, mas muito menores do que a promessa. O governo chegará no fim do próximo ano à metade do mandato e até agora o conjunto da obra é a Previdência, que foi encaminhada pelo presidente Temer. Se os resultados não começarem a aparecer, vai começar o clima “não deu mesmo, vamos ver quem vem pra fazer”. A principal questão é o emprego.

O senhor é investigado por suspeita de receber dinheiro via caixa 2 do grupo JBS. Como responde à acusação?
Fui injustiçado por acusações que vão se mostrar sem fundamento.

O senhor seria chefe da Casa Civil do governo Doria, mas as investigações o tiraram deste caminho. Como está a relação com o governador paulista?
É de plena cooperação. É um governo que ajudei a eleger e, portanto, tenho compromisso com o meu estado. Continuarei licenciado enquanto entender que é adequado do ponto de vista ético, ressaltando a minha confiança na correção de todos os meus atos na vida pública.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
Na corrida de Bolsonaro contra o tempo, parlamentares da bancada evangélica já chegaram na boca miúda e garantiram a filiação de cinco milhões de pessoas no Aliança. O preço pelo favor seria dois ministérios na próxima mexida estrutural. Nada fechado, mas o balcão está vergonhosamente aberto, negociando fé e política.(Marcelo Copelli)

13 thoughts on “Kassab diz que “é grande a possibilidade” de Bolsonaro não tirar novo partido do papel para 2020

  1. O saco já encheu de tanto ouvir esses debilóides falarem de política. O país está se arrastando num dos últimos lugares em educação, o povo pobre sofre sem o pão, nas ruas todos temem o imprevisto ladrão. E esses políticos baratos só pensam em si, em partido, em armação.
    Me dêem um pais qualquer onde eu possa ser chamado de qualquer coisa menos de brasileiro. É vergonhoso ser compatriotas de javalis como esses bestilóides.

  2. A ignorância do Nhônho é insuperável. Ele não sabe nem interpretar o texto do art 23 do Código Penal. está dando entrevistas sobre isso e a imprensinha ativista elogiando o ignorante.
    Coloco isso aqui pois kassab é farinha do mesmo saco. Horripilante o futuro político que nos espera, com o apoio irrestrito da qualificadissima mídia e seus pupilos.

  3. KKK é o roto falando do rasgado, este vigarista que criou um partido já té com apelido, o partido da boquinha. Se aliou vergonhosamente com o pestismo mesmo se dizendo não ser nem de esquerda nem de direita, só faltou se chamar de PFL. Mas coisa mais vergonhosa que esta só podia vir mesmo de evangélico, desavergonhadamente estão trocando filiação partidária por ministério, um vexame. E o governo ainda tem a ousadia de se declarar conservador, com certeza de privilégios.

  4. “Qual sua avaliação do governo Bolsonaro?
    Teve alguns avanços, mas muito menores do que a promessa. O governo chegará no fim do próximo ano à metade do mandato e até agora o conjunto da obra é a Previdência, que foi encaminhada pelo presidente Temer.”

    Que avaliação absurda! 2019 não acabou ainda e o imbecil avalia até o final de 2020. Que idiota! Não tinham ninguém melhor para entrevistar? Alguém que pelo menos saiba o que esta falando?

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